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E porque não eu?

terapia de reflexão para mentes livres e com paciência, SA ou Lda não interessa, pelo menos pensar não paga impostos

E porque não eu?

assim foi Auschwitz

por António Simões, em 22.03.17

Este livro reúne textos e intervenções públicas de Primo Levi e de Leonardo de Benedetti, antigos prisioneiros do Campo de Extermínio de Auschwitz que tiveram a sorte que outros 6 milhões de judeus não conseguiram ter, que como forma de honrarem os que de lá não saíram para contar a história se encarregaram de deixar bem claro e vincado o seu testemunho, sendo este livro e o seu conteúdo um vivo exemplo disso mesmo. Para quem leu "Se isto é um homem" de Primo Levi neste livro não encontra o retrato frio e evidente das atrocidades que se cometeram nesses tempos de terror. Sendo intervenções manifestadas após o fim da guerra, os seus autores marcaram o seu tempo e não se esquivaram na hora de apontar o dedo, sempre com a preocupação latente de que o mundo não se esquecesse do que aconteceu, não só para servir de alerta para que algo de tão ignóbil volte a acontecer, mas também para dar voz a todas as almas inocentes que em Auschiwtz foram silenciadas.

o Veredicto

por António Simões, em 21.03.17

A receita tem exactamente os mesmos ingredientes, mas apesar do prato final ser bastante diferente o sabor é em tudo semelhante. Neste segundo livro que leio de Michael Connelly cimentei a ideia com que fiquei do primeiro, um autor que sem dúvida alguma tem o talento necessário para escrever policiais, com um conhecimento muito aprofundado do meio jurídico estado-unidense, que agarra desde as primeiras linhas o interesse do leitor, como se o próprio fizesse parte do jurado encarregue de atribuir um veredicto final.

ora, como eu Dizia...

por António Simões, em 09.02.17

Este livro poderá ser catalogado de biografia, como o próprio John Cleese a páginas tantas parece sugerir. No entanto, depois de o ler, acho que o livro é uma espécie de guião, algo que o antigo membro dos Monty Python é fenomenal no que à comédia diz respeito. Digo guião porque desde o início, descrevendo a sua infância e o seu meio ambiente, John Cleese mostra como é possível com um pouco de inteligência misturada com a coragem de quebrar o socialmente estabelecido se é capaz de tudo. Seja o facto de deixar uma carreira nas ciências ou na política pela incerteza de uma carreira no mundo do espectáculo, seja pelo facto de romper com a tradição e apresentar "algo completamente novo". Um livro excelente, que sugiro vivamente mas com a recomendação de ter muito cuidado, caso o leitor não queira terminar como os leitores da "piada mais engraçada do mundo"...

N.R. caso não tenha percebido a última parte, coloque a frase entre " no youtube...

o labirinto dos Espíritos

por António Simões, em 16.01.17

Ontem terminei a leitura do último livro de Carlos Ruiz Zafon. "O labirinto dos espíritos" é o quarto livro que conduz o leitor pelo mundo dos livros, da leitura, da escrita, do romance, do suspense e da história que tem como figuras principais uma família de livreiros, devidamente acompanhada por Fermín Romero de Torres, figura de proezas inesgotáveis, de um léxico sem fim, com uma capacidade fora do normal de provocar rios de lágrimas que acompanham ataques de riso quase patológicos, com os seus monólogos de argumentação fora do alcance do mais letrado dos mortais. Zafon serve-se da família Sempere para construir um mundo de emoções, que me cativou desde as primeiras linhas quando em Abril de 2009 li "A sombra do vento". O que escrevo acerca da minha opinião para este livro serve para qualquer um dos restantes, pois cada um por si, e todos no conjunto, são obras simplesmente fantásticas, onde cada frase é pensada com a mestria só possível a quem domina o dom da palavra, conduzidas por um pensamento que torna um vasto enredo numa estrada de sentido único onde é impossível que o leitor se perca, com direito às mais variadas paragens que vão desde o mistério à comédia, do drama ao amor, sentimentos subtilmente servidos com uma intensidade brutal, fruto de um processo de escrita que desde a primeira palavra é um tributo aos escritores, ao leitores, à literatura e acima de tudo ao livros, objecto único e insubstituível que une quem escreve e quem lê.

homens Bons

por António Simões, em 01.12.16

Raiano como sou, cada vez entendo menos expressão "de Espanha nem bom vento, nem bom casamento" que durante toda a minha vida ouvi repetidas vezes. Poderia citar um sem fim de coisas, matérias e assuntos que temos a sorte de facilmente alcançar por partilharmos a península ibérica com o reino de castela. No entanto, e porque este post trata do último livro de Arturo Pérez-Reverte, apenas aponto como exemplo a literatura moderna que se faz em Espanha, e que é do melhor que se pode encontrar numa livraria. Este autor, que se repete em vários livros que repousam serenamente na minha estante, surpreende sempre pela capacidade de se modificar, pela facilidade com que aborda os mais variados temas, sob os mais variados pontos de vista. Este livro foi o melhor que li dele. Tal facto poderia prender-se apenas pela história de dois homens, dois académicos que empreendem uma viagem à França para adquirir uma enciclopédia, numa jornada onde a vontade do conhecimento pretende subjugar todo um povo que teima em sair da idade média. Polvilhada com as vicissitudes de um percurso de tal dimensão realizado em pleno século XVIII, o enredo é por si só de prender a atenção do leitor. Mas Arturo Pérez-Reverte não se ficou por aí. Tratando-se de uma busca do conhecimento na verdade dos livros, o escritor espanhol pontua a história com pequenos pedaços do seu dia-a-dia, abrindo o jogo de como se escreve um livro em todas as suas formas: a ideia, a idealização do enredo, a documentação, as sugestões, as correcções, e todas as tarefas que se congregam no resultado final - as páginas que ficam ao serviço do leitor. Eu como leitor, e como apaixonado pelos livros só tenho que agradecer e prestar a minha singela homenagem a Arturo Pérez-Reverte por ter escrito um tão magnífico livro, que homenageia de forma ímpar esse que foi, é, e continuará a ser o alicerce da sociedade.

o silêncio do Mar

por António Simões, em 24.10.16

Depois de anos em que da Islândia apenas conhecia um dos meus grupos de música favorito, veio o europeu de futebol e verifiquei que para além do bom gosto dos Sigur Rós aquele país também dá uns toques de bola. Agora, depois de ler este livro da escritora islandesa Yrsa Sigurdardóttir, descobri que para além das cinzas vulcânicas que por vezes sopram dessa ilha também podem surgir ventos que nos brindam com uma agradável brisa de boa leitura. Com chegada a Reykjavík, o livro traz uma história que começa de forma sinistra, para depois partir na procura de uma explicação com partida de Lisboa, numa viagem que a princípio parecia ser do tipo cruzeiro, e que se transformou em algo cujo adjectivo deve ser classificado por quem quiser apreciar esta obra, num clima de intriga aclimatado pelo silêncio do mar.

os deuses da Culpa

por António Simões, em 17.09.16

Nem sempre consigo chegar ao fundo do baú dos livros por ler. Umas vezes aproveitam-se promoções, outras vezes são oferecidos, ou então surge uma novidade que não se pode deixar de lado, o certo é que normalmente tenho sempre algo por ler. No entanto, sempre que leio o último livro é com um prazer redobrado que entro numa livraria, na busca do próximo companheiro da mesa de cabeceira. Essa procura é sempre diferente, pois se umas vezes procuro algo sobre uma temática que me interessa no momento, outras há em que vou completamente aberto a novas experiências. Foi com este espírito que descobri este livro de Michael Connelly, que prende a atenção do leitor da primeira à última página, num registo policial apimentado pela magnitude dos julgamentos à moda dos EUA. Deixo a sugestão para a leitura deste livro, e a promessa que voltarei novamente a uma outra obra sua, pois esta deixou uma impressão excelente.

ardenas 1944

por António Simões, em 25.07.16

Se algum dia o leitor tiver necessidade de saber mais sobre a 2ª Guerra Mundial, no lugar de procurar uma enciclopédia sugiro que leia qualquer um dos livros de Antony Beevor, não só porque lá encontra tudo, mas acima de tudo porque o encontra escrito de um modo fácil de entender e, melhor que tudo, verdadeiramente cativante. O autor de mais uma brilhante obra sobre o maior conflito bélico da história da humanidade, conduz o leitor neste livro pelos meandros da batalha que conduziu ao estertor da frente ocidental. No seguimento da sua obra sobre o dia D, Antony Beevor revela de forma minunciosa todas as movimentações que fizeram da batalha nas Ardenas uma das mais importantes dos sete anos que este conflito durou.

a rapariga apanhada na teia de Aranha

por António Simões, em 24.07.16

Saudade… é com esse sentimento apenas entendido e interiorizado por tugas de nascença, que regresso ao meu apartamento de pensamentos no espaço internetico. A ausência estabelecida nestes quatro meses justifica-se recorrendo a um verso do Luís mais importante da historia desta horta à beira mar plantada, pois “valor mais alto se levanta”. Assim, com as devidas desculpas pedidas para quem sentiu falta, começo por falar do ultimo livro que li. “A rapariga apanhada na teia de aranha”, obra de David Lagercrantz, que dando seguimento a trilogia criada por Stieg Larson respeita totalmente a memória do falecido escritor, na medida em que segue a mesma linha de enredo policial. Diferente é sem duvida alguma a escrita, sendo esta um incremento qualitativo para descrever a atribulada vida de Elisabeth Salader. Neste livro o fenómeno que George Orwell preconizou para 1984 fica exposto a nu na actualidade, com alguns anos de atraso mas ainda a tempo de identificar os culpados e, pior que tudo, evidenciando a frivolidade da nossa vida actual pela facilidade em que hoje expomos a soberania individual de cada um, com os riscos subjacentes que disso mesmo decorrem.

os anagramas de Varsóvia

por António Simões, em 08.02.16

Sendo uma das minhas temáticas favoritas, a fasquia encontrava-se bastante alta à partida para as primeiras páginas. Com o gueto de Varsóvia como pano de fundo e um clima de thriller à mistura, Richard Zimler prendeu a minha atenção logo desde o início, e fossem outros os tempos, onde tinha tempo para fazer coisas que levam o seu tempo, a leitura deste livro poderia ter batido recordes de velocidade. A personagem principal guia o leitor pelo desenvolvimento dos acontecimentos, mostrando uma complexidade que se manifesta no complexo modo de referência às coisas recorrendo aos anagramas e segundos sentidos, mas também porque se mostra rica em manifestações de tristeza e alegria, marasmo e humor. É assim deste modo que um dos mais cruéis aprisionamentos de seres humanos da história é apresentado, pela convivência com o dia-a-dia de pessoas que tal como Erik Cohen se limitavam a acordar no dia seguinte, sabendo que poderiam muito bem não chegar a ver o próximo. O velho psiquiatra Judeu encarna todo um estereótipo mimetizado pela forma brutal como vê o seu sobrinho-neto partir, ou pela exaustão do sofrimento que faz a sua sobrinha sucumbir, sobrando-lhe ainda forças para encontrar o norte da sua razão de existir, sentido que lhe garante uma sobrevivência que não se esgota na componente física, mas transcende para a mente das pessoas que não podem ficar indiferentes perante uma história que não é ficção. A 2ª Guerra Mundial existiu, os campos de concentração foram uma realidade, os muros que delimitavam os contornos dos Guetos forma edificados, e cerca de 6 milhões de Judeus não puderam comemorar o dia da Vitória na Europa, a 8 de Maio de 1945. Obras como esta servem para não esquecer os actos mais bárbaros, inverosímeis e ignóbeis que o homem é capaz, e desde essa data que outras vitórias se comemoraram, mas infelizmente ainda existem muitas outras para alcançar.

1975 o ano do furacão Revolucionário

por António Simões, em 06.12.15

Este ano virei as agulhas literárias para longe dos romances, e este livro faz parte de um conjunto de assuntos sobre os quais tinha uma enorme vontade de descobrir aquilo que a escola não nos ensina. O ensino da história que era leccionado no meu tempo, tinha uma falha tremenda ao nível da parte contemporânea desta grande nação, e tudo o que diz respeito ao 25 de Abril quase se resumia a um cravo na ponta de uma espingarda. Se a Revolução dos Cravos era descurada na matéria, julgo que do PREC apenas era ensinado o que significava a abreviatura. Este livro que foi escrito por João Céu e Silva, reúne os testemunhos da imprensa ao longo do ano de 1975, bem como entrevistas a actores que desempenharam papeis de relevo, no ano em que a revolução ia amadurecendo em demasia com o risco iminente de apodrecer. Para quem como eu sabia muito pouco desse ano de "Verão Quente", este livro é uma grande ajuda. Para aguçar apenas um pouco a curiosidade, retiro a seguinte intervenção:

"Por nossa vontade os comunistas não teriam entrado no Governo, pois o PCP é antidemocrático e antiportuguês. Devemos afirmá-lo sem ambiguidades, sem equívocos nem oportunismos, e é preciso que o PS defina abertamente a sua posição perante aquele partido"

A oratória é de Sá Carneiro, num comício em Braga, mas poderia muito bem ser confundida com uma intervenção de um PPCoelho ou PPortas qualquer...

até amanhã Camaradas

por António Simões, em 12.10.15

Calhou de iniciar a leitura desta obra em alturas de calor, com os dias cheios de actividade por onde distribuir o tempo ocioso, motivo pelo qual a mesma acabou por se alongar e terminar apenas no dia de hoje. É impossível a leitura deste livro não se misturar com a imagem de Álvaro Cunhal, e imaginar que a mão que o escreveu transmitiu para o papel toda uma história de vida, uma vida de luta, resistência e resiliência. No entanto "Até amanhã Camaradas" não poderá ser confundido com uma espécie de ensaio auto-biográfico, pois é muito mais do que isso. É um registo histórico de um movimento e de um partido, que desde os primeiros tempos da luta anti-fascista tomou as rédeas da resistência, mas também é ao mesmo tempo uma homenagem a todos os Camaradas que activamente participaram, do mais pequeno funcionário, aos quadros mais íntimos do comité central. Terminei a leitura deste belo livro num momento em que a brisa das ultimas eleições ainda corre pelos corredores do poder, brisa essa que agita a bandeira da foice e do martelo como à muito tempo não se via...

o minotauro Global

por António Simões, em 22.07.15

Sendo Grego, a alegoria escolhida para ilustrar a sua teoria não poderia ter sido outra, assim como não poderia ter sido melhor, face ao exposto neste livro. Com este recurso pescado da mitologia da Grécia antiga, Yanis Varoufakis tece uma teoria que não só concordo a 100% como, e aqui peço desde já desculpa pela falta de modéstia, defendo desde o momento em que a minha curiosidade sobre a 2ª guerra mundial me levou a ler livros como o de Gore Vidal "A Idade do Ouro". Claro está que aquilo que eu defendo é apenas argumentado de uma forma tão superficial, que quando comparado com o que li neste livro é como se comparasse o volume de água de um riacho, com o volume de água do Oceano pacífico. Sendo escrita para leigos, o escritor não pode fugir sempre que necessário aos termos técnicos, mas nessas alturas lança uma bóia de salvação para socorrer o leitor menos lesto em assuntos económicos. Varoufakis muito mais que explicar a crise, explica toda a sua longa trajectória, ficando no final uma certeza: que no final das contas, quem está a pagar as contas da "crise" são aqueles que menos contribuíram para que ela acontecesse, e os seus responsáveis são hoje em dia os grandes beneficiários das políticas de austeridade que minam as identidades nacionais, destroem anos e legados de história, e fazem deste mundo um sítio cada vez mais desigual.

quando lisboa Tremeu

por António Simões, em 07.07.15

Este título poderia sugerir um artigo sobre futebol, mas não... É sobre o livro de Domingos Amaral acerca do terramoto de 1 de Novembro de 1755. Acompanhando acção de vários personagens, o escritor produz um enredo interessante, principalmente no modo como acabam por se cruzarem caminhos tão diferentes. Pelo meio, o objectivo inteirar o leitor com o dia em que a capital do reino sucumbiu em ruínas é amplamente alcançado. Devido ao facto de escolher personagens de diferentes estratos sociais, o retrato do abalo é realizado de um modo completo, que transporta o leitor para a forma como ricos e pobres sentiram a terra a tremer, e para o modo como os sobreviventes viveram os primeiros dias depois da desgraça.

a paixão de Senna

por António Simões, em 10.05.15

Não vivi o primeiro campeonato, e do segundo tenho apenas vagas recordações, mas as corridas do mundial de Formula 1 de 1991 foram atentamente assistidas por um pequenito de 12 anos, que até pediu ao pai para estar acordado a horas impróprias para quem trabalha, de forma a gravar o GP de Suzuka, em VHS, numa época em que as gravações automáticas não existiam. Lembro-me de acordar numa manhã de domingo, e ainda a esfregar os olhos para afugentar o sono perguntar se o meu piloto preferido tinha ganho. Não ganhou, mas sagrou-se pela terceira vez Campeão do Mundo de Formula 1. Ainda recordo que mesmo sabendo do fim, vibrei com a saída de pista prematura de Nigel Mansell, e ansiei pelo final da corrida, liderada por Ayrton Senna da Silva, posição aliás normal para o piloto que encarava o desporto como ele deve ser encarado, competindo, apenas deixando passar na recta final o seu amigo e companheiro de equipa Gerhard Berger, como forma de agradecer todo um trabalho conjunto de uma época desgastante. Nos dois anos que se seguiram, tornei-me um ainda mais fervoroso adepto da Formula 1, ficando no entanto desapontado e triste com os resultados conseguidos por Senna, longe daquilo que ele merecia, sem mais poder fazer face ao poderio dominante que a equipa da Williams entretanto alcançou. Foi por isso mesmo, com esperança que a magia de Ayrton regressa-se de forma avassaladora à Formula 1, que o ano de 1994 se apresentava favorável para os ventos empurrarem Senna rumo ao quarto título mundial. O destino tinha no entanto outro programa, e no lugar de permitir que Senna entrasse para a eternidade com os recordes que tinha e que teria pela frente, fez com que essa entrada estivesse garantida pelo que fez até ao momento em que embateu a mais de 300 Km/h deixando órfãos milhões de fãs pelo mundo inteiro, que desde o dia 1 de Maio de 1994 não se cansam de ler livros, ver vídeos, ou sorver documentários acerca do melhor piloto de Formula 1 de todos os tempos. Imola foi o seu último grande prémio como piloto. Foi o meu último grande prémio como adepto.

Por tudo isto, e por já se terem passado mais de 20 anos desde esse dia, em que Telejornal abriu com imagens de Senna acompanhadas pela musica dos Queen "We are de champions", adorei este livro de Rui Pelejão, por me ajudar a recordar momentos míticos que presenciei, e por me transportar para muitos outros que não os tendo vivido, ao ler, foi como se o tivesse feito.

como funciona a Google

por António Simões, em 26.04.15

Escrito por quem está na alta esfera dos comandos desta empresa, este livro é mais do que tudo um manual de gestão dos tempos actuais, que rompe na grande parte do seu conteúdo com os manuais da velha escola. Engana-se o leitor se pensa que eles descrevem apenas o ambiente de trabalho que existe na Google, do modo como mais mediaticamente ele é conhecido, onde os seus trabalhadores podem levar o cão, jogar bilhar, passear de bicicleta ou outro tipo destas tarefas laboriosamente cansativas. De facto fazem-no apenas para contextualizar o porquê dessas condições, onde tudo é pensado no sentido da inovação, e onde a palavra trabalho não é sinónimo daquilo que muitos o consideram. Nesta empresa o funcionário é peça central, e todas as peças se completam para construir um dos modelos de sucesso do século XXI, responsável por tanto, tal como ter o nome incluído no dicionário, usando-se hoje em dia a palavra googlar, como antigamente se dizia pesquisar. Para mim este livro veio completar outro que já aqui descrevi, a biografia de Steve Jobs. Os conceitos Apple e Google, são como o símbolo Yin-Yang, que segundo o Taoísmo expõem a dualidade de tudo que existe no universo. De facto, cada qual com a sua abordagem perante o utilizador, conseguem chegar a resultados incríveis. A Apple com o seu "controlo" da experiência do utilizador, e a Google com total liberdade no seu funcionamento, são exemplos chave do nosso paradigma temporal, o tempo da civilização da tecnologia.

sniper Americano

por António Simões, em 23.04.15

A curiosidade despertou pelo simples facto de ser escrito na primeira pessoa, pela mão de um homem que esteve no centro da guerra. Chris Kyle despachou (palavras do próprio) um sem fim de selvagens (novamente palavras do próprio) como até então nenhum outro soldado americano o tinha feito (excluindo os tipo que pressionaram o botão para largar as bombas atómicas, claro está...). Tinha curiosidade por saber como foi a guerra do Iraque, vista pelos olhos de quem mais esteve no centro da acção, e daí dissipar as minhas dúvidas. Confirmei as expectativas. Se a primeira intervenção americana foi como foi, a segunda foi como um jogo de xadrez, em que um dos lados conta com as peças todas, e o outro só dispõem de peões para defender o Rei. Não tecerei qualquer comentário à pessoa que escreveu o livro, até porque já cá não se encontra para se defender, mas apenas digo que não é normal colocar a sua lista de prioridades na sequência Deus, Pátria, Família. Salvo claro está, se essa pessoa for habitante dos EUA. O livro serviu assim para também confirmar o americano típico, defensor da pátria, que considera normal ensinar desde pequeno (2 anos) a manusear armas de fogo. Clint Eastwood diz na capa do livro que "Chris Kyle" conta a sua história com a mesma garra e coragem que demonstrou na vida e no campo de batalha. Uma leitura empolgante". Concordo, mas acrescento que no final, existem dois tipos de leitores: os que se identificam, e os que não se identificam com os valores estabelecidos. Eu pertenço ao segundo grupo.

céu de Chumbo

por António Simões, em 21.04.15

A temática prometia, pois um suposto thriller desenvolvia-se tendo como cenário a II Guerra Mundial, na altura da retaliação russa, depois do avanço máximo conseguido pela Wehrmacht ter parado às portas de Estalinegrado. Mais ainda condimentava o interesse pelo livro o simples facto de se basear em factos históricos. Eu, apreciador de tudo o que esteja relacionado com o maior conflito mundial da história, depositei uma grande expectativa quando comecei a ler o livro. Logo desde o início fiquei defraudado. Contra os comentários que li, o livro é aborrecido, de thriller não tem nada, tornando-se a leitura apenas obrigatória porque, salvo duas raríssimas excepções, tenho como meta ler qualquer livro até ao fim. Ben Pastor que me desculpe, mas não, muito obrigado.

a livraria noite do senhor Penumbra

por António Simões, em 19.04.15

Por vezes, embora sendo raras, as sugestões que os sites de livros ou o "livro da semana" indicam ao leitor, tornam-se agradáveis surpresas. Foi o caso deste livro. No desconhecimento completo de qualquer obra de Robin Sloan, a surpresa não poderia ter sido melhor com este livro de leitura fluida, que mergulha o leitor no mundo das bibliotecas e o gosto pelos livros, e por tudo aquilo que eles representam. Escrito de um modo que eu diria actual, numa espécie de introspecção da personagem principal, o leitor entra na mente de um jovem desempregado vítima da crise, que descobre um mundo totalmente novo quando arranja um emprego nocturno numa, imagine-se, livraria. O resto é uma mistura entre o mundo dos computadores que choca com o mundo dos livros, onde existe espaço para ambos, de tal modo que muito possivelmente um não existiria sem o outro.

steve Jobs

por António Simões, em 16.04.15

Tendo em conta que é uma Biografia, seria redundante falar acerca do seu conteúdo, pelo que o único que se pode dizer desta obra de Walter Isaacson é que foi escrita de uma forma isenta, conduzindo o leitor pela vida de uma das personalidades mais marcantes da nossa era, deixando ao critério de quem lê elaborar a sua própria opinião. O modo extraordinário como este livro foi escrito, está irmanado com a pessoa nele retratada, um génio do seu tempo e muito possivelmente dos tempos que se seguem, um visionário que mudou o mundo e o modo de vida dos milhões de habitantes desta bola azul do cosmos. A vida de Steve Jobs não pode deixar ninguém indiferente, pois se não fosse apenas por tudo aquilo que criou, ou modificou, é sem dúvida alguma por um modo de estar irrequieto, típico daquelas pessoas que são verdadeiramente capazes de mudar o mundo, tal como é postulado no slogan que marcou, e marca a firma Apple: "Isto é para os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. As peças redondas nos buracos quadrados. Os que vêem as coisas de forma diferente. Eles não gostam de regras. E eles não têm nenhum respeito pelo status quo. Você pode citá-los, discorda-los, glorificá-los ou difamá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignora-los. Porque eles mudam as coisas. Eles empurram a raça humana para frente. Enquanto alguns os vêem como loucos, nós vemos génios. Porque as pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo, são as que de fato, mudam"

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