cabeças Ocas
Um leitor da minha geração, ou de colheitas anteriores, com toda a certeza se lembrará do tempo em que para se ver um filme se usavam umas coisas de plástico com uma fita dentro, chamadas cassetes. Para o efeito, era necessário um reprodutor de vídeo que efectuava a leitura da informação através de um dispositivo electrónico. Na altura chamava-se a esse dispositivo a "cabeça", e quantas mais cabeças, melhor seria a leitura. Contudo, com o uso, era necessário proceder a uma limpeza das "cabeças", de forma a eliminar a sujidade que impedia o espectador de visualizar os seus vídeos em perfeitas condições. Em Santa Comba Dão, os habitantes parecem ter sido sujeitos a uma limpeza deste nível, só que neste caso, ficaram pior. De outro modo não se poderá compreender como se aceita que nessa pacata localidade, depois de se montar um museu em honra do único ditador da história tuga, se honre novamente a sua memória, patenteando a marca "Salazar". O primeiro projecto será criar um vinho com esse nome. Pelo andar da carruagem, prevejo o lançamento de caneta azul "Salazar", agência de viagem "Salazar" com promoções para o Tarrafal, turismo de habitação do grupo "Salazar" com dependências no forte de Peniche e em Caxias. Como as modas se contagiam, ainda teremos os italianos a mudar o nome do queijo Mozzarela para Mozzulini, e os espanhóis, em caso de fiasco financeiro, em vez de voltarem à peseta, voltam à antiga moeda oficial da França. Diz-se que o saber não ocupa lugar, mas com casos como este, acho que a idiotice, burrice e estupidez, ainda menos lugar ocupam, e em Santa Comba existe espaço de sobra.