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E porque não eu?

terapia de reflexão para mentes livres e com paciência, SA ou Lda não interessa, pelo menos pensar não paga impostos

E porque não eu?

donald Trampa

por António Simões, em 18.02.16

O futuro presidente dos estados unidos das américas continua a ser confeccionado por um dos sistemas eleitorais mais pitorescos do planeta terra. Nestas primárias, o papel de bobo da corte foi, mais do que atribuído, sequestrado por um candidato que se apresenta sem "papas na língua". Sempre pensei que popularidade que Donald Trump atingiu antes de se passar ao verdadeiro acto de colocar uma cruz no boletim de voto, fosse uma falácia do estado-unidense comum, actores que participam numa espécie de "soap opera", para ver até que ponto é que poderia descer o nível do debate para a escolha do próximo ocupante da casa branca. Contudo, o processo segue em frente, e apesar das várias barbaridades proferidas por Donald Trump o homem soma e segue, e aquilo que até agora eu julgava como uma mera anedota, já tem contornos demasiado graves para serem ignorados. Será sempre injusto escolher qual das intervenções deste magnata seria a mais exemplificativa do seu grau de estupidez, mas o mais recente episódio que engloba o Papa Francisco é demonstrador que a falta de respeito é o melhor adjectivo para classificar Donald Trump. Depois da lufada de ar fresco revitalizante e surpreendente que o eleitorado estado-unidense deu ao escolher Barack Obama, por duas vezes, aguardo o desfecho para compreender se de facto tudo não passou de uma quimera, confirmando-se a opinião que tenho desse país com manias de grandeza...

um sebastianix por Favor

por António Simões, em 07.11.15

Fernando Santos deu a conhecer a convocatória da selecção nacional, para os jogos que se aproximam. Nas notícias, o grande destaque foi para a ausência de Cristiano Ronaldo! O resto não interessa. Falar acerca dos que regressam, ou dos que irão viver as primeiras experiências ao mais alto nível do futebol nacional, não alimenta as páginas dos jornais, nem os tempos de antena de radio e televisão. O futebol sempre foi e sempre será um desporto de equipa, pelo que não aceito este mediatismo provinciano em volta de um só jogador, mais ainda quando falamos de um conjunto de jogadores que partilham a igualdade de terem nascido todos sob o mesmo desígnio de ser tuga. Talvez o problema seja mesmo esse, ser tuga! O síndrome de D. Sebastião parece ter ficado registado no nosso ADN, e vivemos sempre na esperança de surgir um salvador da pátria por entre as brumas de um nevoeiro permanente. Resta pois apelar aos investigadores que desenvolvam um remédio, para acabar de vez com este síndrome de mediocridade e subserviência nacional. Até deixo uma sugestão para a pantente final - Sebastianix...

os Ratings

por António Simões, em 04.11.15

Como que regressados de um passado recente, os ratings são novamente servidos no prato das notícias. Desde os tempos do PEC IV, e da posterior intervenção do FMI encomendada pelo grupos parlamentares da periferia do hemiciclo, que não se ouvia falar das agências de notação financeira. Saciadas as agências, e acalmados os "mercados", com a tugalândia devidamente catalogada de "Lixo", os anos de governação passista e portista decorreram de uma forma serena, navegando ao sabor das correntes dos investidores, devidamente presenteados com um país que se auto-flagelou na expiação dos pecados de ter vivido acima das suas possibilidades. Com o estado social devidamente desmantelado, e a via verde atribuída gratuitamente aos abutres do capital para livremente circularem, a tugalândia era o país ideal. No entanto surgiram estas eleições que apesar de não terem sido um terramoto de proporções épicas, deixaram réplicas que ainda hoje se fazem sentir, e que continuarão por mais uns tempos. Será pois este "perigo" iminente que agita agora novamente os "mercados", e que faz as agências de rating virarem-se novamente para estas nossas bandas, no preciso momento em que coisas como a reposição dos direitos dos trabalhadores surgem na ordem do dia. Neste momento entre as ondas sísmicas que a esquerda provoca, e o proteccionismo de agências ao serviço do capitalismo, eu, simples empregado, não tenho dúvidas de que perigos me devo abrigar...

a Desinformação

por António Simões, em 01.11.15

O jornalismo que é praticado aqui pela tugalândia frequenta as mesmas ruas que o país. É com amargura que tenho que viver num país que se arrasta por essas vielas, locais onde os editores de informação bebem da inspiração de tascas e botecos. Nos dias de hoje as publicações periódicas de carácter informativo, bem como os canais e serviços de informação televisivos, crescem e surgem com mais frequência que cogumelos numa floresta. Cabe por isso mesmo ao leitor/ouvinte, o trabalho de escolher aquilo que lhe parece mais digno de confiança, do mesmo modo que os degustadores de cogumelos tem que seleccionar criteriosamente as espécies que são comestíveis, e deixar as outras na paz da natureza. No entanto a missão de quem quer estar informado é tarefa hercúlea. Seriam muitos e vastos os casos que poderia aqui citar, mas escolho como exemplo a paranóia que na ultima semana foi desencadeada pela OMS, com os alertas acerca do consumo da carne vermelha e seus sucedâneos processados. Desde notícias de abertura, a peças de duração incomum, passando por directos de talhos e restaurantes, acabando num debate televisivo, a comunicação social exacerbou o comunicado da OMS, e acendeu a luz ao fundo do túnel para as vacas e os porcos que se encontram nos matadouros. A informação ultrapassa assim a sua missão, e pode muito bem manietar a mente dos destinatários. Eu pelo sim pelo não, no dia a seguir fui comer uma francesinha...

vergonha Nobel

por António Simões, em 26.05.15

Li umas declarações de um dos laureados com o prémio Nobel da Economia de 2010, e fiquei de tal modo estúpido facto (não confundir com estupefacto), que tive que recorrer ao google para municiar-me de informações acerca da vida e obra deste "génio", pois na falta de recursos próprios na matéria das ciências económicas, só mesmo com esse vasto manancial de informação seria capaz de entender aquilo que tinha lido. No entanto, a pesquisa não correu como esperava, pois apenas descobri que este senhor dedicou grande parte do seu estudo com a problemática do desemprego, e que o prémio do comité sueco foi atribuído pelos seus trabalhos "for their analysis of markets with search frictions", ou seja, qualquer coisa como "pela sua análise de mercados com atritos nas pesquisas", cujo significado desconheço, e cuja tradução por mim efectuada também não deverá contribuir com grande coisa para entender melhor. Mas no fundo tudo isto esconde algo bem mais simples, revelando o manto que cobre este espectro do mundo económico académico, de um modo bem mais diáfano do que aquilo que um simples e vulgar mortal como eu, e como a grande maioria das pessoas, poderia eventualmente achar à partida. Dito isto, depois de saber que Christopher Pissarides encara o trabalho até ao 70 anos como algo natural, e de evolução próxima, como forma de enquadrar o aumento da esperança média de vida, acho que fica claro que para chegar a soluções destas não será preciso estudar tanto, ainda menos ganhar um Nobel. Confundir esperança média de vida com qualidade de vida, e chegar a teoremas "bestiais" como este, é algo de tão rudimentarmente básico que deveria envergonhar a academia que atribui os prémios. Não peço que seja retirado o prémio pelo respeito que o seu trabalho certamente merece, apenas peço respeito pelos trabalhadores, que depois de uma vida inteira a dar no duro merecem eles também um descanso condigno, enquanto ainda restam forças e energia para o fazer...

estudar para Quê?

por António Simões, em 20.05.15

Aqui, neste pequeno rectângulo à beira mar plantada, verdadeira proa da embarcação europa que fundeou em águas atlânticas, o povo assiste impávido e sereno, como é aliás seu apanágio e ADN, à continua delapidação da sua reserva intelectual. Se tempos houve em que as figuras de prestígio académico e intelectual eram escutadas, ocupando cargos e posições fulcrais na sociedade, hoje em dia restam apenas casos esporádicos, muito provavelmente por uma distracção da cartilha actual. Os requisitos actuais favorecem o chico espertismo, sendo normal encontrar em cargos de relevo pessoas briosamente incompetentes. Agravando este fenómeno, a exportação do produto saído das universidades engrossa cada vez mais os números da emigração, e caso o país recebesse euros pelos canudos exportados, o produto interno bruto aumentaria, e com ele a balança comercial. Os licenciados que entretanto tiveram a ousadia de por aqui ficar tem pouca margem de manobra para fugir a empregos fúteis com margem de progressão igual a zero, e sujeitam-se ao livre arbítrio do mercado laboral que normalmente termina num posto deslocado em relação à sua formação, ou sentados em frente a um computador de um call center, ou no pior dos casos na fila do desemprego que dá a volta ao quarteirão. É assim que um país trata a sua massa crítica, aquela que sai cara aos cofres do estado e das famílias, para no final fazer das tripas coração, não para encher o cofre da família que tenta formar, mas para sobreviver num dia a dia sem grande futuro à porta.

carga Policial

por António Simões, em 19.05.15

O fenómeno da internet quebrou as barreiras que ainda existiam, e juntamente com a massificação de todo o tipo de utensílios para a gravação de imagens, a profecia de George Orwel é hoje em dia uma realidade. Contudo, na hora de efectuar julgamentos deveria existir um certo pudor, coisa que actualmente faz parte do passado. O vídeo que mostra um adepto a ser brutalmente espancado por um polícia, perante o desespero dos seus filhos que assistem sem nada poder fazer, é elucidativo na medida daquilo que os nossos olhos vêm. E nada mais digo. Perde-se tempo em averiguar o porquê daquela situação, pois a verdade está reservada aos intervenientes daquela triste cena. As opiniões crescem à medida que o vídeo é divulgado, mas até ao momento não registei nenhuma que alertasse para o problema de uma forma, digamos, profiláctica. Infelizmente o mundo do futebol, que vai muito para além do que por cá se passa, dá constantemente provas evidentes que um jogo da bola ainda não é algo que se possa assistir com a família de mão dada. Se a isto lhe juntarmos a pimenta de um jogo decisivo, e em terreno adversário, estão reunidos os ingredientes para um desafio a evitar. Não censuro quem lá vai, mas sem dúvida alguma que censuro arrastar uma criança para um ambiente que frequentemente acaba mal.

b. b. King

por António Simões, em 16.05.15

Não sei se foi nas duas disciplinas de música que tive no 5º e 6º ano, ou noutro lado qualquer, que aprendi o sentido/significado da musica, qualquer coisa como "um conjunto de sons que são agradáveis ao ouvido".  A música, tal como outra coisa qualquer, varia de acordo com os gostos individuais de cada um, podendo ser um barulho infernal aquilo que para outro é uma melodia de encantar. Desde o tempo em que passava horas a gravar cassetes que o meu gosto musical tem vindo a ser moldado, pois a estrutura daquilo que gostamos de ouvir varia necessariamente com o tempo, a idade ou a ocasião. No entanto, existindo uma estrutura ela leva a escolhas que acabam por repetir-se em géneros que identificam o estilo do apreciador. Gosto dos Queen porque sempre gostei desde que me conheço, mas a minha estrutura musical base passa por tudo aquilo que trata a guitarra por tu. Perdi a conta às vezes que ouvi o solo de Jimmy Page em "Starway to heaven", os álbums de Paco de Lucia, as guitarradas psicadélicas de Jimi Hendrix, a boa disposição de Santana, a intensidade de Mark Knopfler, a serenidade de Eric Clapton, ou a sabedoria de Carlos Paredes. Mas foi com B.B. King que aprendi a verdadeira essência da guitarra, e ganhei o gosto pelo meu género musical preferido - o Blues. King fazia com a guitarra aquilo que quase ninguém consegue fazer com a voz. O mundo perdeu uma referência, mas a história ganhou mais uma figura.

as Biografias

por António Simões, em 15.05.15

Depois de PPCoelho ter lançado a sua pré-campanha eleitoral, perdão, Biografia, muito se tem debatido acerca do livro, e este blog não foi excepção. No entanto, pelo que tenho visto e ouvido, tenho necessidade de voltar ao tema para acrescentar algo mais ao que já por aqui disse. De facto, concordo com muitos comentadores quando se mostram indignados por uma obra acerca de uma personagem demasiado pobre para encher as páginas de uma biografia. Acho isso de PPCoelho como acho de inúmeras outras figuras que lançam livros deste género, deturpando o sentido da essência de uma Biografia. Uma Biografia deve ser algo reservado para aqueles que não só merecem ser biografados, como a sua existência e tudo aquilo que fizeram, produziram e pensaram merece ser catalogada para ser lida e estudada, tornando-se numa espécie de romance com o objectivo de dar a conhecer aos que não conhecem, relembrar os que se lembram, e em ambos os casos servir de inspiração para tentar fazer o mesmo. Pelo que fez até ao momento, o nosso primeiro está longe destes critérios, mas a culpa não é dele... a culpa inicial é do editor, e no final do leitor...

liberdade de Quê?

por António Simões, em 14.05.15

Como foi recentemente noticiado, procuradores do ministério publico foram alvo de processos disciplinares, resultado das suas "intervenções" nas redes sociais. Pelos vistos, estes "magistrados" (as aspas não são colocadas por engano...) acharam que o mundo virtual era o local indicado para registar comentários acerca da prisão de José Sócrates, que variaram entre "Há dias perfeitos. Hihihihihi" no dia seguinte ao da detenção, ou "Com toda a razão, afinal ele estava habituado aos mais requintados restaurantes em Paris" relacionado com as reclamações dos reclusos do estabelecimento prisional de Évora acerca da alimentação. Se isto seria suficiente para envergonhar um país, a Procuradora Geral da República conseguiu atiçar a chama dessa vergonha ao defender esses "magistrados". No inquérito disciplinar aplicado, Joana Marques Vidal votou contra, considerando que estavam apenas a exercer o seu direito de liberdade de expressão. Ora até mais ver, a liberdade de expressão não é sinónimo de falta de bom senso, e efectuar comentários destes é perfeitamente normal quando não se ocupam certos e determinados cargos. É certo que desde o momento que PPortas revogou o sentido da palavra irrevogável, o léxico tuga ficou órfão de uma defesa condigna que evite a repetição de fenómenos deste tipo, mas exercendo eu o meu direito de liberdade de expressão, e com o bom senso do lugar que cada um ocupa na sociedade, permitam-me esses "magistrados" e a PGR que os defendeu dizer-lhes o mesmo que lhes diria o célebre Diácono Remédios "Não havia hummm... nechechidade..."

dia da Urss

por António Simões, em 11.05.15

São apenas coincidências, pois o dia 8 de Maio que comemora o dia da vitória na Europa, antecede o dia da Europa que comemora o embrião da actual união europeia, originado pela declaração de Schuman proferida a 9 de Maio de 1950. No dia 8 comemora-se o fim de uma guerra, e no dia 9 a génese de uma convivência nem sempre fraterna, nem sempre justa, nem sempre guiada pelos valores e registos de igualdade, mas que em todo o caso é sempre melhor do que deixar os destinos entregues ao livre arbítrio individual, o qual, como a história se encarrega de lembrar, nunca deu bom resultado. Com toda a certeza não foram estes valores que levaram os descendentes dos Czares e dos Lenines a celebrar os 70 anos da derrota alemã, do modo como o fizeram no passado fim de semana. Com um desfile militar como o mundo não assistia desde os tempos da guerra fria, Putin acrescentou à parada um discurso que, juntamente com as suas recentes intervenções na Ucrânia, se não faz temer pelo pior, deveriam colocar em alerta os responsáveis mundiais. O leitor pesquise na internet imagens desse desfile, imagens dos congressos de Nuremberga realizados pelo regime Nazi entre 1923 e 1938, e procure entre os dois as diferenças... A título de curiosidade, os congressos promovidos por Hitler eram subordinados a temas. Em 1939, ano em que começou a II Guerra Mundial, o tema era "Congresso da Paz"... foi cancelado!

boxe Leve

por António Simões, em 09.05.15

Não sou um adepto do Boxe, no sentido literal da palavra "adepto", mas sempre que existe um combate da dimensão como o que estava previsto para o passado sábado, gosto sempre de dar uma espreitadela, na esperança de ver milho do grosso a ser distribuído pelos dois convivas do quadrilátero. O problema é que no fim fico sempre defraudado com as expectativas. Como tenho por fasquia as cenas de pugilato como as que foram protagonizadas pelo Silvestre (e não estão a falar do gato que o Piu-Piu chama carinhosamente de pussy cat) na saga Rocky, onde os combates terminam com sangue e sobrolho tão inchado que dos olhos nem uma nesga se vê, estes combates da vida real pecam por escassez de milhafre do bom. Vi o chamado "Combate do Século" entre Floyd Mayweather e Manny Pacquiao durante os seus 12 assaltos, chegando à conclusão final que os 2 160 segundos de combate efectivo mais me pareceu um bailado, só faltando a orquestra para tocar a valsa. Claro está que os raros momentos de tentos desferidos na fronha do parceiro são sempre dignos de registo, e é preciso ter muito pescoço para não quebrar com murros daquele calibre. Recebesse eu o mais fraco deles, e nem dobrado no chão me salvaria de uma negra garantida durante meses a fio. Mas estamos a falar de profissionais, e por isso mesmo para a próxima vamos esperar que o milho seja do bom...

 

Post Scriptum: Ontem foi o dia 8 de Maio de 2015, comemorando-se os 70 anos do final da II Guerra Mundial. Convém sempre lembrar. Pena é que desde então nada se tenha aprendido, e não se possa comemorar um Mundo sem guerra...

lagartas e Borboletas

por António Simões, em 08.05.15

Infelizmente, hoje em dia publica-se tudo. Sossegue o leitor que este humilde bloguista (pois para escritor não há talento e arte) não pertence à percentagem dos tugas, que não só elegeram Salazar no programa dos grandes tugas como o maior deles, como parecem saudosos do tempo da caneta azul, em que para ler algo que não estivesse aprovado era preciso andar às escondidas, isto quando se conseguia ler o que se queria. Acho no entanto que a tremenda oferta que hoje em dia existe tem vindo paulatinamente a piorar a qualidade do que se lê. Como leitor acho que já perdi tempo com obras que me impediram de dedicar a devida atenção a outras, de verdadeira qualidade. O mundo editorial deveria seguir o exemplo da natureza, mimetizando o processo de metamorfose que as lagartas sofrem culminando no aparecimento de uma bela borboleta. Sempre que verificasse que aquela lagarta (livro) vai acabar por dar numa borboleta (obra) feia, o melhor mesmo era deixar a lagarta como está, para assim os leitores saberem à partida com o que contam. O problema é que isso não acontece, e por isso mesmo temos livros como o que acabou de sair, a biografia de PPCoelho, um bom exemplo de uma lagarta que por mais que tente nunca vai chegar a borboleta.

pingo Azedo

por António Simões, em 05.05.15

Volvidos que estão três anos sobre o dia em que a guerra civil esteve à beira de explodir nas portas dos hipermercados da cadeia Pingo Doce, a passada sexta feira trouxe mais um episódio, embora desta vez de dimensão incomparavelmente inferior. Pingo Doce e Continente acharam ser o dia do trabalhador o mais indicado para promover uma campanha de descontos, encontrando-se nesse dia um grande número de artigos a metade do preço habitual. Obviamente que nos dias que correm qualquer campanha deste género é de aproveitar, porque as carteiras tugas ao contrário destas promoções esporádicas, encontram-se o ano inteiro em promoção. No entanto, continuo a achar a escolha deste feriado para tais aventuras comerciais uma verdadeira machadada no espírito do mesmo, sendo uma demonstração de total desrespeito pela carga simbólica que o dia 1 de Maio encerra. Agora acompanhados pelos companheiros da Sonae de Azevedo, os magnatas do Pingo Doce não se encontram sós na hora de destruir os valores que ainda vão sobrando de uma sociedade cada vez mais pobre. Talvez esteja próxima uma fusão, qualquer coisa tipo Pingo Azedo com promoções de 50% no bacalhau, só no dia 25 de Dezembro...

santa Paciência

por António Simões, em 17.04.15

Pára tudo. O país hoje devia estar em dia de reflexão, séria e a sério, ao contrário do dia que precede uma data eleitoral. As greves são um direito dos trabalhadores, mas para os governantes em geral, e para os actuais em particular, são como uma espécie de mosquito que teima em perturbar o silêncio das noites. No entanto neste caso a magnitude do acontecimento é tal, que esqueça o leitor as greves dos professores, dos polícias, dos hospitais, ou mesmo dos arrumadores de veículos automóveis (que lutam pela melhoria das condições de trabalho, exigindo abrigos no inverno e bonés no verão, patrocinados pelas autarquias locais), porque desta vez o caso ultrapassa todas as barreiras. Nunca em 500 anos de história se assistiu a uma greve destas. Ainda Camões não era nascido, ainda o Marquês de Pombal não recuperava a capital dos destroços do sismo, ainda estavam para vir os reinados sob domínio espanhol (bons tempos...), já existia a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que nunca como até hoje tinha assistido a uma greve dos seus funcionários (tirando o dia seguinte às vitórias do clube que para além de sport lisboa tem o nome de um bairro, casos que apesar de tudo são manifestamente escassos). Por isso mesmo, e porque os funcionários da Santa Casa perderam a Santa Paciência, será altura de uma vez por todas este governo mudar de atitude, caso contrário qualquer dia até o Cardeal Patriarca cantará no sopé das escadas do parlamento "Está na hora deste governo ir embora".

papa Francisco

por António Simões, em 14.04.15

Gostei do senhor logo no preciso momento em que se anunciou ao mundo como Papa Francisco, escolha reveladora de um excelente bom gosto. De lá para cá, não parou de surpreender o mundo, e sempre pela positiva. Seja com acções que não se esperam que uma pessoa na sua posição as tome, seja com discursos acutilantes que apontam o caminho para um mundo melhor, fugindo aos "tiros" no pé que a humanidade teima em lançar. Hoje é tema porque o ministro turco dos negócios estrangeiros considera infundadas e longe da realidade histórica a referência a "genocídio" dos arménios pelo antigo império Otomano, nos primórdios do século XX. Parece que está a tornar-se moda por de lado os livros de história, e assobiar para o lado quando a conversa não agrada, mas ainda bem que existem pessoas que de um modo "educativo" colocam o dedo na ferida para lembrar à sociedade o quão perverso e mau pode ascender o ódio do homem. Quando essas pessoas têm esta postura em lugares de tamanha magnitude, o seu papel para além de sair engrandecido, serve ainda para guiar muitos outros no sentido positivo, e acreditar que afinal ainda vale a pena confiar no cumprimento do dever. Obrigado Papa Francisco!

o Esquecido

por António Simões, em 03.03.15

O nosso primeiro-ministro, como é do conhecimento de todos, segundo as mais recentes notícias teve uma branca com duração de 5 anos relativamente ao campo do cumprimento das suas obrigações relacionadas com a segurança social. Depois de deixar o tacho, perdão, lugar de deputado, e antes de se lançar no ataque à poltrona, perdão, liderança do seu partido, esteve cinco anos a encher chouriços, perdão, trabalhar numa empresa de formação de formadores que dão formação a formandos para posteriormente darem formação. Pelo que o povo tuga foi informado pela comunicação social, o PPCoelho não pagou o devido da sua actividade à segurança social. Mas fê-lo agora, e sempre ouvi dizer que mais vale tarde que nunca. Quando questionado sobre a matéria, o homem disse que se esqueceu. De facto, existe um provérbio romano que todos conhecemos e frequentemente dizemos quando alguém erra que "errar é humano". Contudo, pesquisei sobre esse provérbio e descobri que o mesmo na sua versão completa diz que "Errare humanum est, perseverare autem diabolicum", que é como que diz "errar é humano, mas perseverar no erro é diabólico". Tendo esquecido as suas obrigações durante tanto tempo, acho que no seu caso a segunda parte do provérbio está mais adequada...

o Kindergarten

por António Simões, em 02.03.15

O modo como estão a ser conduzidas as negociações com o novo governo Grego, juntamente com o fogo cruzado que se tem vindo a registar entre partes que até ao momento só se lembravam que o outro existia quando era necessário recorrer a estatísticas para respirar de alívio, confirmando que a desgraça própria não era tão grave como a alheia, leva-me a efectuar um paralelismo entre as reuniões do eurogrupo, e um jardim infantil, ou como se diz em terras germânicas - o Kindergarten. Administrado por um reitor autero e severo, Wolfgang Shauble, este Kindergarten europeu tem nos alunos do sul os elementos desestabilizadores da turma, cabendo à professora Merkel o papel de os colocar na linha, seguindo as orientações ditadas pelo reitor. O problema foi a chegada do novo aluno grego, que parece não querer obedecer, nem quando colocado sob ameaça do castigo de ficar sem hora do recreio. Desde que chegou, a sua postura foi imediatamente denunciada pelo choninhas do grupo, o aluno português, que não se conteve na hora de fazer queixa à professora. Quanto a mim, estou do lado do grego... nunca gostei de tipos que acusam o parceiro do lado...

delirium Tremens

por António Simões, em 18.07.14

Apesar de ainda ser matéria controversa, o facto é que o síndrome de abstinência de futebol faz-se sentir por todo o planeta, não escolhendo género ou raça. Terminado que esta o mundial de futebol, eu próprio precisei de alguns dias para encarar o mundo novamente com alegria. Durante um mês habituam o pessoal a três jogos por dia, e apesar do desmame gradual a partir do momento em que termina a fase de grupos, o certo é que ainda é necessário um tratamento adicional para encarar a dura realidade com o fim desta competição. O mundial de 2014 certamente que ficará para a história com a maior vingança de sempre, ministrada pela Holanda à Espanha, com a humilhação da equipa da casa frente ao vencedores, por uns escandalosos 7-1, por jogos equilibrados sem chegar ao nível de desafios memoráveis, e, acima de tudo, por um vencedor justíssimo. A Mannschaft goleou com 4 golos sem resposta Portugal, equipa do detentor da bola de ouro, eliminou a França, equipa que apesar da controversa presença fez um brilhante campeonato, deixou o povo Brasileiro à beira de um ataque de nervos, e na final impediu à Argentina a vingança, e não permitiu que Lionel Messi inscrevesse o seu nome na galeria dos imortais. Em conclusão fico com as palavras do capitão Philipp Lahm, quando disse que podem não ter os melhores jogadores do mundo, mas sem dúvida alguma que são a melhor equipa.

a Caminhada

por António Simões, em 11.07.14

A progressiva caminhada rumo à destruição da mente humana continua imparável, de vento em popa a sulcar as águas onde, mais dia menos dia, o barco que ainda mantém a salvo a sociabilização inteligente acabará por naufragar. Exemplos disso mesmo seria difícil enumerar, e ainda mais impossível estabelecer uma escala de comparação para analisar o aumento exponencial da estupidez que inunda o dia-a-dia do Homo cada vez menos sapiens. Ainda assim, e porque o Mundial de Futebol ainda não terminou, será útil analisar os dados estatísticos sobre o número de tuites (ou deveria dizer twits) que foram lançados no ciberespaço internético durante o desafio entre a Alemanha e o Brasil. O número é de tal modo estapafurdiamente grande que, e tendo em conta os 4 golos marcados no espaço de 6 minutos, me atreveria a dizer que o pessoal que esteve empenhado na tarefa de anunciar aquilo que nesses momentos lhe vinha na alma, teve necessariamente que perder um ou mais golos, entre o momento de ver um e proceder à respectiva exteriorização informática daquilo que lhe corria nas sinapses cerebrais. No que a mim me diz respeito, tenho duas formas de ver a bola - sozinho ou acompanhado. No primeiro caso, reservo os comentários para mais tarde, em tertúlia futebolística. No segundo caso, estando acompanhado de uns amigos, umas loiras fresquinhas e tremoços salgadinhos, os comentários são exteriorizados, mas de forma verbal, podendo assim continuar a deleitar-me com o desafio, não tirando os olhos do écran para olhar para um insípido teclado deixando um ainda mais insípido comentário, evitando desse modo que o mesmo caia em saco roto... enfim, tal como nem tudo o que reluz é ouro, nem todo o progresso o é...

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