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E porque não eu?

terapia de reflexão para mentes livres e com paciência, SA ou Lda não interessa, pelo menos pensar não paga impostos

E porque não eu?

tempo dos Tontos

por António Simões, em 08.09.17

Depois de ter escrito o post de ontem, fiquei a matutar na ideia final. A Silly Season, ou no nosso bom e velhinho tugalês "temporada dos tontos", é aquele tempo definido pela ausência de volume informativo capaz de alimentar a produção diária dos meios de comunicação, típico do tempo estival onde a grande parte dos elementos de decisão se encontram em balanço ou de férias, o que para muitos deles é o mesmo que o dia-a-dia, só que de forma oficial. No entanto este tempo está em vias de extinção, pois tontos, tolos e estúpidos não faltam por este mundo fora, principalmente nas altas esferas de nações tão opostas como a Coreia do Norte e os Estados Unidos. Enquanto que no norte da península coreana fazem explodir bombas de hidrogénio e o povo se manifesta com júbilo e fogo de artifício, nas terras do Tio Sam o o presidente usa uma rede social cuja tradução à letra significa "tagarelice" para se manifestar acerca dos ventos pirotécnicoS que sopram do lado de lá do oceano, que até ao momento ainda se encontra classificado como "Pacífico". Por estas, e por muitas outras, a Silly Season está aberta para o ano inteiro...

sociedade Actual

por António Simões, em 29.06.17

É torturante conviver na sociedade actual! Num momento da "suposta" evolução do ser humano em que teríamos tudo para sermos o expoente máximo do caminho que se iniciou na estepe africana, não faltam os maus exemplos para constatar que o termo sapiens só pode ter sido mesmo adjectivado por quem o inventou, pois se tivéssemos que ser classificados por outros, de certeza que a taxonomia se ficaria pelo homo. As guerras, a fome e a injustiça continuam a preencher o nosso dia-a-dia, e chegam como demonstração da falibilidade da inteligência humana, bem como a constatação do espírito animal de sobrevivência e a nossa quota parte de irracionalidade que partilhamos com todas as outras espécies, às quais com a maior da jactância lhes chamamos de "animais irracionais". Irracionais ou não, têm bem definidos os seus limites de razoabilidade, bem como a posição que ocupam em cada uma das suas proto-sociedades. Hoje em dia, a nossa sociedade "humana" vive numa aldeia global onde o inverossímil se transforma com um pequeno toque de Midas, e existindo dinheiro e mediatismo tudo se consegue, de um modo que faria inveja ao mesmíssimo Rei da Frígia. Do mesmo modo que a sorte protege os audazes, a fama e o dinheiro devem produzir efeito semelhante na hora de assobiar para o lado e ignorar os atentados à decência, à humanidade, e à razoabilidade de actos que figuras de renome do nosso mundo actual por vezes praticam, ultrapassando todos os limites sem que por isso mesmo sejam criticadas ou apontadas. Viver hoje em sociedade é muito mais difícil do que antigamente, pois o círculo que então era muito circunscrito tornou-se progressivamente imenso, aumentando o sentimento de indignação quando esta não aparece quando deveria de aparecer.

doidos e Terroristas

por António Simões, em 06.06.17

Os noticiários continuam, infelizmente, a trazer notícias que colocam em perigo a democracia, o nosso modo de vida, e o quotidiano de milhões de pessoas por esse mundo fora. O último atentado em Londres ainda ocupava as primeiras páginas, e já hoje em Paris volta a acontecer algo que ainda não se sabe bem o que é. O que se está a viver é uma espécie de Guerra Fria que, ao contrário da anterior em que os dois blocos beligerantes estavam devidamente identificados e catalogados, se assume na sombra de entidades desconhecidas. Aos tristes e lamentáveis acontecimentos de suposto terrorismo, segue-se a reivindicação do acontecimento que pode tardar horas ou mesmo dias, mas que tem sido açambarcada pela mesma organização. Agora o que nos devemos perguntar, sem que isso contribua para aliviar o peso da injustiça e da desgraça que se abate sobre as famílias das vítimas, é até que ponto é que tudo isto não começa a ficar fora do controlo, e do terrorismo estarmos a viver também um clima de medo provocado por indivíduos desequilibrados que se revêm nestes acontecimentos e que deles querem também fazer parte. Caberá aos políticos e governantes encontrar uma solução que devolva a tão necessária paz que é essencial à sociedade humana, mas penso que os meios de comunicação social poderão dar uma inestimável ajuda, ao calibrar o seu dever de informação de forma a evitar fazer de algo que mais não é do que um acto de insana loucura, um serviço de publicidade gratuita.

muito bem Donald

por António Simões, em 23.05.17

A César o que é de César! Se até ao momento não me tenho contido na hora de criticar e apontar o dedo ao actual presidente dos E.U.A., e seguindo uma linha de coerência argumentativa, desta feita tenho que dar os parabéns a Donald Trump! O mundo viveu ontem mais um episódio lamentável, desta vez em Manchester mas novamente durante um concerto musical. O terrorismo não dá tréguas, e os dementes que em seu nome perpetuam as tragédias não cessam a actividade hedionda e cobarde, em nome de algo que eles próprios não sabem o que é. As reacções não se fizeram esperar e Trump fez uma intervenção digna de nota, não tanto pela ameaça que deixou no ar, que reconforta quem clama por justiça, mas sim pela excelente caracterização de quem executa planos maquiavélicos como o de ontem. No seu discurso considerou que "chamar-lhe monstros é fazer-lhes a vontade" pois perante tal monstruosidade adjectivar desse modo é reconhecer o papel que desempenharam, aplicando-se muito melhor o termo "Losers", palavra que pode traduzir-se por perdedores ou, melhor ainda, por falhados. As palavras e os discursos nada fazem para apagar a dor de quem sofre com estas atrocidades, de pouco valem para desanuviar o clima de medo que paira um pouco por todo o mundo, mas sempre ajudam na hora de mitigar o futuro de um mundo escurecido, e desta vez trump esteve muito bem.

sétima República

por António Simões, em 22.05.17

Apesar de ainda recentemente ter lido um livro que demonstra que existem coisas que nascem torto mas que no final até se endireitam, contrariando o velho ditado popular, existem outras situações que provam que os antigos de burro nada tinham. Confirmando essa velha máxima temos um bom exemplo na sexta república brasileira. Em 1985 o Brasil entra no mundo da democracia, abandonando um regime militar que até então se "encarregou" dos destinos do país. A honra presidencial da 6ª República caberia a Tancredo Neves, não fosse o infortúnio ter batido à sua porta impedindo-o de tomar posse. Ao falecido presidente que não chegou a ser sucederam José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer. Nestes 32 anos o povo brasileiro teve 7 presidentes. Até ao momento apenas Fernando Henrique Cardoso passou incólume depois de ter ocupado o Palácio do Planalto, pois se não fosse a senhora da saia sem "calcinha" que acompanhou Itamar Franco num dia de Carnaval, o antigo presidente teria também efectuado uma governação isenta de escândalos. O resto é o que foi, e o que se vê. José Sarney não escapou aos rumores de corrupção. Lula da Silva foi mais longe, tal como a sua presença assídua nas barras dos tribunais o pode confirmar. Collor de Melo e Dilma Rousseff foram demitidos das suas funções, e pelo andar da carruagem o actual presidente terá o mesmo destino. Ou seja, o escândalo e a corrupção são adjectivos inalienáveis desta geração de governantes que não se cansam na hora de inventar o melhor modo de facilitar o trabalho a jornalistas e afins. O povo brasileiro é que está farto destas novelas, e o melhor é mudar o enredo e passar de vez para a sétima república.

papa e Papadores

por António Simões, em 12.05.17

Hoje é dia de visita à tugalândia do Papa Francisco. Jorge Mario Bergoglio trouxe à Igreja a brisa que desapareceu desde que João Paulo II nos deixou, e desde que assumiu as suas funções não parou de transportar essa frescura sob a forma de caridade, boa vontade e esperança, por todos os locais por onde passa e onde está. Temos nestes dias a honra e responsabilidade de receber o Papa Francisco, e estou certo que como tugas não deixaremos que a nossa fama de hospitalidade se fique pelo mito. É no entanto completamente impossível que esta visita seja excluída da presença dos papadores, sejam os do costume, sejam os de circunstância. Em Fátima não faltam exemplos bem demonstrativos disso mesmo, que nestes dias assumem contornos de ridículo ou, se quisermos falar de um modo mais eclesiástico, verificando-se situações de verdadeira blasfémia onde o despudor de uns face ao desespero de outros origina casos de contornos tais que não dignificam nada nem ninguém. Como se não fossem suficientes os inúmeros casos dos incógnitos que mancham toda esta envolvência, as nossas autoridades receberam por estes dias uma viatura, em regime de pro bono. Sendo oferecida, obviamente que não poderia ser recusada porque o ditado já diz que "a cavalo dado não se olha o dente", mas não deixa de ser mais um bom exemplo de como os papadores podem assumir várias formas, desta feita do modo mais matreiro possível e ao melhor estilo alemão, garantindo uma exposição e publicidade proporcional à expectativa do acontecimento. O Papa que prefere andar de autocarro terá assim guarda de honra nacional, confortavelmente sentada ao volante de um BMW i8 avalidado na ordem dos 143 mil euros.

pontapé no Canelas

por António Simões, em 03.04.17

Quem diria que depois de um fim de semana de "Clássico" entre o clube da Luz e o Futebol Clube do Porto, os protagonistas do início da semana viriam directamente de uma divisão bem abaixo da primeira divisão, maIs precisamente da Divisão de Elite da Associação de Futebol do Porto. As imagens podem ter duas interpretações que variam no argumento mas que terminam, definitivamente, na mesma conclusão, dependendo essa análise do grau de conhecimento ao nível futebolístico, nomeadamente no que diz respeito ao histórico do referido clube. Para quem está fora do fenómeno "Canelas 2010", ao ver as imagens deve ficar a dúvida sobre se o que se vê se trata de um jogo de futebol, ou de uma partida de Rugby, a avaliar pelo tamanho de alguns dos "armários" que desajeitadamente se movimentam pelo campo. Só mesmo as presenças de uma bola redonda e de balizas com redes é que esclarecem o mais distraído acerca do desporto em causa, cujo desafio termina depois daquela agressão bárbara. Quem sabe o que tem vindo a acontecer ao longo do ano com essa equipa, mais precisamente no facto de algumas equipas terem recusado a deslocar-se ao seu "feudo", com medo de algo como aquilo que ontem aconteceu, ao verificar as imagens de ontem pode não ficar surpreendido, mas sem dúvida alguma que ficará igualmente indignado.

ao que Chegamos

por António Simões, em 30.03.17

Chegados que estamos ao décimo sétimo ano do advento do segundo milénio, e tendo resistido aos piores augúrios apocalípticos que preconizavam o fim do mundo com a chegada do ano 2000, seria de esperar que o mundo estivesse melhor no final desta segunda década do século XXI. No entanto a realidade é bem mais triste e pior do que aquilo que a lógica nos teria levado a acreditar. Convém também não seguir um discurso de velho do restelo afirmando que nunca se esteve tão mal como hoje, pois isso seria uma traição à história universal, e a todos os acontecimentos hediondos que precederam os dias de hoje, devidamente exponenciados no século transacto. Como traição à história já chega o ponto a que chegamos! Estamos em 2017 e assistimos no conforto do sofá devidamente respaldados pela mediocridade, adjectivo que passou do seu sentido pejorativo lato para a categoria de medalha de ouro olímpica, a todo um conjunto de acontecimentos que seriam impensáveis de surgir numa era onde a informação está ao alcance de todos. Esta terceira bola que orbita em volta do sol vive tempos verdadeiramente escuros com:

- um Presidente dos EUA repescado do pior capitalismo financeiro, que estudou pelos livros do conservadorismo mais radical, nos intervalos das suas sessões de bronzeamento artificial que lhe deixam aquela marca permanente nos olhos, e o cabelo recuperado por um restaurador Olex cuja validade já caducou por volta de década de oitenta;

- uma crise de refugiados que não parece ter fim à vista, e que procura solução em países que no tempo do colonialismo não tiveram qualquer pejo na hora de recolher os seus lucros, mas agora na hora de pagar os juros são os primeiros a sacudir a água do seu capote;

- uma União Europeia que vê os seus valores de fraternidade cada vez mais dilacerados, sobrando muito pouco dos tempos em que países beligerantes se juntaram para enterrar o machado de guerra. A saída do Reino Unido da zona euro abre um brecha terrível, e temo muito que não vai parar por aqui;

- o aquecimento global a subir a temperatura dos termómetros, provado por todos os fenómenos de extremos meteorológicos que repetidamente se verificam. A comunidade cientifica tem feito o seu papel, mas a ganância do homem continua a ser a sua prioridade, motivo pelo qual as dificuldades de entendimento se tem arrastado nos últimos anos. O pior de todo é que neste momento temos um lunático à frente do principal poluidor mundial que considera tudo isto uma charada, e agora junta-se uma figura de peso do lado frio desta guerra, um descendente encapuçado da estirpe de Estaline, que acha melhor adaptar-se ao aquecimento do que combate-lo.

- o radicalismo a subir de cotação. Se no médio oriente temos o radicalismo islâmico que se se vai escondendo nas dunas do deserto, na Europa temos a extrema-direita a lutar por um lugar ao sol... perdão, por um lugar nos governos. As eleições em França tem que servir de aviso ao mundo, e aguardemos que o desfecho das mesmas não seja aquele que tem vindo a pairar como mais uma ameaça à liberté, egalité e fraternité...

Posto isto é mesmo caso para dizer "ao que chegamos"...

luz em Marte

por António Simões, em 25.03.17

O mundo pode não ter neste momento uma luz no fundo do túnel, mas pelo menos o brilho de Marte pode muito bem tornar-se a esperança num planeta melhor. Recentemente tem vindo a público algumas notícias acerca da vontade de colocar o homem em Marte, e a última acende a chama que se apagou com as últimas eleições norte-americanas. Donald Trump vai disponibilizar uma quantia como a NASA há muito não via, porque quer que os EUA sejam mais uma vez pioneiros na aventura espacial, sendo seu desejo acérrimo colocar um americano a pisar o solo de Marte. Aguardemos pois serenamente pelo trabalho da agência espacial americana, e vamos alimentar o sonho de que a excentricidade de Trump vá para além dos seus limites, e o mesmo se ofereça para ser o primeiro ser humano a pisar o solo do planeta vermelho. É certo que se isso algum dia acontecer Marte vai continuar sem vestígios de vida inteligente, mas pelos menos durante uns tempos a vida no planeta azul será deveras muito melhor...

deputado NASA

por António Simões, em 24.03.17

A NASA procura voluntários para estarem um mês inteiro deitados, sem sair do sítio, sendo permitido tudo aquilo que se pode fazer deitado, tirando toda e qualquer actividade que atente contra o pudor. Como forma de aliciar os mais que previsíveis candidatos é oferecido um cheque no valor de 13 mil euros, juntamente com um programa de recuperação posterior, que incluiu sessões de fisioterapia para voltar a adequar o corpo à actividade muscular. Acho interessante estender à comunidade a possibilidade de pertencer ao programa espacial dos EUA, mas penso que os melhores candidatos, para simular as condições que o corpo humano fica sujeito a esses dias de inactividade e que correspondem ao período previsto para uma viagem futura a Marte, não se encontram no seio do povo, mas sim nos seus representantes democraticamente eleitos - os deputados.  Tirando casos de actividade parlamentar muito pontual, cuja representação se resume a um punhado de elementos, o grosso do parlamento é constituído por tipos que podem não ter passado tantos dias seguidos na condição em estudo, mas sem dúvida alguma que experiência e horas de treino não lhes faltam...

telhados de Vidro

por António Simões, em 23.03.17

De repente esqueci-me do atalho para copiar e colar, motivo pelo qual não posso aqui referir-me do modo mais correcto e preciso ao nome do presidente do eurogrupo, posição que ocupa juntamente com o cargo de ministro das finanças da Holanda. Posto isto e referindo-me a essa pessoa por "indivíduo", gostaria de não passar ao lado da polémica levantada pela sua intervenção na qual cataloga os países do sul da Europa com uma versão mais eufemizada da versão tuga de "p***s e vinho verde". Esse individuo, apesar de ter feito uma intervenção a nível pessoal, é um belo estereótipo do europeu do norte que se rói de inveja por não ter nascido num país do sul, latitude prenhe de nações que para além de transportarem o pesado fardo de terem marcado a história universal como os países do norte nunca o fizeram, são também Estados Soberanos onde se "padece" com as agruras de um clima mediterrâneo onde o sol reina durante grande parte do ano, e onde se faz o sacrifício de cumprir ao rigor dietas alimentares que não seriam possíveis nas terras do norte, onde com certeza absoluta se deve apreciar o muito e bom vinho que pelo sul se faz. A Grécia dos Gregos, a Itália dos Romanos e a Espanha e Portugal dos descobrimentos podem muito bem ter perdido o comboio em alguma paragem da história, mas em momento algum perderam a dignidade que faz estes países pertenceram às maiores nações do mundo. Respeito faz falta, e retratar-se nunca fez mal a ninguém...

aprender com a História

por António Simões, em 26.01.17

Os dois grandes conflitos à escala mundial tiveram muito pouco em comum, para além do óbvio facto de serem mundiais e de terem dado origem a uma mortandade como nunca se viu, provocada pelo que há de pior no ser humano - o ódio. Em 1914 bastou um jovem sérvio disparar sobre um arquiduque para se começarem a cavar as trincheiras, pois nessa altura o conflito estava mais que iminente e quase que existia um acordo tácito para se pegarem nas armas. Em 1939 a situação foi bem diferente, e a guerra foi protelada o mais que se pode pois durante uma década o mundo ignorou o que se passava na Alemanha, assobiando para o lado enquanto a tinta amarela se encarregava de marcar a Estrela de David em todo quanto fosse propriedade de Judeus. Pouco depois de Neville Chamberlain assinar o Acordo de Munique, militares e civis alemães levaram a cabo a Kristallnacht, e apenas volvido um ano as tropas de Hitler invadiam a Polónia colocando fim à paz podre que então reinava. 70 anos após estes últimos acontecimentos não sei em que ponto estamos, mas nunca tive tanta certeza como hoje que de facto o homem não aprende com a história. A presidência de Trump não conta com uma semana, e de repente o clima mudou completamente. A tolerância e a solidariedade deram lugar à impertinência e à prepotência que no fundo caracteriza essa grande nação que são os EUA, e que agora contam com um mentecapto para os liderar, num caminho cujo destino é desconhecido, mas que me parece não conduzir a nada de bom. A história está escrita, mas o futuro é uma terrível incógnita.

o fim de um Século

por António Simões, em 28.11.16

Quando termina um século, e quando começa outro? Esta questão é meramente retórica, pois a matemática da cronologia e o ritmo inexorável do tempo respondem por si só. No entanto, nunca como agora uma questão tão simples como esta teve tanta importância. A existência humana sempre assistiu a mudanças, por vezes com a forma de atropelos ao desenvolvimento como foram os casos das invasões bárbaras, a idade média ou as grandes guerras mundiais. Não digo que neste momento esteja à porta algo de tal dimensão e magnitude, porque aí estaria eu mesmo a ser ainda mais velho que o velho do Restelo. Contudo, desde que o Renascimento despertou a humanidade para a luz do dia o caminho foi progressivamente no sentido de melhorar as condições de vida, juntamente com uma consciencialização do papel do homem no mundo, matérias assentes numa perspectiva de harmonizar a vida em sociedade. O século XX foi uma espécie de culminar de todo este processo, e se por um lado tem o lado negro das guerras mais sangrentas da história da humanidade, por outro lado deixa a sua marca na história com o fim da escravatura, a luta pelos direitos das mulheres, e a morte dos regimes despóticos colonialistas. O século XX já terminou hà 16 anos de forma oficial, mas continua a definhar com a morte daqueles que o marcaram, e que desempenharam papeis de relevo na construção da sua história. A morte dessas pessoas deixa necessariamente um vazio pelo simples facto do seu desaparecimento, sentimento agravado quando se olha para o que temos hoje em dia, ou daquilo que poderemos esperar para o futuro que, temo muito, não augura nada de bom. A crise de refugiados, o crescimento dos movimentos de extrema-direita, e situações inverossímeis como ainda agora se viu nos E.U.A., falam por mim e provam que não sou um velho do restelo, mas sim uma pessoa consciente que o sumo das personalidades que marcaram o século está paulatinamente a secar, e a vitamina que o planeta precisa escasseia cada vez que desaparece um desses vultos e marcos da história, sem que se encontre similar ou genérico à altura das necessidades. Hasta la vitória siempre...

imaginação Legisladora

por António Simões, em 24.11.16

O mundo tal e qual como o conhecemos pode ter muitos defeitos, mas sem dúvida alguma que dessa lista não faz parte a lei. As constituições e as leis são feitas para que a sociedade possa viver em sociedade, comungando o respeito de uns pelos outros doutrinado pelos mesmos livros orientadores, onde sempre que é necessário se efectuam as devidas correcções. Neste campo, os legisladores assumem um papel de enorme importância, como forma de adaptar as leis à evolução dos tempos, sempre com o olhar atento dos constitucionalistas que velam pelo cumprimento dos desígnios fundamentais. Mas sendo as leis feitas pelos homens as mesmas não escapam ao paradigma inalienável da condição humana - errar - e já no tempo dos romanos se dizia que "errare humanum est". Pelas notícias de ontem tive conhecimento de uma lei que obriga ao pagamento de estudos, pareceres e taxas, a todas as pessoas que tenham uma saída de garagem para uma estrada nacional. Fiquei verdadeiramente surpreendido com a imaginação do legislador para uma iniciativa deste calibre! Não que esteja contra o facto da lei em si, pois maneiras díspares, inusitadas e desavergonhadas não faltam para ir ao bolso do contribuinte na hora da colecta. O que é revoltante é que se está a esquecer da parte mais importante - a segurança - pois qualquer acesso para uma estrada nacional deverá ser sempre questionado sob esse ponto de vista. De facto, o estado é o primeiro a prevaricar, e aqui pelas minhas bandas não faltam atropelos à segurança rodoviária, seja por casos como este que pretende ser tributado, seja por situações várias muito piores na forma de aberturas para pseudo-cruzamentos de estradas secundárias, sem qualquer sinalização horizontal. A quem faz as leis aceita-se a imaginação, desde que coloque sempre os bois à frente da carroça, e não ao contrário, como este caso é disso mesmo um bom exemplo...

telhados de Vidro

por António Simões, em 18.11.16

O prestígio de gerir o maior banco da tugalândia, o pilar de todo o sistema bancário e financeiro desta horta à beira mar plantada, não parece ser suficiente para algumas pessoas, pelo menos para aquelas que estão na linha de partida para ocupar os gabinetes maiores da Avenida João XXI. A novela acerca da declaração de património já fez correr demasiada tinta e ocupar demasiado tempo dos noticiários, e pelo andar da carruagem o assunto está longe de ficar esgotado. Só a paciência dos tugas é que não se esgota. Como sempre assiste-se a tudo de forma serena (razão tinha Pinheiro de Azevedo), mesmo estando à porta de um imbróglio onde se coloca em causa a gestão de um órgão de vital importância para o país. E tudo isto porque suas excelências não consideram positivo a apresentação da dita declaração. O povo para além de sereno também é sábio e costuma dizer que "quem não deve não teme", mas pelos vistos, e uma vez que estamos a falar de património, acho que estamos mais perante um caso de candidatos a gestores com "telhados de vidro"...

alimentar Pançudos

por António Simões, em 13.11.16

Noticia-se no telejornal que "O Presidente da República deu um jantar". Espanto! No entanto não julgue o leitor que irei fazer qualquer reparo do ponto de vista jornalístico, uma vez que neste meu pequeno recanto já me alonguei nas críticas ao jornalismo de sarjeta que se pratica aqui pela tugalândia, e seria fastidioso voltar a carregar na mesma tecla. O meu espanto espalha-se desde esta notícia para todas as outras em que situações similares se verifiquem no dia-a-dia de cargos importantes ao serviço da nação, no desígnio da governação desta horta à beira mar plantada. Ora estando a falar de governação, não me parece de todo um bom exemplo para os contribuintes andar a gastar o dinheiro que ao fisco tanto lhe custa a juntar, e que tanta falta fazia a esses membros da sociedade que apenas se limitam a contribuir. Por isso mesmo, seja o Presidente da República ou outro elemento qualquer, se quiser dar jantares sugiro que passe a usar o seu subsídio de alimentação, porque isto de andar a alimentar pançudos não dá com nada, ainda mais aqueles que não foram convidados pelo voto nas urnas.

before de Flood

por António Simões, em 01.11.16

A televisão pública teve a feliz ideia de passar em horário nobre, antes do conceituado programa prós e contras, um documentário de Leonardo DiCaprio intitulado "Before de Flood". Fátima Campos Ferreira ficaria assim com a missão bastante mais facilitada, mas mais não posso apurar pois do seu programa nada vi. Discutir os efeitos da actividade humana nas alterações climáticas é algo que me choca de tal forma, que só posso considerar uma verdadeira perda de tempo qualquer debate nesse campo. Poder-se-á debater só e apenas aquilo que está, ou melhor, ainda restará ao nosso alcance de evitar que esta bela bola azul não acabe como Marte. E seria precisamente esse 4º planeta que gravita à volta do sol um bom destino para enviar muita gente. Gente retratada nesse documentário que atira poeira para os olhos das pessoas, manipula a opinião pública e perverte as informações da comunidade cientifica que não se cansa de nos avisar, pelo menos desde que eu tenho memória. O resultado é o que todos conhecemos, e o pior é verificar que estamos muito longe do caminho certo. As eleições para eleger o Presidente do principal país poluidor do mundo estão à porta. Trump conseguiu recentemente um ligeiro alento dado pelas sondagens no estado da Florida, que o colocam à frente de Clinton. Florida, estado onde fica Miami, cidade frequentemente inundada e em ameaça permanente face ao aumento médio das águas do mar, tal como verifiquei nesse documentário de DiCaprio. Espero que ao contrário dos eleitores deste estado, todos os outros não metam água na hora de escolher o candidato certo, fazendo exactamente aquilo que é possível a todos fazer tal como sugerido na parte final de "Before de Flood", ou seja, escolher políticos com consciência ambiental. Trump dizia numa conferência "está um frio tremendo nesta sala. Onde está o aquecimento global quando faz falta". Pobre terra, e desgraçados dos terráqueos se existirem muitos como este.

poesia Orçamental

por António Simões, em 16.10.16

Sempre tive um grande problema com a disciplina e, por arrasto, com os professores de português. A minha capacidade limitada de interpretação dos textos nunca foi do agrado de nenhum, e a minha pouca disponibilidade para dar palha ou, por outras palavras mais educadas, para dar música, granjeou sempre muita pouca simpatia por parte do docente da disciplina. Estivesse em discussão uma estrofe de Camões, uma cantiga de escárnio e maldizer ou um excerto de "Os Maias", o conflito entre a minha redundância interpretativa e a capacidade esquisofrénica do professor e da maioria dos meus coleguinhas de turma para desenvolver as mais diversas teorias acerca daquilo que o escritor dizia nas entrelinhas do texto, foi batalha latente ao longo dos vários anos em que tive que levar com o ponto de vista que uns julgavam superior ao meu. Por isso mesmo que todos os anos não espero grande coisa da apresentação do Orçamento de Estado, e este último foi mais um bom exemplo de como o mesmo texto pode ser interpretado de maneiras diferentes, ficando sempre a dúvida sobre qual é o dono da razão. Tal como um poema, o OE para 2017 teve duas análises diametralmente opostas. Por um lado, temos a direita que defende o pleonasmo intrínseco do aumento da carga fiscal sobre os contribuintes. Do outro, temos a esquerda que garante a personificação da justiça social neste documento que repõe os direitos sobre a classe trabalhadora e o aumento das pensões. Ao meio está o sempre pau para toda a obra do contribuinte, que fiel à interpretação única e inalienável do pagamento dos impostos apenas se limita a cumprir o que os outros interpretam...

bomba Bombástica

por António Simões, em 12.10.16

O campeonato mundial da tecnologia de comunicações móveis tem vindo a ser alimentado por uma luta titânica, disputada essencialmente por duas empresas líderes de mercado, que ao longo dos últimos anos passaram da surpresa das inovações, ao inventar seja o que for para ter moral de colocar à venda um novo aparelho todos os anos, a um ritmo muito superior ao abate dos créditos bancários destinados à compra de modelos entretanto ultrapassados. Como seria de esperar esta escalada teria que ter ou um fim, ou uma mudança de sentido, situações que de um modo ou de outro foram identificadas pelas recentes explosões da última bomba (neste caso aplica-se o sentido literal) lançada pela Samsung. Os utilizadores já estão informados, as vendas foram suspensas, e os mercados bolsistas não tardarem em registar o síndrome de pânico inalienável neste tipo de situações. A Apple assiste a tudo de uma forma repousada no sofá, local donde não deve ter saído desde o desaparecimento de Steve Jobs. Este frenesim anual de ver quem é que tem o melhor smartphone foi no que deu, e no lugar deles temos este novo modelo de stupidphone, uma verdadeira bomba relógio (novamente o sentido literal é para ser respeitado) para o seu utilizador.

eleições ao Desafio

por António Simões, em 10.10.16

Decorreu nesta madrugada de Domingo o segundo debate presidencial para as eleições nos EUA. Seguindo um modelo que só mesmo poderia resultar num país como aquele, o debate fez-se num ambiente de descontracção onde os intervenientes dispunham de uma pequena mesa de apoio e um banco alto, de modelo semelhante ao que se usa no balcão de um café. Até aqui não há novidade alguma! O problema foi que este cenário associado à fraca qualidade dos participantes, muito impulsionada pelo candidato republicano, tornou aquilo que deveria ser um debate ao mais alto nível numa espécie de cantares ao desafio. Se Clinton acusava Trump daquilo que todos sabemos, Trump respondia com ameaças de investigação sobre o caso dos e-mails, caso venha a ser eleito presidente, e só faltou mesmo um acordeão para dar a este evento um colorido especial, bem disposto e ainda mais animado, de um típico arraial minhoto.

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