Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

E porque não eu?

terapia de reflexão para mentes livres e com paciência, SA ou Lda não interessa, pelo menos pensar não paga impostos

E porque não eu?

o fim de um Século

por António Simões, em 28.11.16

Quando termina um século, e quando começa outro? Esta questão é meramente retórica, pois a matemática da cronologia e o ritmo inexorável do tempo respondem por si só. No entanto, nunca como agora uma questão tão simples como esta teve tanta importância. A existência humana sempre assistiu a mudanças, por vezes com a forma de atropelos ao desenvolvimento como foram os casos das invasões bárbaras, a idade média ou as grandes guerras mundiais. Não digo que neste momento esteja à porta algo de tal dimensão e magnitude, porque aí estaria eu mesmo a ser ainda mais velho que o velho do Restelo. Contudo, desde que o Renascimento despertou a humanidade para a luz do dia o caminho foi progressivamente no sentido de melhorar as condições de vida, juntamente com uma consciencialização do papel do homem no mundo, matérias assentes numa perspectiva de harmonizar a vida em sociedade. O século XX foi uma espécie de culminar de todo este processo, e se por um lado tem o lado negro das guerras mais sangrentas da história da humanidade, por outro lado deixa a sua marca na história com o fim da escravatura, a luta pelos direitos das mulheres, e a morte dos regimes despóticos colonialistas. O século XX já terminou hà 16 anos de forma oficial, mas continua a definhar com a morte daqueles que o marcaram, e que desempenharam papeis de relevo na construção da sua história. A morte dessas pessoas deixa necessariamente um vazio pelo simples facto do seu desaparecimento, sentimento agravado quando se olha para o que temos hoje em dia, ou daquilo que poderemos esperar para o futuro que, temo muito, não augura nada de bom. A crise de refugiados, o crescimento dos movimentos de extrema-direita, e situações inverossímeis como ainda agora se viu nos E.U.A., falam por mim e provam que não sou um velho do restelo, mas sim uma pessoa consciente que o sumo das personalidades que marcaram o século está paulatinamente a secar, e a vitamina que o planeta precisa escasseia cada vez que desaparece um desses vultos e marcos da história, sem que se encontre similar ou genérico à altura das necessidades. Hasta la vitória siempre...

imaginação Legisladora

por António Simões, em 24.11.16

O mundo tal e qual como o conhecemos pode ter muitos defeitos, mas sem dúvida alguma que dessa lista não faz parte a lei. As constituições e as leis são feitas para que a sociedade possa viver em sociedade, comungando o respeito de uns pelos outros doutrinado pelos mesmos livros orientadores, onde sempre que é necessário se efectuam as devidas correcções. Neste campo, os legisladores assumem um papel de enorme importância, como forma de adaptar as leis à evolução dos tempos, sempre com o olhar atento dos constitucionalistas que velam pelo cumprimento dos desígnios fundamentais. Mas sendo as leis feitas pelos homens as mesmas não escapam ao paradigma inalienável da condição humana - errar - e já no tempo dos romanos se dizia que "errare humanum est". Pelas notícias de ontem tive conhecimento de uma lei que obriga ao pagamento de estudos, pareceres e taxas, a todas as pessoas que tenham uma saída de garagem para uma estrada nacional. Fiquei verdadeiramente surpreendido com a imaginação do legislador para uma iniciativa deste calibre! Não que esteja contra o facto da lei em si, pois maneiras díspares, inusitadas e desavergonhadas não faltam para ir ao bolso do contribuinte na hora da colecta. O que é revoltante é que se está a esquecer da parte mais importante - a segurança - pois qualquer acesso para uma estrada nacional deverá ser sempre questionado sob esse ponto de vista. De facto, o estado é o primeiro a prevaricar, e aqui pelas minhas bandas não faltam atropelos à segurança rodoviária, seja por casos como este que pretende ser tributado, seja por situações várias muito piores na forma de aberturas para pseudo-cruzamentos de estradas secundárias, sem qualquer sinalização horizontal. A quem faz as leis aceita-se a imaginação, desde que coloque sempre os bois à frente da carroça, e não ao contrário, como este caso é disso mesmo um bom exemplo...

telhados de Vidro

por António Simões, em 18.11.16

O prestígio de gerir o maior banco da tugalândia, o pilar de todo o sistema bancário e financeiro desta horta à beira mar plantada, não parece ser suficiente para algumas pessoas, pelo menos para aquelas que estão na linha de partida para ocupar os gabinetes maiores da Avenida João XXI. A novela acerca da declaração de património já fez correr demasiada tinta e ocupar demasiado tempo dos noticiários, e pelo andar da carruagem o assunto está longe de ficar esgotado. Só a paciência dos tugas é que não se esgota. Como sempre assiste-se a tudo de forma serena (razão tinha Pinheiro de Azevedo), mesmo estando à porta de um imbróglio onde se coloca em causa a gestão de um órgão de vital importância para o país. E tudo isto porque suas excelências não consideram positivo a apresentação da dita declaração. O povo para além de sereno também é sábio e costuma dizer que "quem não deve não teme", mas pelos vistos, e uma vez que estamos a falar de património, acho que estamos mais perante um caso de candidatos a gestores com "telhados de vidro"...

alimentar Pançudos

por António Simões, em 13.11.16

Noticia-se no telejornal que "O Presidente da República deu um jantar". Espanto! No entanto não julgue o leitor que irei fazer qualquer reparo do ponto de vista jornalístico, uma vez que neste meu pequeno recanto já me alonguei nas críticas ao jornalismo de sarjeta que se pratica aqui pela tugalândia, e seria fastidioso voltar a carregar na mesma tecla. O meu espanto espalha-se desde esta notícia para todas as outras em que situações similares se verifiquem no dia-a-dia de cargos importantes ao serviço da nação, no desígnio da governação desta horta à beira mar plantada. Ora estando a falar de governação, não me parece de todo um bom exemplo para os contribuintes andar a gastar o dinheiro que ao fisco tanto lhe custa a juntar, e que tanta falta fazia a esses membros da sociedade que apenas se limitam a contribuir. Por isso mesmo, seja o Presidente da República ou outro elemento qualquer, se quiser dar jantares sugiro que passe a usar o seu subsídio de alimentação, porque isto de andar a alimentar pançudos não dá com nada, ainda mais aqueles que não foram convidados pelo voto nas urnas.

before de Flood

por António Simões, em 01.11.16

A televisão pública teve a feliz ideia de passar em horário nobre, antes do conceituado programa prós e contras, um documentário de Leonardo DiCaprio intitulado "Before de Flood". Fátima Campos Ferreira ficaria assim com a missão bastante mais facilitada, mas mais não posso apurar pois do seu programa nada vi. Discutir os efeitos da actividade humana nas alterações climáticas é algo que me choca de tal forma, que só posso considerar uma verdadeira perda de tempo qualquer debate nesse campo. Poder-se-á debater só e apenas aquilo que está, ou melhor, ainda restará ao nosso alcance de evitar que esta bela bola azul não acabe como Marte. E seria precisamente esse 4º planeta que gravita à volta do sol um bom destino para enviar muita gente. Gente retratada nesse documentário que atira poeira para os olhos das pessoas, manipula a opinião pública e perverte as informações da comunidade cientifica que não se cansa de nos avisar, pelo menos desde que eu tenho memória. O resultado é o que todos conhecemos, e o pior é verificar que estamos muito longe do caminho certo. As eleições para eleger o Presidente do principal país poluidor do mundo estão à porta. Trump conseguiu recentemente um ligeiro alento dado pelas sondagens no estado da Florida, que o colocam à frente de Clinton. Florida, estado onde fica Miami, cidade frequentemente inundada e em ameaça permanente face ao aumento médio das águas do mar, tal como verifiquei nesse documentário de DiCaprio. Espero que ao contrário dos eleitores deste estado, todos os outros não metam água na hora de escolher o candidato certo, fazendo exactamente aquilo que é possível a todos fazer tal como sugerido na parte final de "Before de Flood", ou seja, escolher políticos com consciência ambiental. Trump dizia numa conferência "está um frio tremendo nesta sala. Onde está o aquecimento global quando faz falta". Pobre terra, e desgraçados dos terráqueos se existirem muitos como este.

poesia Orçamental

por António Simões, em 16.10.16

Sempre tive um grande problema com a disciplina e, por arrasto, com os professores de português. A minha capacidade limitada de interpretação dos textos nunca foi do agrado de nenhum, e a minha pouca disponibilidade para dar palha ou, por outras palavras mais educadas, para dar música, granjeou sempre muita pouca simpatia por parte do docente da disciplina. Estivesse em discussão uma estrofe de Camões, uma cantiga de escárnio e maldizer ou um excerto de "Os Maias", o conflito entre a minha redundância interpretativa e a capacidade esquisofrénica do professor e da maioria dos meus coleguinhas de turma para desenvolver as mais diversas teorias acerca daquilo que o escritor dizia nas entrelinhas do texto, foi batalha latente ao longo dos vários anos em que tive que levar com o ponto de vista que uns julgavam superior ao meu. Por isso mesmo que todos os anos não espero grande coisa da apresentação do Orçamento de Estado, e este último foi mais um bom exemplo de como o mesmo texto pode ser interpretado de maneiras diferentes, ficando sempre a dúvida sobre qual é o dono da razão. Tal como um poema, o OE para 2017 teve duas análises diametralmente opostas. Por um lado, temos a direita que defende o pleonasmo intrínseco do aumento da carga fiscal sobre os contribuintes. Do outro, temos a esquerda que garante a personificação da justiça social neste documento que repõe os direitos sobre a classe trabalhadora e o aumento das pensões. Ao meio está o sempre pau para toda a obra do contribuinte, que fiel à interpretação única e inalienável do pagamento dos impostos apenas se limita a cumprir o que os outros interpretam...

bomba Bombástica

por António Simões, em 12.10.16

O campeonato mundial da tecnologia de comunicações móveis tem vindo a ser alimentado por uma luta titânica, disputada essencialmente por duas empresas líderes de mercado, que ao longo dos últimos anos passaram da surpresa das inovações, ao inventar seja o que for para ter moral de colocar à venda um novo aparelho todos os anos, a um ritmo muito superior ao abate dos créditos bancários destinados à compra de modelos entretanto ultrapassados. Como seria de esperar esta escalada teria que ter ou um fim, ou uma mudança de sentido, situações que de um modo ou de outro foram identificadas pelas recentes explosões da última bomba (neste caso aplica-se o sentido literal) lançada pela Samsung. Os utilizadores já estão informados, as vendas foram suspensas, e os mercados bolsistas não tardarem em registar o síndrome de pânico inalienável neste tipo de situações. A Apple assiste a tudo de uma forma repousada no sofá, local donde não deve ter saído desde o desaparecimento de Steve Jobs. Este frenesim anual de ver quem é que tem o melhor smartphone foi no que deu, e no lugar deles temos este novo modelo de stupidphone, uma verdadeira bomba relógio (novamente o sentido literal é para ser respeitado) para o seu utilizador.

eleições ao Desafio

por António Simões, em 10.10.16

Decorreu nesta madrugada de Domingo o segundo debate presidencial para as eleições nos EUA. Seguindo um modelo que só mesmo poderia resultar num país como aquele, o debate fez-se num ambiente de descontracção onde os intervenientes dispunham de uma pequena mesa de apoio e um banco alto, de modelo semelhante ao que se usa no balcão de um café. Até aqui não há novidade alguma! O problema foi que este cenário associado à fraca qualidade dos participantes, muito impulsionada pelo candidato republicano, tornou aquilo que deveria ser um debate ao mais alto nível numa espécie de cantares ao desafio. Se Clinton acusava Trump daquilo que todos sabemos, Trump respondia com ameaças de investigação sobre o caso dos e-mails, caso venha a ser eleito presidente, e só faltou mesmo um acordeão para dar a este evento um colorido especial, bem disposto e ainda mais animado, de um típico arraial minhoto.

demência à Americana

por António Simões, em 08.10.16

Se até agora o ridículo já foi sobejamente ultrapassado, o inverossímil foi verificado por demasiadas vezes, e as barreiras da decência não foram obstáculo para a vergonha despudorada do candidato republicano Donald Trump, o que o seu último comício nos trouxe não será a gota de água que fez transbordar o copo, pois o mesmo já deita por fora à tanto tempo que mais parece as quedas de água do Niágara. Neste novo episódio, Trump diz "estou a brincar, mas quero mesmo dizê-lo: eu não quero saber o quão doentes estão, não quero saber se acabaram de chegar do médico e ele vos deu o pior diagnóstico possível, ou seja, 'acabou, não estarão por cá em duas semanas', não importa. Aguentem-se até 8 de novembro, saiam e vão votar. E aí, tudo o que vamos dizer é: 'amamos-vos e vamos recordar-vos para sempre'. Saiam e vão votar, e não deixem o outro lado [dos democratas] tirar-nos estas eleições, porque esta é a última hipótese que temos". Juntando estas declarações ao filme (quando digo filme é mesmo porque de facto não parece real) de todos os episódios que têm marcado as intervenções de Trump, e tendo em conta que algumas sondagens efectuadas recentemente chegam a colocar este ser vivo (falta ainda uma categoria taxonómica onde colocar Donald Trump) na frente das intenções de voto, só se pode chegar à conclusão de que Trump tem razão ao apelar ao voto do eleitorado doente, pois só mesmo um doente mental poderá votar nele sem ter a plena consciência do que está a fazer. 

o novo Secretário

por António Simões, em 07.10.16

A maratona terminou. António Guterres é novo Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, e chega ao cargo com um curriculum que parece traçado de antemão, revelando um sentido de orientação soberbo conduzido pela vontade de chegar mais longe em favor do próximo. Como disse num post anterior, o Engenheiro pertence a uma espécie de políticos em vias de extinção, indivíduos que moldaram as suas opiniões e a sua formação com alicerces fortes e firmes, revestidos pelo cimento do conhecimento e da escolha de opções com base nessas fundações, alheios ao populismo, ao facilitismo e à falta de argumentação que nos últimos anos passaram a ser as características principais da grande maioria dos abutres que sorvem a essência das democracias actuais. A vitória é de António Guterres, mas os ecos que ressoam pelo mundo inteiro enchem de orgulho todos os tugas, e pode ser que sirva como exemplo para mostrar que por vezes fazer as coisas certas compensa.

entrevistas Históricas

por António Simões, em 04.10.16

Jerusalém - 33 d.C. - Sem identificar culpa plausível, Pôncio Pilatos Prefeito da Província Romana da Basileia condena Jesus Cristo à Morte. Na entrevista após o julgamento, quando questionado acerca dos motivos que o levaram a tomar tal atitude, marcada pela cerimónia final do lavar das mãos, Pilatos considerou que não esteve em causa qualquer problemática relacionada com a religião.

Aljubarrota - 1385 d.C. - Suado e ensanguentado depois da refrega contra o invasor castelhano, o condestável D. Nuno Álvares Pereira afirma na flash interview que a batalha não aconteceu por qualquer motivo relacionado com a luta pela soberania, mas sim com o facto de ainda faltarem alguns séculos até que se invente o futebol para o pessoal passar o tempo sem andar à porra e à massa.

Lisboa - 2016 d.C. - Com as brancas mais viçosas do que nunca, fruto de um ano de governação à bolina da "geringonça" de esquerda, António Costa afirma numa entrevista concedida antes da entrega do Orçamento de Estado que "não há uma batalha ideológica" na questão do sigilo bancário, mas sim perspectivas diferentes de ver um mesmo problema, uma espécie de ver o copo meio cheio ou meio vazio.

Nota da Redação: qualquer confusão na realidade é pura coincidência.

250 dias de Graça

por António Simões, em 01.10.16

Não! Desde já o leitor tire o cavalinho da chuva se pensa que o título do post é uma iniciativa da "geringonça", para promover o alargamento do período de férias a esse número de dias. Os 250 dias referem-se ao período mais longo da história desta nossa jovem democracia, durante os quais a convivência entre Belém e S. Bento se fez de forma pacífica, estando as respectivas residências ocupadas por individualidades de quadrantes políticos opostos. O assunto prometia ser fracturante, e assim o foi. No quadrilátero temos a um canto António Costa, primeiro-ministro, a defender o fim do sigilo bancário para contas superiores a 50 mil euros. No lado oposto do ringue, o presidente Marcelo, a proteger os interesses do capital evitando com um terrível uppercut, perdão, veto presidencial, uma medida que colocaria as contas bancárias abonadas a descoberto dos terríveis e temíveis funcionários do fisco. As castanhas ainda não se vêm pela rua, mas a castanhada entre a direita presidencial e a esquerda governativa começou!

conselho de Estado

por António Simões, em 30.09.16

De acordo com o art.º3 do Regimento do Conselho de Estado, compete a este órgão:

  1. Pronunciar-se sobre a dissolução da Assembleia da República e dos órgãos das regiões autónomas;
  2. Pronunciar-se sobre a demissão do Governo, no caso previsto no n.º 2 do artigo 198.º. da Constituição;
  3. Pronunciar-se sobre a nomeação e a exoneração dos ministros da República para as regiões autónomas;
  4. Pronunciar-se sobre a declaração da guerra e a feitura da paz;
  5. Pronunciar-se sobre as propostas de alteração ou substituição do estatuto do território de Macau, nos termos do n.º 2 do artigo 296.º da Constituição;
  6. Aconselhar o Presidente da República no exercício das suas funções, quando este lho solicitar;
  7. Aprovar e modificar o seu Regimento, interpretar as suas disposições e integrar as suas lacunas;
  8. Praticar os atos previstos na Lei n.º 31/84, de 6 de Setembro, e aqueles que o são no presente Regimento.

Posto isto, e de acordo com as alíneas de a) a f), o Conselho de Estado é uma reunião em clima de cavaqueira na qual os seus 20 membros dão os seus bitaites acerca dos assuntos agendados. Claro está que esta reunião não fica de borla para os cofres do Estado, pois para convocar os seus 11 Doutores, 1 Juiz, 1 Engenheiro, 5 Professores Doutores, 1 General, e 1 Operário (obviamente a pessoa lançada pelo PCP, pelo lugar a que tem direito), as despesas de deslocação estão asseguradas, assim como o repasto no final da reunião. Pergunto-me então, que sentido tem a existência de um órgão que mais não é do que aquilo que o seu nome encerra - aconselhar o Presidente da República. Se elegemos uma pessoa para esse cargo, espera-se que a mesma faça aquilo que tem que fazer - presidir a república - e no caso de precisar de ajuda, conselhos ou ideias de outros, que as procure sem que para isso o erário público tenha que financiar, mais por que não seja a vergonha de não fazer o seu trabalho sozinho. Claro está que o leitor poderá perguntar o porquê de falar disto apenas hoje, mas se o faço, é porque acho que desta vez temos um Presidente que para além de pensar por si, fala tanto que duvido que os 20 membros tenham tempo de dizer seja o que for...

património Privado

por António Simões, em 29.09.16

Honestamente não sei qual o panorama da situação actual, de que modo funcionam e como é que são geridos os museus, castelos e demais marcos daquilo que os nossos antepassados nos deixaram, e que cabe à actualidade preservar de forma permanente. A memória histórica permite passar a mensagem entre gerações, marcando o ADN de um povo, respeitando a sequência dos nucleótidos da história que faz desta linda tugalândia um dos povos e nações mais importantes da história universal. Posto isto, é com alguma surpresa que vejo a possibilidade lançada por este governo em concessionar a privados um grande número de locais de interesse nacional. Tomei conhecimento desta iniciativa por uma notícia onde o PCP (uma das peças da "geringonça") se mostra totalmente contra a medida, pois ainda por cima um dos locais visados é a Fortaleza de Peniche, o local onde Cunhal foi preso pelo Estado Novo, prisão da qual o antigo dirigente comunista se evadiu numa fuga épica. Sendo socialista, é com alguma surpresa que vejo uma medida deste tipo ser lançada pelo actual executivo liderado por António Costa. O PS, pela sua missão política, pela sua história, e acima de tudo pela sua ideologia, não deve e não pode embarcar no caminho da privatização, mais ainda quando o que está em causa é o património cultural nacional, que em circunstância alguma deve ser entregue aos interesses sempre ímpios da propriedade privada.

donald e as Mulheres

por António Simões, em 28.09.16

A hora a que os candidatos a ocupar a cadeira da secretária Resolute debatiam os seus argumentos tornou impossível, à grande maioria dos habitantes desta parte do hemisfério ocidental, assistir em directo a um evento que à partida não traria nada de novo para moldar a opinião já formada acerca de cada um dos intervenientes. De um lado surgia Hillary Clinton, uma mulher que soube sair da sombra do marido, sem nunca ter deixado beliscar a sua imagem ao mesmo tempo que estoicamente protegeu o lar, entregando-se de corpo e alma aos ideais do partido que representa, e que na hora da derrota soube reconhecer qual o verdadeiro inimigo juntando-se sabiamente ao seu opositor interno e assim permitir que aquilo que seria impensável acontecesse - Barack Obama - em boa hora para os Estados Unidos e para o resto do mundo. Do outro lado aparecia Donald Trump, um magnata a tempo parcial e playboy a tempo inteiro, com um curriculum vitae que fala por si... a sua lista de conquistas é extensa, com a cantora Carla Bruni e a tenista Gabriela Sabatini pelo meio. Perante isto, Hillary não deveria ser uma "conquista" difícil, mas a imprensa foi unânime a identificar a candidata democrata como vencedora do debate. Volto a referir que não vi nem ouvi o debate, mas tal não seria preciso para ter a mesma opinião que a imprensa, pois basta recordar algumas frases de Donald Trump, acerca das mulheres:

“Não interessa os que os media dizem, desde que tenhas ao teu lado uma gaja nova e com um belo rabo”

“Se a Hillary Clinton não consegue satisfazer o marido, o que é que a faz achar que pode satisfazer a América?”

“Ao todo são 26 mil casos de assédio sexual não reportados e apenas 258 condenações. O que é que estes génios estavam à espera quando decidiram pôr homens e mulheres a trabalhar juntos?”

“Ela estava a deitar sangue dos olhos. Aliás, ela estava a deitar sangue de vários sítios, dava para ver que estava descontrolada”

“Mulheres, temos de tratá-las como se fossem merda”.

passos Out

por António Simões, em 22.09.16

Há mais de 100 anos atrás, Fernando Pessoa foi escolhido para produzir um Slogan para a firma "Coca-Cola Portugal". Desde então ficou celebrizada a frase "primeiro estranha-se, depois entranha-se". Por estes dias, PPCoelho protagonizou na mais recente polémica relacionada com o livro ainda não apresentado de José António Saraiva, uma inversão no sentido da célebre frase do Homem dos heterónimos, ou seja, primeiro entranhou (sem ter lido o teor da "obra") e disponibilizou-se para fazer as honras da apresentação, e só depois estranhou (não se sabe ainda se gostou ou não concordou com o conteúdo da "obra") e solicitou o cancelamento da sua participação. Ficam assim aqui demonstradas duas premissas essenciais: na literatura, o postulado de Pessoa para a Coca-Cola não se coaduna com a apreciação de uma obra literária; na vida, o exemplo de PPCoelho serve para demonstrar que por muito trabalho que dê, uma pessoa deve sempre ler, antes de assinar...

assim também Eu

por António Simões, em 19.09.16

Um arquitecto que virou jornalista para depois assumir cargos de direcção de jornais sensacionalistas, considerado pela opinião pública como um revolucionário do jornalismo tuga (que a meu ver mais não foi do que um dos deturpadores do sentido lato da função do jornalista), pincelando a função de escritor nos intervalos da sua azáfama diária, tem um novo livro. A apresentação ainda não ocorreu, mas desde que se marcou data para a mesma muita tinta já correu. Apadrinhada pelo anterior primeiro-ministro, que aceitou o convite sem ler o livro em causa numa espécie de cheque em branco passado ao autor de "Eu e os políticos", esta obra não promete ser polémica pelo simples facto que já o é. Chamar polémica, é usar um eufemismo injustificado para um livro que apenas é um testemunho na primeira pessoa de histórias de terceiras pessoas. Assim também eu escrevia livros! Razão tem Mario Vargas LLosa, quando refere em "A Civilização do Espectáculo" que hoje em dia as livrarias tornaram-se uma espécie de Mafia onde se decide quem se deve editar, e aquilo que querem que as pessoas leiam...

rating Sazonal

por António Simões, em 18.09.16

Apesar das alterações climáticas, as estações do ano ainda cumprem os requisitos mínimos que marcam a sua essência. Da primavera do nariz entupido pelo pólen das árvores, ao verão do escaldão à moda de camarão cozido, passando pelo outono da flatulência das castanhas, sobra o inverno das gripes e constipações. Algo de muito semelhante acontece no mundo capitalista actual, cuja sazonalidade não é marcada pelas rotas das andorinhas, do cheiro a bronzeador que paira no ar, ou dos lenços de papel que limpam a ranhoca, mas sim pelos governos que comandam os destinos da nação. Tal como o pólen que faz o nariz pingar, ou o escaldão que provoca uma coceira intensa, as agências de notação financeira desenvolveram uma alergia aos governos de esquerda, patologia agravada quando os mesmos passam da teoria da retórica do voto à prática da governação. Desde 2011 que não se ouvia falar da Mood'ys, da Standard and poor's ou da Fitch, confirmando a sazonalidade da actividade destas "organizações", pautada pela actividade de uma governação que procura repor os direitos daqueles que representam a força de trabalho de um país. A tugalândia volta então a ser classificada como lixo, certamente para os abutres que patrocinam estas agências, prontos para aumentar o volume das suas carteiras à conta do trabalho dos outros.

the terror of Silliness

por António Simões, em 09.09.16

A empresa criada por Mark Zuckerberg determina, e bem, que certos conteúdos não podem ser publicados. O lápis azul, que por vezes é necessário recuperar dos tempos mais antigos, é que nem sempre é utilizado da melhor forma possível, tal como ficou recentemente demonstrado. Uma publicação do escritor norueguês Tom Egeland, onde aparecia uma das fotografias de guerra mais icónicas da história (o leitor procure nas imagens do google "the terror of war"), foi censurada pela rede social do momento, por mostrar a nudez de uma menina de 9 anos. Se este caso fosse obra de um algoritmo qualquer elaborado pela mediocridade de um programa informático, até que se perdoava o caso. No entanto, tal não foi isso que aconteceu. A equipa que gere essa rede social pediu que a imagem fosse removida ou distorcida. Faltam-me os adjectivos para caracterizar pessoas que vêem motivos em remover uma foto que ilustra uma das guerras mais marcantes do século XX, ou que consideram viável que a mesma continue deste que seja distorcida, colocando talvez uma roupa nessa pobre criança que sem ela ficou depois de um bomboardeamento de napal a ter deixado assim...

um novo Eixo

por António Simões, em 28.07.16

O ritmo patológico desencadeado por um nicho particular do meio das tecnologias não para, e segue em frente rumo à alienação da inteligência humana. Não para e continua a surpreender pela forma como se apresenta das mais variadas maneiras, numa amálgama entre o estúpido, o inusitado e o inverosímil. O eixo formado pela internet, redes sociais e telefones inteligentes, lançou ainda à bem pouco tempo a sua mais recente bomba de fragmentação cerebral. O Pokémon Go já é um fenómeno à escala global, saltando da inocente serie televisiva destinada às crianças para o dia a dia de pequenos adultos. Que dizer acerca disto? Quando vejo pessoas pela rua na demanda de fantasmas que só não o são no dispositivo que levam na mão, e que os guia como se de uma bússola se tratasse, pergunto-me em que momento é que uma pessoa perde a noção do ridículo? E como se isto não bastasse para alertar, o caso chega mesmo a tomar contornos tais onde inclusivamente se coloca em risco a integridade física do Indiana Jones do Santo Pokémon. A patologia segue, é cada vez mais forte, e não estando a ser demagógico acho que já estivemos bem mais longe de nos tornar servos das máquinas.

Blogs Portugal

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Posts mais comentados

Tags

mais tags