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E porque não eu?

terapia de reflexão para mentes livres e com paciência, SA ou Lda não interessa, pelo menos pensar não paga impostos

E porque não eu?

leitura dos Resultados

por António Simões, em 06.06.11

 

Nos períodos mais marcantes do Portugal pós-25 de Abril, tendo sempre um papel interventivo e preponderante, o povo deu frequentemente voz ao Partido Socialista, em sucessivos governos nos quais o processo de normalização democrática era peça fundamental no puzzle de reconstrução nacional. Mário Soares, líder desse partido, soube encaminhar o país para o colo da Comunidade Económica Europeia, onde, decorrida metade da década de 80, o governo PSD se encarregou de gerir os rios (ou seriam oceanos) de dinheiro, que oriundos do velho continente chegavam à tugalândia. Farto da ineficácia de 10 anos de condução cavaquista, o PS surge de novo à frente do governo com uma tímida maioria que não era absoluta, marcando este período por uma governação periclitante que fez com que a mesma se fizesse à custa de sandes de queijo para dar força. Assim, volta novamente uma maioria absoluta em Portugal, mas à conta de dois partidos que se comprometeram na campanha a um choque fiscal de redução do IRS e IVA, mas meses passados e classificando o país como “de tanga” sobem o IVA para ter dinheiro para um par de cuecas, que seria algo sempre mais decente. Indecente foi a vergonha que este executivo conduziu o nome do país, na participação do maior embuste mundial com cimeira na base das Lages, nos Açores. Depois de poucos anos de governação frustrada, qual rato a sair do navio, o líder do PSD dá de frosques para o estrangeiro, deixando numa sucessão dinástica o governo nas mãos de um galã da noite. O resultado foi a primeira maioria absoluta da história do PS, a qual perdeu durante um período marcado pela mais grave crise económica mundial e todas as vicissitudes que se conhecem. Posto isto, as novidades, decorridas as eleições deste ano são:

- José Sócrates, ao contrário dos anteriores líderes de maiorias absolutas (Cavaco e Durão), deu o peito às balas, mesmo contra todas as campanhas de ignomínia que foi sujeito, e submeteu-se à vontade eleitoral;

- Pedro Passos coelho, com a vitória eleitoral, ganha uma pesada herança, na medida em que vai pela primeira vez liderar um governo PSD em tempos de crise;

- o povo decidiu-se por um governo de maioria de direita, alheio ao facto de já sermos governados pelos agiotas do FMI e por um presidente da república da mesma cor política;

- esse mesmo povo deu vitória folgada ao partido "que bem se está na praia", mais conhecido por abstenção, constribuindo para o descrédito da classe política portuguesa.

A história, a cada um, saberá atribuir-lhe os devidos lugares.

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