Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

E porque não eu?

terapia de reflexão para mentes livres e com paciência, SA ou Lda não interessa, pelo menos pensar não paga impostos

E porque não eu?

ídolos noutros Tempos

por António Simões, em 12.06.17

Nasci para a paixão pelo futebol vendo jogadores de calibre ímpar como Zé Beto, João Pinto, André, Jaime Magalhães, Sousa, Madjer, Mlynarczyk, Futre ou Fernando Gomes. Como era muito pequenito, a memória torna-se difusa na hora de ser preciso, mas lembro-me do dia em que o meu Porto veio a Monção para um jogo contra o Desportivo. Foi algo de mágico, como se de repente o impossível deixasse de o ser, e os ídolos que pareciam inacessíveis encontravam-se bem junto de mim. Tão junto que um deles, não me recordo qual, me levou ao colo para dentro do autocarro para eu continuar a coleccionar os tão preciosos autógrafos que eu ia juntando num pequeno bloco de notas. O bloco perdeu-se no tempo, mas uma bola autografada pelos Campeões Europeus de 1987 ainda conservo em casa, um verdadeiro troféu para um Portista de alma e coração como eu. Às assinaturas, ligeiramente gastas pela vontade de dar uns pontapés na alcatifa do meu quarto de pequeno, tenho procurado dar nova vida sempre que tenho a possibilidade de o fazer, quando esses ídolos tem a amabilidade de se deslocar a um dos pontos mais a norte deste pequeno país, para honrar com a sua presença os aniversários da Casa do Futebol Clube do Porto de Monção. Num deles, não desfazendo todos os outros, o Bi-Bota de ouro Fernando Gomes foi um dos convidados. Quase 30 anos depois de ter assinado a minha bola, este humilde redactor destas linhas pediu que renovasse a sua assinatura. De caneta na mão e bola na outra, expliquei o que tinha e o que queria, e na hora de lhe entregar a minha caneta as minhas mãos tremiam como varas verdes pelo nervosismo e excitação do momento. Um ídolo nunca se esquece, e tive a sorte de ainda pertencer a uma geração carregada de pessoas que merecem esse nome. Os tempos mudam, e mudam-se as vontades. Hoje não posso oferecer aos meus filhos pequenas e singelas experiências como essas, porque a realidade é bem diferente. A camisola com o número 10 do próximo ano já não terá o mesmo nome, e o mesmo se passa com muitas outras... ídolos só mesmo noutros tempos...

um disparo na Campanha

por António Simões, em 10.06.17

As eleições autárquicas ainda mal se vêem no horizonte, mas as máquinas partidárias já lubrificam as armas para a abertura oficial da caça ao voto. Perdoe o leitor por esta minha comparação, mas não julgue que a faço num sentido pejorativo qualquer, mas sim no sentido nobre da essência da caça, transportando-o para a luta política que mais não é do que o expoente máximo da democracia. Contudo, tal como em qualquer outra actividade que envolva os seres humanos, nem sempre as armas são as mesmas, e nem sempre se joga com o mesmo sentido de lealdade e nobreza. De eleições autárquicas só da minha terra poderei falar, porque só de Monção sei o que se passa, e de facto só deste antigo e belo concelho é que me interessa, motivo pelo qual aqui escrevo numa rara e singular vez. E se escrevo é porque fiquei verdadeiramente indignado com uma notícia que li, acerca da apresentação da candidatura do PSD à Câmara Municipal de Monção. Não discuto a forma, nem a apresentação, porque dos cofres de cada um, cada um deve falar por si, mas do que se diz e do que se afirma cada um tem responsabilidade pública. Para além dos discursos de circunstância encomendados da capital, o padrinho da apresentação comparou o candidato a Deu-la-Deu Martins. Pergunto-me se tal elevação foi feita pelo sentido histórico da heroína, ou na direcção de lenda? Segundo o edil dos Arcos de Valdevez a esposa do Capitão Mor de Monção de então "Salvou Monção do cerco! Salvou Monção da fome! Salvou Monção da derrota!", do mesmo modo que o seu apadrinhado o irá fazer mais de 700 anos depois. Com tamanha responsabilidade eu não gostaria de estar na pele do candidato, do mesmo modo que não gostaria de ter a capacidade argumentativa do padrinho, pois na hora de dar um tiro na decência e no respeito pela história e pelo presente de Monção não hesitou em puxar o gatilho.

os números da Bola

por António Simões, em 09.06.17

Não é a primeira vez e certamente não será a última que proclamo que "o mundo está completamente louco, sendo o fenómeno do futebol um bom exemplo disso mesmo, caminhando a passos largos para uma insanidade irreversível". Desafio quem tenha argumentos para refutar esta afirmação, mas desde já aviso que os meus fundamentos são veiculados diariamente pela imprensa, que das duas uma: ou se limita a informar acerca da insanidade do pessoal da bola; ou também já atingiu patamar tal que não é possível reverter a patologia, mesmo com a medicação mais avançada que actualmente existe. O certo é que se fala de milhões como eu falo do estado do tempo numa conversa de circunstância, e neste ponto dou razão aos nuestros hermanos que abreviam a coisa e no lugar de dizer que o Clube dos Cascalheiras de Baixo oferece 200 000 000 pela estrela do Real de Massamá, o famoso Cristiano Reinaldo, dizem que o valor da transferência ronda os 200 Kilos. Sejam Kilos, libras ou onças, os valores que "supostamente" circulam pelo mundo da bola à muito que perderam a vergonha da exploração, e os clubes de futebol com mais poder aproximam-se paulatinamente de uma espécie de governação ao estilo do feudalismo, devidamente orientados por organizações como a UEFA que ditam os mapas desse caminho de regresso ao passado. Por isso é sempre bom quando vozes esclarecidas se fazem ouvir, para alertar os mais incautos para os perigos desta "governação". Javier Tevas, presidente da Liga Espanhola, fez recentemente uma intervenção que deveria acordar os adeptos do futebol para a triste realidade que cada vez mais se assume como o futuro do fenómeno da bola redonda, onde prevê que o fosso entre os grandes clubes da Europa e todo os outros seja cada vez maior, mas pior do que isso é a visão de Apocalipse que tem para as pequenas ligas, tal como a nossa singela e pacata liga NOS, onde a viabilidade económica dos clubes só deve ter interesse para os viciados nos jogos do azar que já estão proibidos de entrar nos Casinos. O futebol mudou muito nos últimos 30 anos, mas não me parece que tenha sido para melhor...

eleições à Inglesa

por António Simões, em 08.06.17

O Reino Unido foi hoje a votos. A verdade é que estou verdadeiramente nas tintas com o resultado, porque tendo em conta que a sua saída já percorre o caminho da porta dos fundos não me parece que o que de lá vier nos traga algo de positivo, pois o que de positivo poderia vir já anda a ser negociado por essa Europa fora, na figura de todas as instituições europeias que tinham sede lá, e que agora precisam de um novo lar. No entanto, não deixo de admirar a clássica e típica maneira de estar inglesa, a terra dos cavaleiros, dos cavalheiros e dos gentlemen. As eleições foram então realizadas hoje, num vulgar dia da semana, e não tendo acesso aos números oficias não poderei construir o meu argumento com a solidez da matemática, mas sempre posso apostar numa análise sociológica para chegar a uma conclusão muito simples - isto não poderia acontecer na tugalândia! Se os nossos níveis de abstenção chegam frequentemente à maioria absoluta, em escrutínios realizados na pacatez dominical, imagine-se o que aconteceria se os mesmos fossem durante a semana. Se ao domingo a desculpa dos dias solarengos para ir à praia, ou a chuva e o frio que não permitem descalçar as pantufas levam os eleitores a assobiar para o lado acerca dos destinos do seu país, não consigo imaginar o ocorreria num dia útil da semana, pois se tivermos em conta que uma grande percentagem da população corresponde ao assalariado que vive ao sabor dos patrões, entidades enriquecidas do poder que os anos da troika por cá deixaram, não me parece que entre o dia de trabalho e as responsabilidades da casa sobre muito tempo para marcar a cruz no quadradinho...

doidos e Terroristas

por António Simões, em 06.06.17

Os noticiários continuam, infelizmente, a trazer notícias que colocam em perigo a democracia, o nosso modo de vida, e o quotidiano de milhões de pessoas por esse mundo fora. O último atentado em Londres ainda ocupava as primeiras páginas, e já hoje em Paris volta a acontecer algo que ainda não se sabe bem o que é. O que se está a viver é uma espécie de Guerra Fria que, ao contrário da anterior em que os dois blocos beligerantes estavam devidamente identificados e catalogados, se assume na sombra de entidades desconhecidas. Aos tristes e lamentáveis acontecimentos de suposto terrorismo, segue-se a reivindicação do acontecimento que pode tardar horas ou mesmo dias, mas que tem sido açambarcada pela mesma organização. Agora o que nos devemos perguntar, sem que isso contribua para aliviar o peso da injustiça e da desgraça que se abate sobre as famílias das vítimas, é até que ponto é que tudo isto não começa a ficar fora do controlo, e do terrorismo estarmos a viver também um clima de medo provocado por indivíduos desequilibrados que se revêm nestes acontecimentos e que deles querem também fazer parte. Caberá aos políticos e governantes encontrar uma solução que devolva a tão necessária paz que é essencial à sociedade humana, mas penso que os meios de comunicação social poderão dar uma inestimável ajuda, ao calibrar o seu dever de informação de forma a evitar fazer de algo que mais não é do que um acto de insana loucura, um serviço de publicidade gratuita.

o princípio do Fim

por António Simões, em 01.06.17

No dia 20 de Janeiro deste ano, publiquei um artigo com o título igual ao de hoje, com uma pequena diferença - o ponto de interrogação. Nesse dia, data em que Donald Trump tomou posse do cargo de Presidente dos E.U.A., a interrogação era uma figura de estilo que dava o beneficio da dúvida para um indivíduo que até então não se cansava de dar argumentos para eu, tal como muitos outros, ter a certeza do caminho que iria seguir. Hoje, poucos meses após esse dia, a interrogação já não faz sentido e Trump fez questão não só de rasgar os Acordos de Paris, como também destruir por completo a sua presunção de inocência, e argumento algum  pode justificar o fim de algo que tanto custou a conseguir. Negar as evidências do dia-a-dia e os avisos da comunidade cientifica internacional é algo que já não acontecia desde o tempo em que Galileu afirmou que a terra era redonda e orbitava à volta do sol, e tendo decorridos quase 500 anos desde esses tempos parece que a Inquisição sendo algo de um passado muito longínquo surge agora encarnada na figura de Donald Trump. A divina providência, no seu sentido de humor muito peculiar, proporcionou que o anuncio oficial ao mundo fosse feito no dia de hoje, dia mundial da Criança. No dia em que celebramos os seres humanos do amanhã, o mundo assistiu desde a primeira fila a um regresso ao passado de despotismo, arrogância e intolerância, verdadeiras setas apontadas ao coração desta velhinha terra que infelizmente não parece ter muita mais capacidade para aguentar a estupidez da raça que deveria ser sapiens, mas que no fundo é a menos inteligente de todas as criaturas que aqui habitam.

mais uma Lenda

por António Simões, em 28.05.17

Francesco Totti colocou hoje um ponto final na sua carreira, depois de ter representado o seu clube durante 25 anos, desde que no dia 28 de Março de 1993 se estreou pela sua equipa em jogos oficiais. Neste caso referir-se ao Roma como sua equipa poderá não ser um exagero, porque exemplos destes não sobram e cada vez mais se contam pelos dedos de uma mão, num mundo do futebol onde a perfídia do dinheiro vence qualquer obstáculo para atingir os fins desejados. Totti não foi um jogador qualquer, não tanto pelos títulos mas acima de tudo pela magia que só um verdadeiro número 10, merecedor dessa camisola, espalha pelo terreno de jogo. O mundo da bola segue de mão dada com o mundo do mundo, onde a lealdade e o respeito são valores que fazem parte de um passado cada vez mais longínquo, mas que de vez em quando convém relembrar e estudar, de modo a que exemplos como este não se tornem integralmente parte do passado. Arrivederci Totti!

 

www.youtube.com/watch?v=GxYXJvwrChk

 

estilo Diferente

por António Simões, em 25.05.17

Poderia divagar nas minhas minudências de argumentação, mas penso que o leitor ficará muito melhor servido se o próprio ler e comparar as mensagens que dois presidentes dos E.U.A. em anos diferentes deixaram no mesmo local - o Museu do Holocauto de Israel:

Barack Obama (2008) "Estou agradecido a Yad Vashem e aos seus responsáveis pela sua extraordinária instituição. Num tempo de grande perigo e promessas, guerra e progresso, estamos abençoados por ter uma recordação tão poderosa da capacidade humana em criar tanto mal, mas também da nossa capacidade de nos levantarmos e ultrapassar uma tragédia para reconstruir o nosso mundo. Os nossos filhos devem aqui vir e aprender a história, para que possam conosco unir-se e proclamar "nunca mais". E recordemo-nos daqueles que nos deixaram, não só como vítimas, mas também como indivíduos que tiveram esperança, amaram e sonharam como todos nós, e que se converteram em símbolos do espírito humano"

Donald Trump (2017) "É uma grande honra estar aqui com todos os meus amigos - é inacreditável, nunca o esquecerei".

As semelhanças são tão poucas, que caso o leitor tenha dúvida pode ver as mesagens escritas pelo punho de cada um em http://metro.co.uk/2017/05/23/trumps-words-at-the-holocaust-museum-have-been-contrasted-with-obamas-words-6656267/

efeito Marcelo

por António Simões, em 24.05.17

Existem muitos tipos de efeitos. Nas mais variadas categorias, em diversas disciplinas ou num sem fim de aplicações práticas diárias, os efeitos explicam e justificam fenómenos para o ser humano entender e deles tirar as devidas ilações: o efeito de estufa explica o aquecimento global; o efeito borboleta é o cerne da teoria do caos; o efeito doppler que justifica a percepção de som diferente por duas pessoas em locais distintos; o efeito de Bernoulli que permite aos aviões voar. Um sem fim de efeitos que acompanham teoremas, teorias, princípios ou postulados. Com pouco mais de um ano de presidência Marcelo Rebelo de Sousa já demonstrou que merece pertencer a esse conjunto de "efeitos". Como o registo de patentes está pela hora da morte, e sendo um singelo trabalhador de 40 horas semanais, não me sobra muito tempo para tratar dos direitos de autor desta ideia, pelo que arrisco aqui na escrita destas linhas para partilhar aquilo que ficará para a posteridade como o "efeito Marcelo". Desde 9 de Março que não param de acontecer coisas boas aqui pela tugalândia:

- em França, terra de emigrantes tugas, a Selecção Nacional conquistou um Campeonato da Europa, depois de ter consentido 3 empates contra adversários modestos, uma passagem aos quartos pela margem mínima contra a Croácia, penáltis salvadores contra a Polónia e a única vitória nos 90 minutos nas meias-finais contra o País de Gales. Só mesmo na final defrontamos um candidato ao título, e vencemos com um golo de um improvável Éder. Em 2004 eliminamos Espanha, Inglaterra, Holanda e perdemos a final com a improvável Grécia... palavras para quê;

- em Kiev, num festival europeu da canção que sempre premiou um estilo muito particular e inúmeras vezes peculiar, Salvador Sobral venceu com uma belíssima canção que rasga os cânones desse festival. Deve ter sido um caso de água mole em pedra dura, porque anteriormente já tínhamos enviado muita coisa boa, desde Simone de Oliveira "Desfolhada", Fernando Tordo "A Tourada", Paulo de Carvalho "E Depois do Adeus" ou Dulce Pontes "Lusitana Paixão"... palavras para quê;

- aqui pela Tugalândia, tivemos os anos do "Terror" em que coligação de direita governou como se fossem o Sheriff de Nottingam, a amealhar o dinheiro dos impostos para o Rei João, perdão o FMI, sem que conseguissem com essa actividade cega de colheita tirar o país do pântano. Chega agora uma geringonça que abre os cordões à bolsa, repõem os direitos dos trabalhadores ao melhor estilo de Robin dos Bosques e consegue tirar o país da miséria, com elogios de Wolfgang Schäuble que considerou Mário Centeno o "Cristiano Ronaldo do Ecofin"... palavras para quê.

Poderia certamente citar mais alguns exemplos, mas penso que estes três sobram em conteúdo para catalogar o "efeito Marcelo" como "o meio pelo qual temos chegado ao fim desejado, objectivo alcançado pela entropia desenvolvida pela actividade frenética e bem humorada do presidente da república mais jovial da história da tugalândia".

muito bem Donald

por António Simões, em 23.05.17

A César o que é de César! Se até ao momento não me tenho contido na hora de criticar e apontar o dedo ao actual presidente dos E.U.A., e seguindo uma linha de coerência argumentativa, desta feita tenho que dar os parabéns a Donald Trump! O mundo viveu ontem mais um episódio lamentável, desta vez em Manchester mas novamente durante um concerto musical. O terrorismo não dá tréguas, e os dementes que em seu nome perpetuam as tragédias não cessam a actividade hedionda e cobarde, em nome de algo que eles próprios não sabem o que é. As reacções não se fizeram esperar e Trump fez uma intervenção digna de nota, não tanto pela ameaça que deixou no ar, que reconforta quem clama por justiça, mas sim pela excelente caracterização de quem executa planos maquiavélicos como o de ontem. No seu discurso considerou que "chamar-lhe monstros é fazer-lhes a vontade" pois perante tal monstruosidade adjectivar desse modo é reconhecer o papel que desempenharam, aplicando-se muito melhor o termo "Losers", palavra que pode traduzir-se por perdedores ou, melhor ainda, por falhados. As palavras e os discursos nada fazem para apagar a dor de quem sofre com estas atrocidades, de pouco valem para desanuviar o clima de medo que paira um pouco por todo o mundo, mas sempre ajudam na hora de mitigar o futuro de um mundo escurecido, e desta vez trump esteve muito bem.

sétima República

por António Simões, em 22.05.17

Apesar de ainda recentemente ter lido um livro que demonstra que existem coisas que nascem torto mas que no final até se endireitam, contrariando o velho ditado popular, existem outras situações que provam que os antigos de burro nada tinham. Confirmando essa velha máxima temos um bom exemplo na sexta república brasileira. Em 1985 o Brasil entra no mundo da democracia, abandonando um regime militar que até então se "encarregou" dos destinos do país. A honra presidencial da 6ª República caberia a Tancredo Neves, não fosse o infortúnio ter batido à sua porta impedindo-o de tomar posse. Ao falecido presidente que não chegou a ser sucederam José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer. Nestes 32 anos o povo brasileiro teve 7 presidentes. Até ao momento apenas Fernando Henrique Cardoso passou incólume depois de ter ocupado o Palácio do Planalto, pois se não fosse a senhora da saia sem "calcinha" que acompanhou Itamar Franco num dia de Carnaval, o antigo presidente teria também efectuado uma governação isenta de escândalos. O resto é o que foi, e o que se vê. José Sarney não escapou aos rumores de corrupção. Lula da Silva foi mais longe, tal como a sua presença assídua nas barras dos tribunais o pode confirmar. Collor de Melo e Dilma Rousseff foram demitidos das suas funções, e pelo andar da carruagem o actual presidente terá o mesmo destino. Ou seja, o escândalo e a corrupção são adjectivos inalienáveis desta geração de governantes que não se cansam na hora de inventar o melhor modo de facilitar o trabalho a jornalistas e afins. O povo brasileiro é que está farto destas novelas, e o melhor é mudar o enredo e passar de vez para a sétima república.

twitter Trump

por António Simões, em 17.05.17

É certo que a cadeira já está aquecida, e a caneta já deve ter sido recarregada de tinta depois de tantos despachos a "despachar" o trabalho que Barack Obama desenvolveu ao longo dos seus dois mandatos, acabando com uma política que pelo menos durante uns tempos fez dos E.U.A. um país minimamente decente, mas o facto preponderante é que a procissão ainda vai no adro, e estes poucos meses em que Donald Trump anda a brincar aos presidentes só confirmam as piores previsões possíveis, e não permitem que se possa estipular um futuro, perante a neblina que a atitude de um mentecapto não para de lançar sobre tudo e sobre todos, com clara tendência para se tornar cada vez mais cerrada. Só agora, depois do mal estar feito, é que começa alguma contestação. Seria positivo para a humanidade que essa contestação fosse contra o fim do Obamacare, contra a construção do muro na fronteira mexicana, ou contra a ausência mais que certa dos E.U.A. dos acordos de Paris. Mas não. Trump começa a ser contestado pela suas deliberações governativas em sede do Twitter, ou pelas supostas fugas de informação para os "amigos" Russos. É caso para dizer "estes americanos estão loucos". Que estavam à espera?! Que sendo presidente deixaria de usar essa rede social como sempre usou durante a campanha, ou que não pagasse o cheque pelos favores que os "amigos" lhe fizeram ao se meterem pela porta dos fundos nas passadas eleições. Meteram-no lá! Agora levem com o twitter Trump até ao fim.

o que nasce torto também se Endireita

por António Simões, em 15.05.17

Foi pelo título que a curiosidade despertou, e que me levou a ler esta obra de uma pessoa que estamos mais habituados a ver pela televisão, mas que fez muito bem quando decidiu fazer aquilo que os jornalistas melhor sabem fazer - pesquisar. Num registo simples e prático, João Moleira apresenta um grande número de factos, acontecimentos e invenções que tinham tudo para não serem nada, mas que no final provaram que afinal de contas "o que nasce torto também se endireita".

a Hegemonia

por António Simões, em 14.05.17

É penoso para mim escrever estas linhas, mas nada melhor do que purgar os pensamentos para aliviar a mágoa que este quarto título seguido do clube da segunda circular que fica em frente do C.C Colombo me provoca. Ao longo de toda a minha vida nunca tinha assistido a algo de semelhante, habituado que estive a festejar com uma frequência muito superior a qualquer outro, seja a nível nacional, seja a nível internacional. Mas os tempos agora são outros, e o ciclo está definitivamente fechado por estes quatro campeonatos seguidos sem que o meu Porto tivesse apresentado os argumentos que fizeram a sua imagem de marca dos últimos 35 anos. A mística, a garra, e a vontade indómita de vencer perdeu-se pelo caminho por motivos vários que são demasiados para aqui apontar, perdendo-se assim a única vantagem competitiva que tinha em relação aos clubes do regime, equipas que pelo que representaram na história partem sempre na frente. Para ganhar o Porto tem que ser muito superior a todos os outros. Com uma capacidade mobilizadora que esmaga qualquer concorrência, o clube da luz assumiu o seu papel de sempre. Disse no início que escrevo com mágoa, e se o faço não é pelo amargo da derrota, mas sim pelo fel da injustiça que os meios de comunicação social não se cansam de aumentar. As vitórias de encarnado são transmitidas em directo durante horas a fio e os telejornais só têm essa notícia para apresentar. Ontem Salazar deveria estar contente...

papa e Papadores

por António Simões, em 12.05.17

Hoje é dia de visita à tugalândia do Papa Francisco. Jorge Mario Bergoglio trouxe à Igreja a brisa que desapareceu desde que João Paulo II nos deixou, e desde que assumiu as suas funções não parou de transportar essa frescura sob a forma de caridade, boa vontade e esperança, por todos os locais por onde passa e onde está. Temos nestes dias a honra e responsabilidade de receber o Papa Francisco, e estou certo que como tugas não deixaremos que a nossa fama de hospitalidade se fique pelo mito. É no entanto completamente impossível que esta visita seja excluída da presença dos papadores, sejam os do costume, sejam os de circunstância. Em Fátima não faltam exemplos bem demonstrativos disso mesmo, que nestes dias assumem contornos de ridículo ou, se quisermos falar de um modo mais eclesiástico, verificando-se situações de verdadeira blasfémia onde o despudor de uns face ao desespero de outros origina casos de contornos tais que não dignificam nada nem ninguém. Como se não fossem suficientes os inúmeros casos dos incógnitos que mancham toda esta envolvência, as nossas autoridades receberam por estes dias uma viatura, em regime de pro bono. Sendo oferecida, obviamente que não poderia ser recusada porque o ditado já diz que "a cavalo dado não se olha o dente", mas não deixa de ser mais um bom exemplo de como os papadores podem assumir várias formas, desta feita do modo mais matreiro possível e ao melhor estilo alemão, garantindo uma exposição e publicidade proporcional à expectativa do acontecimento. O Papa que prefere andar de autocarro terá assim guarda de honra nacional, confortavelmente sentada ao volante de um BMW i8 avalidado na ordem dos 143 mil euros.

a Reviravolta

por António Simões, em 11.05.17

Seguindo receita idêntica aos dois anteriores livros que li de Michael Connely, nesta obra o autor surpreende por mudar o sentido da sua personagem principal, sem que por esse motivo se tenha perdido o sabor que caracteriza qualquer um dos seus enredos. Nesta "Reviravolta" o advogado Haller surge no lado oposto da barricada, provando que afinal de contas não é apenas um jogador defensivo, apresentando-se neste livro como um excelente ponta de lança da acusação.

pontapé no Canelas

por António Simões, em 03.04.17

Quem diria que depois de um fim de semana de "Clássico" entre o clube da Luz e o Futebol Clube do Porto, os protagonistas do início da semana viriam directamente de uma divisão bem abaixo da primeira divisão, maIs precisamente da Divisão de Elite da Associação de Futebol do Porto. As imagens podem ter duas interpretações que variam no argumento mas que terminam, definitivamente, na mesma conclusão, dependendo essa análise do grau de conhecimento ao nível futebolístico, nomeadamente no que diz respeito ao histórico do referido clube. Para quem está fora do fenómeno "Canelas 2010", ao ver as imagens deve ficar a dúvida sobre se o que se vê se trata de um jogo de futebol, ou de uma partida de Rugby, a avaliar pelo tamanho de alguns dos "armários" que desajeitadamente se movimentam pelo campo. Só mesmo as presenças de uma bola redonda e de balizas com redes é que esclarecem o mais distraído acerca do desporto em causa, cujo desafio termina depois daquela agressão bárbara. Quem sabe o que tem vindo a acontecer ao longo do ano com essa equipa, mais precisamente no facto de algumas equipas terem recusado a deslocar-se ao seu "feudo", com medo de algo como aquilo que ontem aconteceu, ao verificar as imagens de ontem pode não ficar surpreendido, mas sem dúvida alguma que ficará igualmente indignado.

ao que Chegamos

por António Simões, em 30.03.17

Chegados que estamos ao décimo sétimo ano do advento do segundo milénio, e tendo resistido aos piores augúrios apocalípticos que preconizavam o fim do mundo com a chegada do ano 2000, seria de esperar que o mundo estivesse melhor no final desta segunda década do século XXI. No entanto a realidade é bem mais triste e pior do que aquilo que a lógica nos teria levado a acreditar. Convém também não seguir um discurso de velho do restelo afirmando que nunca se esteve tão mal como hoje, pois isso seria uma traição à história universal, e a todos os acontecimentos hediondos que precederam os dias de hoje, devidamente exponenciados no século transacto. Como traição à história já chega o ponto a que chegamos! Estamos em 2017 e assistimos no conforto do sofá devidamente respaldados pela mediocridade, adjectivo que passou do seu sentido pejorativo lato para a categoria de medalha de ouro olímpica, a todo um conjunto de acontecimentos que seriam impensáveis de surgir numa era onde a informação está ao alcance de todos. Esta terceira bola que orbita em volta do sol vive tempos verdadeiramente escuros com:

- um Presidente dos EUA repescado do pior capitalismo financeiro, que estudou pelos livros do conservadorismo mais radical, nos intervalos das suas sessões de bronzeamento artificial que lhe deixam aquela marca permanente nos olhos, e o cabelo recuperado por um restaurador Olex cuja validade já caducou por volta de década de oitenta;

- uma crise de refugiados que não parece ter fim à vista, e que procura solução em países que no tempo do colonialismo não tiveram qualquer pejo na hora de recolher os seus lucros, mas agora na hora de pagar os juros são os primeiros a sacudir a água do seu capote;

- uma União Europeia que vê os seus valores de fraternidade cada vez mais dilacerados, sobrando muito pouco dos tempos em que países beligerantes se juntaram para enterrar o machado de guerra. A saída do Reino Unido da zona euro abre um brecha terrível, e temo muito que não vai parar por aqui;

- o aquecimento global a subir a temperatura dos termómetros, provado por todos os fenómenos de extremos meteorológicos que repetidamente se verificam. A comunidade cientifica tem feito o seu papel, mas a ganância do homem continua a ser a sua prioridade, motivo pelo qual as dificuldades de entendimento se tem arrastado nos últimos anos. O pior de todo é que neste momento temos um lunático à frente do principal poluidor mundial que considera tudo isto uma charada, e agora junta-se uma figura de peso do lado frio desta guerra, um descendente encapuçado da estirpe de Estaline, que acha melhor adaptar-se ao aquecimento do que combate-lo.

- o radicalismo a subir de cotação. Se no médio oriente temos o radicalismo islâmico que se se vai escondendo nas dunas do deserto, na Europa temos a extrema-direita a lutar por um lugar ao sol... perdão, por um lugar nos governos. As eleições em França tem que servir de aviso ao mundo, e aguardemos que o desfecho das mesmas não seja aquele que tem vindo a pairar como mais uma ameaça à liberté, egalité e fraternité...

Posto isto é mesmo caso para dizer "ao que chegamos"...

aeroporto Cristiano

por António Simões, em 29.03.17

Um aeroporto é muito mais do que aquilo que se pode encontrar no dicionário como definição. É um local marcante de chegadas e partidas, uma porta de entrada para uma cidade ou para um país totalmente diferente de qualquer outra via ou meio, um espaço ciente das suas dimensões e dos seus limites, um território que frequentemente se funde numa torre de babel de transeuntes que se movimentam pelos mais diversos motivos. Como qualquer outro imóvel de interesse público, a atribuição de um nome nunca pode ser feita de forma leviana. Seja qual for a homenagem ou o homenageado, a escolha de um nome deve carregar um simbolismo que é uma espécie de espelho de todos aqueles que dele fazem parte - o povo. Se fizermos uma volta ao mundo poderemos encontrar bons e belos exemplos disso mesmo:

- Aeroporto Humberto Delgado, Lisboa - um homem que a seu tempo se encarregou de fazer frente ao "regime";

- Aeroporto Charles de Gaulle, Paris - o General com o qual os franceses sempre contaram ao longo de muitos anos;

- Aeroporto Otto Lilienthal, Berlim - alemão conhecido por ser um grande pioneiro da aviação;

- Aeroporto Leonardo da Vinci, Roma - o génio da história, e uma das maiores marcas deixadas pelo renascimento;

- Aeroporto José Marti, Santiago de Cuba - mártir na luta pela independência contra os colonizadores de Cuba;

- Aeroporto John F. Kennedy - uma esperança nos tempos difíceis da guerra fria, que não chegou a conhecer os cantos à Sala Oval;

- Aeroporto Oliver Tambo, Joanesburgo - fundador do ANC, foi junto com Nelson Mandela uma figura de incontornável importância na luta contra o Apartheid.

A atribuição do nome de Cristiano Ronaldo ao Aeroporto do Funchal faz parte de uma histeria colectiva que parece não ter fim, alimentada pela paranóia e mediocridade que paulatinamente vai minando a opinião pública. Estou convicto da importância desse grande astro do futebol e reconheço a sua força, vontade e capacidade de trabalho que lhe permitiu chegar onde chegou sempre com uma inabalável vontade de conseguir mais e melhor. Contudo, dar tamanha importância a um "miúdo" de 32 anos que mais não faz do que cumprir de forma zelosa a sua profissão é algo com o qual não posso concordar. Isto é menosprezar tanta coisa que seria difícil e exaustivo catalogar. A jogada que está por detrás desta "homenagem" é a prova viva que nos dias de hoje vale tudo, sendo a bandeira dos valores recolhida e arrumada no baú das recordações, para se erguer agora no baluarte principal a bandeira tricolor da volúpia, da soberba e da altivez.

luz em Marte

por António Simões, em 25.03.17

O mundo pode não ter neste momento uma luz no fundo do túnel, mas pelo menos o brilho de Marte pode muito bem tornar-se a esperança num planeta melhor. Recentemente tem vindo a público algumas notícias acerca da vontade de colocar o homem em Marte, e a última acende a chama que se apagou com as últimas eleições norte-americanas. Donald Trump vai disponibilizar uma quantia como a NASA há muito não via, porque quer que os EUA sejam mais uma vez pioneiros na aventura espacial, sendo seu desejo acérrimo colocar um americano a pisar o solo de Marte. Aguardemos pois serenamente pelo trabalho da agência espacial americana, e vamos alimentar o sonho de que a excentricidade de Trump vá para além dos seus limites, e o mesmo se ofereça para ser o primeiro ser humano a pisar o solo do planeta vermelho. É certo que se isso algum dia acontecer Marte vai continuar sem vestígios de vida inteligente, mas pelos menos durante uns tempos a vida no planeta azul será deveras muito melhor...

Blogs Portugal

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D

Posts mais comentados