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E porque não eu?

terapia de reflexão para mentes livres e com paciência, SA ou Lda não interessa, pelo menos pensar não paga impostos

E porque não eu?

porque amanhã é 25

por António Simões, em 24.04.15

Apesar de ter vindo ao mundo na mesma década em que o golpe militar ocorreu, pertenço às gerações que tiveram a sorte de não conhecer o regime que viu o princípio do fim no momento em que a voz de Paulo de Carvalho surgiu na radio. Sorte por não saber o que é viver numa ditadura. Sorte por não saber o que é viver num país onde o acesso à cultura e informação era manietado. Sorte por não saber o que é viver num país medíocre, que ensinava todos a ler e escrever, mas impedindo seguir mais longe e cometer o sacrilégio de pensar. Sorte por não sentir na pele tudo isso e muito mais. No entanto sei que essa sorte tem um preço. Um preço talvez demasiado caro, mas que é raro alguém reparar. Ao invés, segue-se em frente, coloca-se no carrinho, e paga-se no final sem que alguém verifique a conta. Olho para as gerações anteriores, para os mais velhos, e vejo que aquilo que eles viveram serviu para dar um valor à vida que julgo, e quiçá mesmo afirmo, que as gerações seguintes não dão, e certamente não virão a dar. Apesar do sortudo que sou, tenho pena não ter vivido nessa época, para dar (ainda) mais valor a tudo aquilo que temos hoje. Gostaria de ter uma máquina do tempo e regressar à madrugada do dia 25 de Abril de 1974 para sentir a alegria de todo um povo, sentir o despertar de um sentimento de esperança no futuro, e o romper das grilhetas do passado. Gostaria de ter sido um dos heróis que tinham como objectivos nomes de código como Mónaco, México, Madrid ou Atenas. Gostaria de receber ordens do Óscar. Gostaria de ter sido comandado pelo Maia. Gostaria mas não é possível. Assim, pelo menos aqui posso deixar a minha homenagem e agradecimento a esses heróis, que conseguiram libertar o país, e, pelo menos durante um dia, acreditar que Portugal tinha um futuro. Como diz António Arnaut numa entrevista "Era um tempo em que havia futuro. Hoje resta a liberdade e a parte do SNS que ainda não destroçaram".

Pergunto ao vento que passa 
notícias do meu país 
e o vento cala a desgraça 
o vento nada me diz.

                           "Adriano Correia de Oliveira" verdade ontem, como hoje...

Mesmo na noite mais triste 
em tempo de servidão 
há sempre alguém que resiste 
há sempre alguém que diz não.

                           ""Adriano Correia de Oliveira" verdade ontem, mentira hoje... infelizmente.

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