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E porque não eu?

terapia de reflexão para mentes livres e com paciência, SA ou Lda não interessa, pelo menos pensar não paga impostos

E porque não eu?

meio século da crise Académica

por António Simões, em 17.04.19

Copio integralmente o post que publiquei em 2014 neste mesmo dia, pois o sentimento continua igual, ainda mais amadurecido pelo tempo.

”Tinha terminado uma conferência que assistia enquanto estudante. A Alta de Coimbra de 1999 muito pouco tinha mudado desde 1969, mas as pessoas essas eram outras. Isso mesmo constatei quando me deixei ficar no mesmo lugar onde estava sentado, pois de seguida iniciava-se uma palestra acerca de um tal 17 de Abril de 1969. Os meus colegas tinham saído praticamente todos, excepto eu e mais alguns, que de capa e batina orgulhosamente nos deixamos estar, para ouvir aqueles que em tempos foram estudantes, e tal como nós sabem o que significa assim se vestir. O que nós não sabíamos, ficamos a saber, mas nunca o iremos sentir, foi o que se passou naquele dia que marcou a crise académica de 69 em Coimbra. A plateia encheu-se de gente que viveu nos tempos em que para se ler um livro era preciso andar com ele às escondidas, que passava de mão em mão até ficar marcado pelo uso e abuso de quem tinha o fastio da informação e cultura, de quem não podia escolher livremente a companhia da mesinha de cabeceira. Alberto Martins proferiu um discurso que ainda hoje retenho na memória, como ficaram gravadas no coração as palavras dele acompanhadas por uma emoção que não pôde conter na hora de se recordar de todos os seus colegas que na altura, fruto da sua contestação deixaram de ser aquilo que lutavam para ser. O jovem que pediu a palavra a Américo Tomás conseguiu com a sua intervenção fazer um grupo de jovens sentir, por momentos, algo de parecido ao que essa geração de estudantes lutou. Os nossos tempos são diferentes, e hoje somos uma réstia daquilo que os nossos pais e avós foram na altura, pois apesar da liberdade ter sido conquistada, a mesma foi sonegada de outras formas bem mais perversas e contra as quais as armas são poucas, mas porra... a vontade das pessoas também não ajuda muito.”

liga dos Campeões

por António Simões, em 10.04.19

Ontem foi noite de pontapé na bola para o início dos quartos de final da competição mais falada a nível mundial e, por consequência disso mesmo, a nível europeu, podendo mesmo arriscar que esse facto acaba por fazer uma espécie de efeito dominó neste rectângulo triste e medíocre à beira-mar plantado. Pelo que vi do único jogo que me interessa, onde se encontravam frente a frente uma equipa conhecida por ser da cidade onde existe a passagem de peões mais fotografada da história da humanidade e outra equipa duma cidade que teve a honra de dar o nome ao país que tão dela se esquece, só posso concluir uma única coisa - foi um jogo de campeões. Campeões da importância do dinheiro e da sua capacidade de fazer esquecer penáltis e entradas dignas de um processo judicial de ofensa à integridade física, mas não só... Ouvir os comentários da equipa de reportagem da TVI num jogo em que estava presente uma equipa tuga, é algo verdadeiramente ofensivo, mas ao mesmo tempo tão tipicamente português, que merece estar na linha da frente da Liga dos Campeões, mas dos últimos. Ultrapassado que deveria estar o síndrome de D. Sebastião, ainda não se descobriram remédios para duas doenças nacionais: por um lado, o tradicional síndrome de inferioridade tão marcadamente tuga em que se prefere a porcaria que vem de fora preterindo tudo o que é nacionalmente bom, pensando que desse modo se é mais inteligente que os outros; por outro lado, a falta de memória e de honestidade para com ela mesma. Em jogo estava o Futebol Clube do Porto, um clube que não sendo do regime foi capaz de vergar as contrariedades auto-impostas por uma sociedade tacanha, de visões curtas e comodismo exacerbado por anos onde sempre teve alguém que por ela mesmo pensava, e que passados tanto tempo de liberdade ainda conserva de forma pútrida um conservadorismo estúpido, bacoco, mas realmente tão tipicamente tuga. Respeito se faz favor que o Futebol Clube do Porto é o melhor... carago!

o rapaz que seguiu o pai para Auschwitz

por António Simões, em 07.04.19

Não tenho nunca por guia os prémios literários, sejam eles um Nobel ou um Pulitzer, orientando-me sempre pelo momento, por aquilo que ainda não li, pelo tema ou pelo autor. Sendo neste caso o autor desconhecido, foi o tema que me levou a escolher ler este livro de Jeremy Dronfield. Já li bastante acerca da segunda guerra mundial, assunto pelo qual tenho um enorme fascínio em saber sempre algo mais acerca do acontecimento mais marcante da história universal, pois é algo que me preenche a curiosidade de como foi possível que tal tivesse acontecido, e ainda apenas só passaram 74 anos desde o momento em que terminou. No entanto por mais que leia é sempre impossível de compreender, procurando com a minha leitura prestar a minha singela homenagem a todos aqueles que lutaram e a todos os outros que claudicaram nessa batalha que revelou o que de pior e mais perverso pode sair da mente humana. Jeremy Dronfield não prestou uma singela homenagem com a escrita deste livro, pois fez muito mais do que isso ao descrever em forma de romance as agruras de uma simples família vienense durante o Holocausto, assente em testemunhos pessoais e num diário de pequenos rectângulos de papel que sobreviveu durante 6 anos de cativeiro, e contribui com o seu soberbo trabalho de investigação apresentado nesta bela obra para perpetuar não só o sofrimento e o horror desses anos de forma a que nunca ninguém se esqueça, mas também para mostrar como o amor, neste caso entre pai e filho, é uma arma tão ou mais forte que qualquer outra.

portugal - a primeira nação Templária

por António Simões, em 06.04.19

O desafio de qualquer investigador na área da história é, sem dúvida alguma, documentar-se da melhor forma possível para desse modo cimentar a sua teoria acerca do assunto sobre o qual se debruça. A neblina do tempo adensa-se ainda mais quando os assuntos envolvem matérias que deixam espaço para a imaginação, cabendo ao investigador não perder o sentido de orientação, muitas vezes abalado por convicções ou ideias pré-concebidas que podem minar o resultado final. Neste livro, Freddy Silva trouxe água para o seu moinho documentando o leitor com um livro muito atraente do ponto de vista de leitura, onde lhe tiro o chapéu na hora de reconhecer o trabalho árduo que teve enquanto investigador e pelo desafio superado de não se perder no caminho pelo qual nos elucida acerca do tema "A primeira nação Templária". Tudo aquilo que envolve as Cruzadas, a Religião e os Templários encontra-se sempre envolvido num clima de mistério, intriga e obviamente conspiração, tendo este pequeno rectângulo à beira mar plantado um papel digno de nota, pleno de achados e provas históricas da sua importância nesta Ordem que para muitos sempre foi alvo de matéria abundante para elaborar as mais fantasiosas teorias, mas que neste livro é muito bem explicada.

um botão novo, por Favor!

por António Simões, em 08.03.19

Desde já efectuando uma defesa em nome próprio, fique bem claro ao leitor que apenas vi o programa que de seguida refiro pelo simples facto do mesmo ter-me suscitado uma tremenda curiosidade. Não é todos os dias em que o Primeiro-Ministro de um país se deixa entrevistar, em ambiente familiar, ao mesmo tempo em que mostra os seu dotes culinários, facto que por si só já seria de enaltecer. Estas coisas são cada vez mais comuns entre a classe política actual, e destapar o véu da máscara pública desperta sempre aquele sentimento tão humano de voyerismo honesto sem qualquer tipo de confusão com o que esse desporto verdadeiramente encerra. Assim, recorrendo ao fantástico avanço da tecnologia audiovisual que me permite ver programas que nem sequer os deixei a gravar, como se tinha de fazer no tempo das cassetes de vídeo em que se programava a hora prevista e depois o que tinha gravado era outra porcaria qualquer porque os senhores da televisão não se deram ao trabalho de obedecer à TV Guia, vi o programa de Cristina Ferreira, onde António Costa nos presenteou uma bela cataplana de peixe. Ao princípio a curiosidade ainda se sobrepôs à estridentemente estrépita voz da apresentadora, mas ainda a caçarola ainda não tinha ido ao forno e o meu cérebro comunicou ao tímpano que estava em perigo de ruptura. Foi nesse preciso momento que pensei: um botão novo, por favor! Um botão que no lugar de silenciar o som geral nos permita escolher o que queremos emudecer. Que falta tinha feito para conseguir ver tudo até ao fim...

rebobinar o Tempo

por António Simões, em 02.03.19

Alguém terá que fazer alguma coisa para colmatar uma falha tremenda, um erro que pode ser imputado à humanidade no geral e ao ser humano em particular... Frases e pensamentos que ecoam pela eternidade possuem um rosto, um nome, um contexto, e muitas vezes até um local em concreto onde as mesmas foram proferidas. No entanto, aquilo que todos conhecemos e que nos é transmitido de geração em geração, falo da "sabedoria popular", é algo que tem uma história muito mal contada e que merece ter também pelo menos um nome. Se "um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade" ou "eu tenho um sonho" ou "Salazar? Obviamente demito-o" todos sabem quem, quando e onde se disse, a sabedoria popular também deve ter um autor(a) de frases icónicas como "Carnaval na eira, Páscoa na borralheira", "Primeiro de Agosto, primeiro de Inverno" ou "Abril, águas mil". Seja a bordo de um DeLorean ou com algo do género das gravações automáticas das modernas televisões inteligentes, é necessário rebobinar o tempo e descobrir quem foi o primeiro a proferir essas pérolas da sabedoria popular, no fundo, aquele que disse algo tão inteligente que se tornou viral... sem Internet...

cara ou Coroa

por António Simões, em 01.03.19

Fiquei curioso ao ler a contra-capa deste "Cara ou Coroa", livro de um autor que nunca tinha lido. A estrada da vida está repleta de encruzilhadas, cruzamentos e desvios, e foi com essa base que Jeffrey Archer partiu para um livro duplamente surpreendente. Foi a primeira vez que li dois livros num, pois a história de um pequeno russo divide-se no momento em que tem que efectuar uma escolha, seguindo cada uma o seu caminho e o seu destino final. Mas mais surpreendente que isso é o seu final, e a espécie de acusação que o mesmo encerra. O que fica no ar é algo que todos nós suspeitamos, mas que nunca foi provado. Curioso o leitor, só tem uma hipótese para saber aquilo a que me refiro...

Eva

por António Simões, em 28.02.19

Já devo ter esgotado todos os adjectivos possíveis do meu dicionário para descrever a obra de Arturo Perez-Reverte, e o quanto eu gosto dela. Cada livro que termino deixa sempre o desejo do próximo, e com este "Eva" esse sentimento é maior porque trata-se do segundo tomo de uma espécie de saga que agora se iniciou. Lorenzo Falcó percorre as ruas e vielas obscuras do tempo do Franquismo em ascensão, em plena Guerra Civil Espanhola, assumindo-se como verdadeiro sicário em prol daqueles que vão acabar por sair vitoriosos. Falcó exerce a sua actividade numa altura da história da humanidade fértil para as intrigas de espiões, polvilhada com a crescente e galopante vontade de regimes totalitários em tomar poder por qualquer meio - os anos anteriores à 2ª Guerra Mundial. É certo que a Guerra Fria ombreia a esse nível com os anos 30 do século passado, mas enquanto que as loucuras entre Americano e Russos resultaram em meia dúzia de conflitos em territórios neutros, os anos loucos que levaram à 2ª Guerra Mundial resultaram no conflito mais trágico de toda a história, o único em que se largaram mesmo duas bombas atómicas, ficando os números de baixas globais em patamares que consciência alguma é capaz de entender.

o grande Golpe

por António Simões, em 27.02.19

Se no livro que anteriormente li de John Grisham o autor fez um pequeno desvio ao seu habitual, desta vez regressou à sua pista favorita, se bem que novamente com uma pequena diferença! Apesar de regressar ao mundo da advocacia que tão bem conhece, descreve, escrutina e esmiuça, neste livro os advogados ainda não o são. Revelando as dificuldades que os jovens americanos passam para conseguir um curso superior, John Grisham cruza a sua mestria na barra do tribunal com as vicissitudes de um sistema de educação largamente diferente da nossa realidade. As personagens criadas para este livro levam aos píncaros a velha máxima de "a necessidade aguça o engenho", a tal ponto que a sua vida muda completamente do avesso. Bom livro, boa leitura.

casa de Espiões

por António Simões, em 26.02.19

A leitura deste livro apenas pode ser recomendada depois de ler "A Viuva Negra". Não digo que não seja possível desfrutar de mais um bom livro ao belo estilo de Daniel Silva sem a leitura do anterior, mas tendo em conta que ambos se completam recomendo que a cronologia das edições seja seguida. Não tendo lido todos onde aparece a personagem principal, Gabriel Allon já faz parte de outras personagens que gosto de seguir, juntando-se a Tomás Noronha, Falcó e Robert Langdon.

o Manuscrito

por António Simões, em 25.02.19

Fugindo ao seu habitat natural, John Grisham conduz com a sua habitual mestria o leitor por um submundo que eu honestamente não sabia que existia. O mercado negro de obras raras pelos vistos existe, tem pessoas interessadas no mesmo, e para o bem da história da humanidade existem outras que se preocupam em acabar com ele, colocando no devido local aquilo que lá deve sempre estar. John Grisham é um daqueles escritores que nos dá a certeza de bons momentos com a leitura dos seus livros, tendo este duas particularidades: a primeira, que já referi no início, é o facto de fugir do seu normal enredo em torno dos tribunais, advogados, vítimas e culpados; a segunda é o facto de destapar os segredos de um mundo obscuro onde se os ladrões que roubam, e os amantes que pagam somas exorbitantes de dinheiro, numa mistura de gente apaixonada... claro que uns pelas notas de valor monetário, e outras pelas notas deixadas por escritores cujos pensamentos ecoam pela eternidade.

uma breve história da Economia

por António Simões, em 24.02.19

Não se preocupe o leitor, que este artigo não o prentende esclarecer com uma visão sobre a história da economia, pois recursos para tal tarefa se encontram em carestia no portfolio deste seu humilde projecto inacabado de escritor. O título refere-se ao livro escrito por  Niall Kishtainy, obra que é uma espécie de economia para totós que, como eu, precisam de alguém muito mais inteligente e conhecedor desse mundo curioso criado pelo ser humano, onde a matemática se mistura com política, filosofia e psicologia. Sendo realmente breve, não se poderia pedir mais do que aquilo que é transmitido, sendo um bom recurso a utilizar quando se quer compreender algo que até ao momento ainda não foi totalmente compreendido.

a viuva Negra

por António Simões, em 23.02.19

Tocar no assunto do terrorismo da forma como Daniel Silva se debruçou neste livro, foi algo de tão necessário como de perigoso. Assunto frequente no jornais, o terrorismo sempre acompanhou de mão dada a evolução do homem, confirmando que aquilo que todos tomamos como assente nada mais é do que uma falácia de nós próprios. Existisse uma evolução efectiva e as guerras há muito que já deveriam estar arredadas do nosso dia-a-dia, fazendo apenas parte dos livros de história. Tal não acontece e a culpa não morre solteira, porque todos somos a parte de um todo que está muito longe de encontrar o consenso e a chave para uma co-existência pacífica de compreensão e aceitação do diferente, ou mesmo do igual. De uma forma mais tendenciosa, Daniel Silva conduz o leitor na espionagem do século XXI, num mundo onde o ódio, a vingança e a crueldade podem perfeitamente sair das páginas escritas de um romance, ou mesmo de um jornal...

sem Filtro

por António Simões, em 19.02.19

Normalmente não me guio por tendências, mas também não sou sobranceiro ao ponto de achar que em circunstância alguma não me deixei levar por algoritmos maquiavélicos, que nos levam de forma completamente manietada a fazer algo que não passa pelo filtro da nossa razão. Hoje em dia, mais do que nunca em toda a história da humanidade, não precisamos de um mas de vários filtros dispostos em camadas de inteligência que nos permitam fazer escolhas acertadas, escrupulosas e certas daquilo que devemos levar e ter em conta, na hora de uma simples compra, no momento de um comentário, na postura de uma opinião, ou na escolha do companheiro da mesa de cabeceira. Sempre que preciso de um livro novo, desperta em mim uma espécie de adrenalina que mistura a excitação de uma obra que me surpreenda e que eu devore versus a temeridade de fazer uma escolha errada e acabar defraudado por um punhado de páginas que me acaba por devorar. Seguir o rebanho nunca foi minha tendência, mas sempre passo uma vista de olhos pelos títulos mais vendidos para verificar se a minha sintonia está no mesmo comprimento de onda que o da maioria. Foi assim que verifiquei uma vez mais que os filtros a que atrás me referia, estão cada vez mais rotos e permeáveis à imbecilidade pois no topo de vendas encontra-se o recente livro lançado pelo antigo presidente do Sporting - Bruno de Carvalho. Coincidência, ou não, o título de mesmo é "Sem Filtro"... palavras para quê.

provincianismo Bacoco

por António Simões, em 31.01.19

Quando quero saber o estado do tempo para os dias vindouros, não procuro a informação em qualquer meio de divulgação com origem na tugalândia. Para além da evidência que o pragmatismo da confirmação diária me fornece, saber o estado do tempo pelos meios disponibilizados pelos nossos vizinhos espanhóis é algo integralmente mais certo, uma vez que estes procuram adaptar essa informação a cada região. Com uma história longa de divisões, os espanhóis há muito que convivem na sua diferença e reconhecem que ela existe, muito ao contrário da paz podre que vigora nas nossas paragens tugas. Para os grandes meios de comunicação, a Tugalândia é Lisboa e o resto é paisagem. Exemplos disso mesmo não faltam, e a previsão do estado do tempo é apenas um dos muitos que poderia dar, mas que se podem demonstrar com o episódio ocorrido nesta semana no programa de televisão "JOKER". Perguntava-se o que se pretende beber quando no Porto se pede um "Fino". As opções eram quatro: espumante; sumo de pepino; café curto; imperial. A resposta certa foi Imperial. Se este programa fosse transmitido apenas numa estação televisiva da capital, até poderia compreender mas, uma vez que a emissão era de carácter nacional, a resposta correcta confere ao episódio o mais puro, tradicional e bacoco provincianismo alfacinha. Até mais ver, o Norte é há muito mais tempo tuga do que a capital conquistada aos Mouros, e será mais certo dizer "Fino" do que a tradução "Imperial".

Post Scriptum: sabem porque se chamam alfacinhas ao pessoal da capital... é porque lhe faltam os tomates para serem uma salada...

brentering vs Brexit

por António Simões, em 19.01.19

Até ao momento ainda não se falou do que verdadeiramente importa, do motivo que encerra toda a essência da problemática do momento ou seja , daquilo que supostamente os antigos estudantes de latim erradamente classificaram como o cerne da questão - o busílis do BREXIT. Ainda bem que este blog ainda existe e, apesar do tempo ser pouco, a humanidade ainda se poder congratular por me sobrar algum tempo, para deste modo esclarecer uma opinião pública que é atormentada diariamente por jornalistas e comentadores medíocres que não só não merecem ganhar euros pelas baboseiras que dizem, como não são merecedores do tempo de antena que poderia muito bem ser ocupado com programas bem mais interessantes, e neste caso não estou a falar de mentecaptos que não se conhecem de lado nenhum e resolvem casar-se, a bem das audiências e do seu próprio bolso, sonegando a pouca réstia de moralidade de quem isto faz, e de quem isto vê. O problema do Brexit nunca foi o Brexit, mas sim aquilo que eu classifico como o BRENTERING, e espero algum dia receber direitos de autor ao abrigo da nova legislação da www. O Brentering foi algo que nunca devia ter acontecido, como muitos casamentos de conveniência que acabam sempre numa pasta da secretária de advogados litigiosos. O namoro entre Britânicos e seja quem mais for, nunca poderia dar em algo positivo, uma vez que o pessoal da velha Albion sempre teve a intenção de ser diferente de todos os outros: conduzem do outro lado da estrada; tem um sistema métrico diferente; criaram uma religião à parte e à sua maneira; bebem chá à tarde e enfrascam-se de cerveja ao por do sol; comem peixe com batatas fritas; nunca quiseram fazer parte da moeda única. Perante tantas divergências, se na altura certa o Brentering nunca tivesse acontecido, hoje não estariamos a falar de Brexit. Escusam de agradecer... Obrigado...

show must go On

por António Simões, em 08.01.19

Seria de esperar que o primeiro artigo de um novo ano fosse algo positivo e optimista. Apesar de assim me sentir, a inexorabilidade de ser tuga e viver num território povoado por conterrâneos que cavam um fosso tremendo entre o que são e o que eu sou levam-me necessariamente a fazer uma análise de acordo com uma clivagem que aumenta a cada segundo que passa. Pergunto-me como poderemos viver incólumes à quantidade de estupidez gratuita que para além do patrocínio orientado pela comunicação social, é consumida de forma sôfrega por uma opinião pública cada vez mais decrépita e demente, sinal inequívoco de uma sociedade cada vez mais tecnológica e cada vez mais sonegada de capacidades tão vitais para o ser humano como a inteligência, o raciocínio e a honestidade intelectual. Exemplos não faltam, e povoam o nosso dia a dia como cogumelos numa floresta, como foi o caso recente em que uma apresentadora supostamente conhecida e mediática foi para o ar com o seu primeiro programa na sua nova estação televisiva. Até aqui a terra continuava a girar nas suas quase 24 horas de rotação, e continua a girar no mesmo sentido e defeito horário, mesmo quando o presidente desta espécie de país interrompe, e aqui passo a citar "uma reunião" para dar pessoalmente os parabéns a essa apresentadora. Num registo de total surpresa e estupefacção, a apresentadora só conseguiu largar uma lágrima de emoção, verdadeiramente arrancada a ferros para gáudio de um povo que sempre gostou de viver de ilusões e aparências.

bohemian Rhapsody

por António Simões, em 10.12.18

Tendo contribuído não só para a minha cultura musical, mas também para moldar parte da minha personalidade, ver o filme "Bohemian Rhapsody" seria obviamente obrigatório. Conto pelos dedos de uma mão o número de vezes que fui ao cinema ver um filme nos últimos anos, tirando as matinés obrigatórias de quem tem que estar por dentro do que se faz de mais recente no mundo da animação, e assim, confortavelmente acompanhado pela melhor companhia possível, fui aumentar a minha estatística de cinéfilo esquecido. Fazer uma crítica ao filme passa-me completamente ao lado, porque o melhor que ele teve foi ver a enchente de pessoas de diferentes idades que desejavam fazer uma viagem no tempo, e desfrutar da magia que os "Queen" deixaram, deixam e continuarão a deixar no coração de todos. Desde os mais velhos que viveram integralmente os sucessos da banda, aos mais novos que ainda não eram nascidos quando os "Queen" já não eram quatro, outros como eu havia que não tendo acompanhado desde o início ainda tiveram tempo de escutar uns acordes ao vivo para registar na memória. Os gostos são sempre subjectivos, seja qual for a área em discussão, mas o entusiasmo que este filme despertou, assim como despertam os concertos com Brian May e Roger Taylor, marcam de forma indiscutível o peso de uma banda que a eternidade já patenteou há muito tempo.

a Sede

por António Simões, em 26.11.18

Até ao momento a minha única experiência literária no campo do macabro foi um livro de tamanho considerável, com um título que nada tinha de relacionado com a história. Em "O Historiador" de Elisabeth Kostova, tive que enfrentar páginas a fio de enredo de vampiros, assunto que desde pequeno não me deixa em muito confortável posição, e quase que posso dizer isto de forma literal. Os nórdicos habituaram os leitores a bons livros de entretenimento policial, e foi por isso mesmo que procurei conhecer um novo autor, ciente que entrava novamente numa história de contornos mais obscuros. Este livro é guiado pela argúcia de Jo Nesbo (falta o traço oblíquo no O...) numa investigação intrigante correndo as páginas não só na procura de saber o seu fim, mas acima de tudo para verificar se a perversidade da mente humana é capaz de mais uma atrocidade, coisa que pelos vistos não parece ter fim...

oitavo Aniversário

por António Simões, em 22.11.18

Com um dia de atraso, mas cumprindo a velha máxima onde se preconiza que mais vale tarde do que nunca, venho recordar que foi na noite de 21 de Novembro de 2010 que este blog se iniciou. O motivo pelo qual o iniciei não mudou, a sua filosofia também não. As temáticas foram várias e mudaram de acordo com o sabor dos tempos. Em relação à escrita, o estilo procurou ser igual a si próprio, e se a periodicidade teve altos e baixos, como se verifica pelos últimos tempos, tal se deve única e exclusivamente ao seu autor, pois o dia-a-dia deste país serve de bandeja um sem fim de temas para se debruçar e escarnecer. Marcar uma data é sempre relevante e por isso mesmo não poderia deixar de lembrar esta, algo especial para mim, pois ao recordar estou a escrever, coisa que por muito pouco que seja é sempre bom, ao sentir que como pessoa somos capazes de pensar, raciocinar e processar, ou seja - existir - coisa que no mundo de hoje parece estar cada vez mais arredada.

Parabéns...

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