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E porque não eu?

terapia de reflexão para mentes livres e com paciência, SA ou Lda não interessa, pelo menos pensar não paga impostos

E porque não eu?

a Origem

por António Simões, em 06.04.18

Sendo um daqueles autores conhecidos pelo sua indelével marca registada de prender o leitor da primeira até à última página, escolhi este livro por isso mesmo, certo de um resultado final apaixonante. Claro está que desde aquela tarde soalheira, já lá vão muitos anos, em que devorei o "Código da Vinci" acabado de comprar numa feira do livro de Abril, outros livros se seguiram e não se poderá estabelecer qualquer comparação possível pelo facto do primeiro ser único e irrepetível. Apesar de tudo, ler Dan Brown continua a ser uma garantia de aprendizagem num ritmo que se encaixa perfeitamente na narrativa e guia o leitor numa viagem ao conhecimento, apimentada pelo frenético enlace com o seu simbologista de eleição. Neste livro, e não revelando qualquer pormenor da história, Dan Brown esteve por momentos à beira de um precipício ao qual eu chegei a pensar que ele fosse cair, mas no final soube dar uns passos atrás para se redimir de se ter aventurado num enredo em que o argumento principal tem tanto de batido como de inexplicável. O melhor desta obra fica-se mesmo pela acção, habitual no dia-a-dia de Robert Langdon, e espero que numa próxima obra o seu estilo se mantenha como sempre, mas escolha um tema mais ao estilo do seu primeiro livro.

Falcó

por António Simões, em 11.02.18

É curioso como tudo aquilo que disse do último livro que li encontra um paralelismo inverso nesta última obra de Arturo Pérez-Reverte, "Falcó", na medida em que as duzentas e mais algumas páginas se revelam poucas. Poucas porque a história, o ambiente e o argumento são soberbos, orientados com a mestria que Reverte habituou os seus leitores em todas as suas obras, seguindo sempre novos caminhos de uma forma impossível de prever. Espero sinceramente que este seja o primeiro de pelo menos outra obra, na qual o espião Falcó nos guie pelos sinuosos caminhos da Europa de meados do século XX.

os herdeiros da Terra

por António Simões, em 29.01.18

Passados alguns anos desde que li o livro "A Catedral do Mar", quando soube desta nova obra de Ildefonso Falcones não hesitei na hora de escolher este livro para uma espécie de continuação, um seguimento de uma história que desde então ficou na memória como um exemplo de luta, coragem e obstinação guiadas por princípios de integridade e honestidade que tão em fora de moda estão nos dias de hoje. Notei desde o princípio que o escritor procurou seguir alguns passos do livro anterior, na medida em que o enredo quase se poderia confundir, não fossem as personagens outras e o espaço temporal diferente, facto que não considero de modo algum negativo. Com alguma contextualização histórica, o livro apenas perde porque o escritor se perdeu ele próprio muitas vezes de uma forma exagerada, tornando o conteúdo de forma muito frequente numa redundância desnecessária, mas que justifica as mais de oitocentas páginas de letra muito pequena e margens reduzidas, resultando numa leitura pesada - literalmente - como comprovei pelo tempo que demorei a ler...

em viagem pela europa de Leste

por António Simões, em 12.10.17

Numa verdadeira viagem no tempo, a leitura deste livro mais do que trazer os registos nele narrados, é uma experiência única onde se contacta de forma directa e quase inicial com aquele que se viria a tornar um dos maiores escritores do século XX. Completamente fora do registo por qual o conheci, Gabriel Garcia Marquez descreve com o pormenor de um jornalista mas com a prosa de um escritor único, a viagem que fez pela Europa de Leste numa altura onde a II Guerra Mundial já pertencia a outra década, mas cujas chamas ainda se encontravam bem acesas numa Europa dividida por duas maneiras muito distintas de ver o mundo e a humanidade. Essa contenda entre a liberdade e a doutrina durou muitos anos e só não acabou noutra guerra mundial porque foi um conflito servido a frio. O livro é pequeno e sendo a leitura dele de um prazer imenso só espero que do baú das recordações, ou de uma gaveta onde se guardem rascunhos que nunca viram a luz do dia, ainda surjam novas provas que documentem o grande e versátil que era esse grande Colombiano.

a Denúncia

por António Simões, em 11.10.17

Como gosto do autor, e como de vez em quando é necessário dar um espaço a literatura mais ligeira, regressei a John Grisham e ao mundo dos advogados e dos julgamentos. Esclareço desde já que quando me refiro à "literatura mais ligeira" não o faço com qualquer sentido pejorativo, mas sim no sentido de diferenciar de outro tipo de obras/escritores, pois as viagens pelo mundo dos livros têm diferentes caminhos, sendo a meta a mesma - o prazer pela leitura e pelo conhecimento. Nesta "Denúncia" o escritor alerta para o perigo que um dos pilares da democracia pode correr quando a ganância entra pela casa da justiça dentro, levando consigo os tentáculos do mundo do crime. Numa história ficcionada mas que pode ser bem real, John Grisham conduz o leitor pela trama guiado pelos mais improváveis heróis - dois advogados que zelam pelo cumprimento das regras dos tribunais, que são alertados por uma denúncia anónima, movida não por um sentimento de justiça, mas sim na esperança de que se desfazendo uma injustiça lhe coubesse uma boa recompensa pela "boa" acção...

a biografia de Winston Churchill

por António Simões, em 19.07.17

Os 90 anos de vida de Sir Winston Churchill foram primorosamente resumidos nas 924 páginas desta biografia, obra de Sir Martin Gilbert, escritor que desde já presto aqui a minha singela homenagem por transmitir de uma forma isenta a vida, obra e história de uma personagem que ganhou o direito da eternidade reservada aos heróis que só não se tornam em mitos, porque na realidade existiram. Winston Churchill tendo vivido grande parte da sua vida no século mais conturbado da história da humanidade, foi um dos seus actores principais, pois destacou-se ao nível militar como combatente e dirigente, ao nível político como líder e oponente, sobrando ainda tempo para a sua incontornável boa disposição, o seu gosto tremendo pela vida e pelas pessoas, com espaço para as suas pinturas e leituras, não esquecendo a escrita pela qual foi distinguido com o Prémio Nobel da Literatura. Esta biografia permite contextualizar toda uma vida dedicada ao serviço da causa pública, desde os seus primórdios até bem perto do final, pois poucos foram os anos da sua "reforma", que ainda assim não foi isenta de uma ou outra incursão em assuntos preponderantes, onde a sua opinião era escutada. Guiado por esse desígnio, o caminho de Churchill não foi fácil, muito pelo contrário! Churchill foi muitas vezes ignorado, poucas vezes com razão. Em acontecimentos chave se a sua voz tivesse sido ouvida a humanidade poderia ter saltado muitas páginas negras que agora fazem parte dos arquivos tenebrosos da história universal. Seja nesses casos, seja nos que triunfou, mesmo voltando-se contra o seu próprio partido, a clarividência de Winston Churchill foi engrenada pelo seu conhecimento, por mover-se contra as convenções quando o interesse nacional era mais importante, e pela sua capacidade de antecipação dos acontecimentos, manifestada num soberbo acervo psicológico, intelectual, sociológico e histórico único. Recordar Winston Churchill é necessário, mais hoje do que nunca, num mundo actual tão órfão de homens e Estadistas.

o que nasce torto também se Endireita

por António Simões, em 15.05.17

Foi pelo título que a curiosidade despertou, e que me levou a ler esta obra de uma pessoa que estamos mais habituados a ver pela televisão, mas que fez muito bem quando decidiu fazer aquilo que os jornalistas melhor sabem fazer - pesquisar. Num registo simples e prático, João Moleira apresenta um grande número de factos, acontecimentos e invenções que tinham tudo para não serem nada, mas que no final provaram que afinal de contas "o que nasce torto também se endireita".

a Reviravolta

por António Simões, em 11.05.17

Seguindo receita idêntica aos dois anteriores livros que li de Michael Connely, nesta obra o autor surpreende por mudar o sentido da sua personagem principal, sem que por esse motivo se tenha perdido o sabor que caracteriza qualquer um dos seus enredos. Nesta "Reviravolta" o advogado Haller surge no lado oposto da barricada, provando que afinal de contas não é apenas um jogador defensivo, apresentando-se neste livro como um excelente ponta de lança da acusação.

assim foi Auschwitz

por António Simões, em 22.03.17

Este livro reúne textos e intervenções públicas de Primo Levi e de Leonardo de Benedetti, antigos prisioneiros do Campo de Extermínio de Auschwitz que tiveram a sorte que outros 6 milhões de judeus não conseguiram ter, que como forma de honrarem os que de lá não saíram para contar a história se encarregaram de deixar bem claro e vincado o seu testemunho, sendo este livro e o seu conteúdo um vivo exemplo disso mesmo. Para quem leu "Se isto é um homem" de Primo Levi neste livro não encontra o retrato frio e evidente das atrocidades que se cometeram nesses tempos de terror. Sendo intervenções manifestadas após o fim da guerra, os seus autores marcaram o seu tempo e não se esquivaram na hora de apontar o dedo, sempre com a preocupação latente de que o mundo não se esquecesse do que aconteceu, não só para servir de alerta para que algo de tão ignóbil volte a acontecer, mas também para dar voz a todas as almas inocentes que em Auschiwtz foram silenciadas.

o Veredicto

por António Simões, em 21.03.17

A receita tem exactamente os mesmos ingredientes, mas apesar do prato final ser bastante diferente o sabor é em tudo semelhante. Neste segundo livro que leio de Michael Connelly cimentei a ideia com que fiquei do primeiro, um autor que sem dúvida alguma tem o talento necessário para escrever policiais, com um conhecimento muito aprofundado do meio jurídico estado-unidense, que agarra desde as primeiras linhas o interesse do leitor, como se o próprio fizesse parte do jurado encarregue de atribuir um veredicto final.

ora, como eu Dizia...

por António Simões, em 09.02.17

Este livro poderá ser catalogado de biografia, como o próprio John Cleese a páginas tantas parece sugerir. No entanto, depois de o ler, acho que o livro é uma espécie de guião, algo que o antigo membro dos Monty Python é fenomenal no que à comédia diz respeito. Digo guião porque desde o início, descrevendo a sua infância e o seu meio ambiente, John Cleese mostra como é possível com um pouco de inteligência misturada com a coragem de quebrar o socialmente estabelecido se é capaz de tudo. Seja o facto de deixar uma carreira nas ciências ou na política pela incerteza de uma carreira no mundo do espectáculo, seja pelo facto de romper com a tradição e apresentar "algo completamente novo". Um livro excelente, que sugiro vivamente mas com a recomendação de ter muito cuidado, caso o leitor não queira terminar como os leitores da "piada mais engraçada do mundo"...

N.R. caso não tenha percebido a última parte, coloque a frase entre " no youtube...

o labirinto dos Espíritos

por António Simões, em 16.01.17

Ontem terminei a leitura do último livro de Carlos Ruiz Zafon. "O labirinto dos espíritos" é o quarto livro que conduz o leitor pelo mundo dos livros, da leitura, da escrita, do romance, do suspense e da história que tem como figuras principais uma família de livreiros, devidamente acompanhada por Fermín Romero de Torres, figura de proezas inesgotáveis, de um léxico sem fim, com uma capacidade fora do normal de provocar rios de lágrimas que acompanham ataques de riso quase patológicos, com os seus monólogos de argumentação fora do alcance do mais letrado dos mortais. Zafon serve-se da família Sempere para construir um mundo de emoções, que me cativou desde as primeiras linhas quando em Abril de 2009 li "A sombra do vento". O que escrevo acerca da minha opinião para este livro serve para qualquer um dos restantes, pois cada um por si, e todos no conjunto, são obras simplesmente fantásticas, onde cada frase é pensada com a mestria só possível a quem domina o dom da palavra, conduzidas por um pensamento que torna um vasto enredo numa estrada de sentido único onde é impossível que o leitor se perca, com direito às mais variadas paragens que vão desde o mistério à comédia, do drama ao amor, sentimentos subtilmente servidos com uma intensidade brutal, fruto de um processo de escrita que desde a primeira palavra é um tributo aos escritores, ao leitores, à literatura e acima de tudo ao livros, objecto único e insubstituível que une quem escreve e quem lê.

homens Bons

por António Simões, em 01.12.16

Raiano como sou, cada vez entendo menos expressão "de Espanha nem bom vento, nem bom casamento" que durante toda a minha vida ouvi repetidas vezes. Poderia citar um sem fim de coisas, matérias e assuntos que temos a sorte de facilmente alcançar por partilharmos a península ibérica com o reino de castela. No entanto, e porque este post trata do último livro de Arturo Pérez-Reverte, apenas aponto como exemplo a literatura moderna que se faz em Espanha, e que é do melhor que se pode encontrar numa livraria. Este autor, que se repete em vários livros que repousam serenamente na minha estante, surpreende sempre pela capacidade de se modificar, pela facilidade com que aborda os mais variados temas, sob os mais variados pontos de vista. Este livro foi o melhor que li dele. Tal facto poderia prender-se apenas pela história de dois homens, dois académicos que empreendem uma viagem à França para adquirir uma enciclopédia, numa jornada onde a vontade do conhecimento pretende subjugar todo um povo que teima em sair da idade média. Polvilhada com as vicissitudes de um percurso de tal dimensão realizado em pleno século XVIII, o enredo é por si só de prender a atenção do leitor. Mas Arturo Pérez-Reverte não se ficou por aí. Tratando-se de uma busca do conhecimento na verdade dos livros, o escritor espanhol pontua a história com pequenos pedaços do seu dia-a-dia, abrindo o jogo de como se escreve um livro em todas as suas formas: a ideia, a idealização do enredo, a documentação, as sugestões, as correcções, e todas as tarefas que se congregam no resultado final - as páginas que ficam ao serviço do leitor. Eu como leitor, e como apaixonado pelos livros só tenho que agradecer e prestar a minha singela homenagem a Arturo Pérez-Reverte por ter escrito um tão magnífico livro, que homenageia de forma ímpar esse que foi, é, e continuará a ser o alicerce da sociedade.

o silêncio do Mar

por António Simões, em 24.10.16

Depois de anos em que da Islândia apenas conhecia um dos meus grupos de música favorito, veio o europeu de futebol e verifiquei que para além do bom gosto dos Sigur Rós aquele país também dá uns toques de bola. Agora, depois de ler este livro da escritora islandesa Yrsa Sigurdardóttir, descobri que para além das cinzas vulcânicas que por vezes sopram dessa ilha também podem surgir ventos que nos brindam com uma agradável brisa de boa leitura. Com chegada a Reykjavík, o livro traz uma história que começa de forma sinistra, para depois partir na procura de uma explicação com partida de Lisboa, numa viagem que a princípio parecia ser do tipo cruzeiro, e que se transformou em algo cujo adjectivo deve ser classificado por quem quiser apreciar esta obra, num clima de intriga aclimatado pelo silêncio do mar.

os deuses da Culpa

por António Simões, em 17.09.16

Nem sempre consigo chegar ao fundo do baú dos livros por ler. Umas vezes aproveitam-se promoções, outras vezes são oferecidos, ou então surge uma novidade que não se pode deixar de lado, o certo é que normalmente tenho sempre algo por ler. No entanto, sempre que leio o último livro é com um prazer redobrado que entro numa livraria, na busca do próximo companheiro da mesa de cabeceira. Essa procura é sempre diferente, pois se umas vezes procuro algo sobre uma temática que me interessa no momento, outras há em que vou completamente aberto a novas experiências. Foi com este espírito que descobri este livro de Michael Connelly, que prende a atenção do leitor da primeira à última página, num registo policial apimentado pela magnitude dos julgamentos à moda dos EUA. Deixo a sugestão para a leitura deste livro, e a promessa que voltarei novamente a uma outra obra sua, pois esta deixou uma impressão excelente.

ardenas 1944

por António Simões, em 25.07.16

Se algum dia o leitor tiver necessidade de saber mais sobre a 2ª Guerra Mundial, no lugar de procurar uma enciclopédia sugiro que leia qualquer um dos livros de Antony Beevor, não só porque lá encontra tudo, mas acima de tudo porque o encontra escrito de um modo fácil de entender e, melhor que tudo, verdadeiramente cativante. O autor de mais uma brilhante obra sobre o maior conflito bélico da história da humanidade, conduz o leitor neste livro pelos meandros da batalha que conduziu ao estertor da frente ocidental. No seguimento da sua obra sobre o dia D, Antony Beevor revela de forma minunciosa todas as movimentações que fizeram da batalha nas Ardenas uma das mais importantes dos sete anos que este conflito durou.

a rapariga apanhada na teia de Aranha

por António Simões, em 24.07.16

Saudade… é com esse sentimento apenas entendido e interiorizado por tugas de nascença, que regresso ao meu apartamento de pensamentos no espaço internetico. A ausência estabelecida nestes quatro meses justifica-se recorrendo a um verso do Luís mais importante da historia desta horta à beira mar plantada, pois “valor mais alto se levanta”. Assim, com as devidas desculpas pedidas para quem sentiu falta, começo por falar do ultimo livro que li. “A rapariga apanhada na teia de aranha”, obra de David Lagercrantz, que dando seguimento a trilogia criada por Stieg Larson respeita totalmente a memória do falecido escritor, na medida em que segue a mesma linha de enredo policial. Diferente é sem duvida alguma a escrita, sendo esta um incremento qualitativo para descrever a atribulada vida de Elisabeth Salader. Neste livro o fenómeno que George Orwell preconizou para 1984 fica exposto a nu na actualidade, com alguns anos de atraso mas ainda a tempo de identificar os culpados e, pior que tudo, evidenciando a frivolidade da nossa vida actual pela facilidade em que hoje expomos a soberania individual de cada um, com os riscos subjacentes que disso mesmo decorrem.

os anagramas de Varsóvia

por António Simões, em 08.02.16

Sendo uma das minhas temáticas favoritas, a fasquia encontrava-se bastante alta à partida para as primeiras páginas. Com o gueto de Varsóvia como pano de fundo e um clima de thriller à mistura, Richard Zimler prendeu a minha atenção logo desde o início, e fossem outros os tempos, onde tinha tempo para fazer coisas que levam o seu tempo, a leitura deste livro poderia ter batido recordes de velocidade. A personagem principal guia o leitor pelo desenvolvimento dos acontecimentos, mostrando uma complexidade que se manifesta no complexo modo de referência às coisas recorrendo aos anagramas e segundos sentidos, mas também porque se mostra rica em manifestações de tristeza e alegria, marasmo e humor. É assim deste modo que um dos mais cruéis aprisionamentos de seres humanos da história é apresentado, pela convivência com o dia-a-dia de pessoas que tal como Erik Cohen se limitavam a acordar no dia seguinte, sabendo que poderiam muito bem não chegar a ver o próximo. O velho psiquiatra Judeu encarna todo um estereótipo mimetizado pela forma brutal como vê o seu sobrinho-neto partir, ou pela exaustão do sofrimento que faz a sua sobrinha sucumbir, sobrando-lhe ainda forças para encontrar o norte da sua razão de existir, sentido que lhe garante uma sobrevivência que não se esgota na componente física, mas transcende para a mente das pessoas que não podem ficar indiferentes perante uma história que não é ficção. A 2ª Guerra Mundial existiu, os campos de concentração foram uma realidade, os muros que delimitavam os contornos dos Guetos forma edificados, e cerca de 6 milhões de Judeus não puderam comemorar o dia da Vitória na Europa, a 8 de Maio de 1945. Obras como esta servem para não esquecer os actos mais bárbaros, inverosímeis e ignóbeis que o homem é capaz, e desde essa data que outras vitórias se comemoraram, mas infelizmente ainda existem muitas outras para alcançar.

1975 o ano do furacão Revolucionário

por António Simões, em 06.12.15

Este ano virei as agulhas literárias para longe dos romances, e este livro faz parte de um conjunto de assuntos sobre os quais tinha uma enorme vontade de descobrir aquilo que a escola não nos ensina. O ensino da história que era leccionado no meu tempo, tinha uma falha tremenda ao nível da parte contemporânea desta grande nação, e tudo o que diz respeito ao 25 de Abril quase se resumia a um cravo na ponta de uma espingarda. Se a Revolução dos Cravos era descurada na matéria, julgo que do PREC apenas era ensinado o que significava a abreviatura. Este livro que foi escrito por João Céu e Silva, reúne os testemunhos da imprensa ao longo do ano de 1975, bem como entrevistas a actores que desempenharam papeis de relevo, no ano em que a revolução ia amadurecendo em demasia com o risco iminente de apodrecer. Para quem como eu sabia muito pouco desse ano de "Verão Quente", este livro é uma grande ajuda. Para aguçar apenas um pouco a curiosidade, retiro a seguinte intervenção:

"Por nossa vontade os comunistas não teriam entrado no Governo, pois o PCP é antidemocrático e antiportuguês. Devemos afirmá-lo sem ambiguidades, sem equívocos nem oportunismos, e é preciso que o PS defina abertamente a sua posição perante aquele partido"

A oratória é de Sá Carneiro, num comício em Braga, mas poderia muito bem ser confundida com uma intervenção de um PPCoelho ou PPortas qualquer...

até amanhã Camaradas

por António Simões, em 12.10.15

Calhou de iniciar a leitura desta obra em alturas de calor, com os dias cheios de actividade por onde distribuir o tempo ocioso, motivo pelo qual a mesma acabou por se alongar e terminar apenas no dia de hoje. É impossível a leitura deste livro não se misturar com a imagem de Álvaro Cunhal, e imaginar que a mão que o escreveu transmitiu para o papel toda uma história de vida, uma vida de luta, resistência e resiliência. No entanto "Até amanhã Camaradas" não poderá ser confundido com uma espécie de ensaio auto-biográfico, pois é muito mais do que isso. É um registo histórico de um movimento e de um partido, que desde os primeiros tempos da luta anti-fascista tomou as rédeas da resistência, mas também é ao mesmo tempo uma homenagem a todos os Camaradas que activamente participaram, do mais pequeno funcionário, aos quadros mais íntimos do comité central. Terminei a leitura deste belo livro num momento em que a brisa das ultimas eleições ainda corre pelos corredores do poder, brisa essa que agita a bandeira da foice e do martelo como à muito tempo não se via...

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