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E porque não eu?

terapia de reflexão para mentes livres e com paciência, SA ou Lda não interessa, pelo menos pensar não paga impostos

E porque não eu?

sociedade Actual

por António Simões, em 29.06.17

É torturante conviver na sociedade actual! Num momento da "suposta" evolução do ser humano em que teríamos tudo para sermos o expoente máximo do caminho que se iniciou na estepe africana, não faltam os maus exemplos para constatar que o termo sapiens só pode ter sido mesmo adjectivado por quem o inventou, pois se tivéssemos que ser classificados por outros, de certeza que a taxonomia se ficaria pelo homo. As guerras, a fome e a injustiça continuam a preencher o nosso dia-a-dia, e chegam como demonstração da falibilidade da inteligência humana, bem como a constatação do espírito animal de sobrevivência e a nossa quota parte de irracionalidade que partilhamos com todas as outras espécies, às quais com a maior da jactância lhes chamamos de "animais irracionais". Irracionais ou não, têm bem definidos os seus limites de razoabilidade, bem como a posição que ocupam em cada uma das suas proto-sociedades. Hoje em dia, a nossa sociedade "humana" vive numa aldeia global onde o inverossímil se transforma com um pequeno toque de Midas, e existindo dinheiro e mediatismo tudo se consegue, de um modo que faria inveja ao mesmíssimo Rei da Frígia. Do mesmo modo que a sorte protege os audazes, a fama e o dinheiro devem produzir efeito semelhante na hora de assobiar para o lado e ignorar os atentados à decência, à humanidade, e à razoabilidade de actos que figuras de renome do nosso mundo actual por vezes praticam, ultrapassando todos os limites sem que por isso mesmo sejam criticadas ou apontadas. Viver hoje em sociedade é muito mais difícil do que antigamente, pois o círculo que então era muito circunscrito tornou-se progressivamente imenso, aumentando o sentimento de indignação quando esta não aparece quando deveria de aparecer.

habemos Hóquei

por António Simões, em 17.06.17

Obviamente que nenhum outro desporto pode ocupar os tempos de antena e a atenção dos tugas, que não seja o futebol. Mas este sábado o fim do campeonato de hóquei em patins fez justiça ao desporto em que os tugas são indubitavelmente os melhores do mundo, ao contrário do futebol em que o título europeu nos fez subir a crista, de um galo que não deve durar muito até ficar bem depenado... O certo é que o meu Futebol Clube do Porto venceu o título nacional, depois do confronto entre os clubes da segunda circular da capital ter terminado com um empate no marcador. Sequioso por títulos, estava a ver o desafio entre os clubes do antigo regime, certo que estava da vitória do meu clube. O jogo foi impróprio para corações fracos, mas pior do que isso foi ter que assistir num canal supostamente isento, tornando o desafio totalmente desaconselhado para quem dispõe de um sentido de justiça. O comentador da TVI 24 limitou-se ao anuncio formal dos golos dos verdinhos, mas já no que diz respeito aos golos dos vermelhinhos o seu festejo foi ao nível do clímax atingido pelo contacto sexual de um náufrago, depois de décadas de vida solitária numa ilha selvagem ao largo da costa do Chile. O fim do jogo trouxe um sabor amargo de um empate embrulhado em derrota, e até admirei esse indíviduo que poderia ter continuado numa espécie de alienação paranóica da função para o qual foi contratado, tendo feito o que melhor poderia fazer... calar-se e ver a festa nos tons mais bonitos do mundo - o AZUL E BRANCO.

chuva por Encomenda

por António Simões, em 13.06.17

Está para breve a publicação numa das maiores revistas do mundo da meteorologia e geofísica, um estudo acerca da influência da lavagem do meu carro na precipitação. De facto, após vários anos de averiguações, um equipa de cientistas internacionais foi alertada por este fenómeno que se encontra ao nível da influência provocada pelo anticiclone dos Açores. Perante estes factos, nada melhor do que ver o assunto pelo prisma do copo meio cheio, e em lugar de ver uma lavagem efectuada em vão, vejo uma grande possibilidade de negócio. Assim, já procurei uma equipa de informáticos para desenvolver um site, que servirá para se efectuar encomendas de precipitação. Todos os interessados, desde o singelo agricultor, ao empresário das grandes explorações agrícolas, passando pelos condutores de Formula 1 que conduzem melhor à chuva, e acabando nas empresas hidro-eléctricas que pretendem renovar o caudal das bacias das barragens, poderão efectuar a sua encomenda de chuva, e assim apesar de continuar com o problema por resolver, pelo menos lavo o carro mais vezes do que actualmente.

ídolos noutros Tempos

por António Simões, em 12.06.17

Nasci para a paixão pelo futebol vendo jogadores de calibre ímpar como Zé Beto, João Pinto, André, Jaime Magalhães, Sousa, Madjer, Mlynarczyk, Futre ou Fernando Gomes. Como era muito pequenito, a memória torna-se difusa na hora de ser preciso, mas lembro-me do dia em que o meu Porto veio a Monção para um jogo contra o Desportivo. Foi algo de mágico, como se de repente o impossível deixasse de o ser, e os ídolos que pareciam inacessíveis encontravam-se bem junto de mim. Tão junto que um deles, não me recordo qual, me levou ao colo para dentro do autocarro para eu continuar a coleccionar os tão preciosos autógrafos que eu ia juntando num pequeno bloco de notas. O bloco perdeu-se no tempo, mas uma bola autografada pelos Campeões Europeus de 1987 ainda conservo em casa, um verdadeiro troféu para um Portista de alma e coração como eu. Às assinaturas, ligeiramente gastas pela vontade de dar uns pontapés na alcatifa do meu quarto de pequeno, tenho procurado dar nova vida sempre que tenho a possibilidade de o fazer, quando esses ídolos tem a amabilidade de se deslocar a um dos pontos mais a norte deste pequeno país, para honrar com a sua presença os aniversários da Casa do Futebol Clube do Porto de Monção. Num deles, não desfazendo todos os outros, o Bi-Bota de ouro Fernando Gomes foi um dos convidados. Quase 30 anos depois de ter assinado a minha bola, este humilde redactor destas linhas pediu que renovasse a sua assinatura. De caneta na mão e bola na outra, expliquei o que tinha e o que queria, e na hora de lhe entregar a minha caneta as minhas mãos tremiam como varas verdes pelo nervosismo e excitação do momento. Um ídolo nunca se esquece, e tive a sorte de ainda pertencer a uma geração carregada de pessoas que merecem esse nome. Os tempos mudam, e mudam-se as vontades. Hoje não posso oferecer aos meus filhos pequenas e singelas experiências como essas, porque a realidade é bem diferente. A camisola com o número 10 do próximo ano já não terá o mesmo nome, e o mesmo se passa com muitas outras... ídolos só mesmo noutros tempos...

um disparo na Campanha

por António Simões, em 10.06.17

As eleições autárquicas ainda mal se vêem no horizonte, mas as máquinas partidárias já lubrificam as armas para a abertura oficial da caça ao voto. Perdoe o leitor por esta minha comparação, mas não julgue que a faço num sentido pejorativo qualquer, mas sim no sentido nobre da essência da caça, transportando-o para a luta política que mais não é do que o expoente máximo da democracia. Contudo, tal como em qualquer outra actividade que envolva os seres humanos, nem sempre as armas são as mesmas, e nem sempre se joga com o mesmo sentido de lealdade e nobreza. De eleições autárquicas só da minha terra poderei falar, porque só de Monção sei o que se passa, e de facto só deste antigo e belo concelho é que me interessa, motivo pelo qual aqui escrevo numa rara e singular vez. E se escrevo é porque fiquei verdadeiramente indignado com uma notícia que li, acerca da apresentação da candidatura do PSD à Câmara Municipal de Monção. Não discuto a forma, nem a apresentação, porque dos cofres de cada um, cada um deve falar por si, mas do que se diz e do que se afirma cada um tem responsabilidade pública. Para além dos discursos de circunstância encomendados da capital, o padrinho da apresentação comparou o candidato a Deu-la-Deu Martins. Pergunto-me se tal elevação foi feita pelo sentido histórico da heroína, ou na direcção de lenda? Segundo o edil dos Arcos de Valdevez a esposa do Capitão Mor de Monção de então "Salvou Monção do cerco! Salvou Monção da fome! Salvou Monção da derrota!", do mesmo modo que o seu apadrinhado o irá fazer mais de 700 anos depois. Com tamanha responsabilidade eu não gostaria de estar na pele do candidato, do mesmo modo que não gostaria de ter a capacidade argumentativa do padrinho, pois na hora de dar um tiro na decência e no respeito pela história e pelo presente de Monção não hesitou em puxar o gatilho.

os números da Bola

por António Simões, em 09.06.17

Não é a primeira vez e certamente não será a última que proclamo que "o mundo está completamente louco, sendo o fenómeno do futebol um bom exemplo disso mesmo, caminhando a passos largos para uma insanidade irreversível". Desafio quem tenha argumentos para refutar esta afirmação, mas desde já aviso que os meus fundamentos são veiculados diariamente pela imprensa, que das duas uma: ou se limita a informar acerca da insanidade do pessoal da bola; ou também já atingiu patamar tal que não é possível reverter a patologia, mesmo com a medicação mais avançada que actualmente existe. O certo é que se fala de milhões como eu falo do estado do tempo numa conversa de circunstância, e neste ponto dou razão aos nuestros hermanos que abreviam a coisa e no lugar de dizer que o Clube dos Cascalheiras de Baixo oferece 200 000 000 pela estrela do Real de Massamá, o famoso Cristiano Reinaldo, dizem que o valor da transferência ronda os 200 Kilos. Sejam Kilos, libras ou onças, os valores que "supostamente" circulam pelo mundo da bola à muito que perderam a vergonha da exploração, e os clubes de futebol com mais poder aproximam-se paulatinamente de uma espécie de governação ao estilo do feudalismo, devidamente orientados por organizações como a UEFA que ditam os mapas desse caminho de regresso ao passado. Por isso é sempre bom quando vozes esclarecidas se fazem ouvir, para alertar os mais incautos para os perigos desta "governação". Javier Tevas, presidente da Liga Espanhola, fez recentemente uma intervenção que deveria acordar os adeptos do futebol para a triste realidade que cada vez mais se assume como o futuro do fenómeno da bola redonda, onde prevê que o fosso entre os grandes clubes da Europa e todo os outros seja cada vez maior, mas pior do que isso é a visão de Apocalipse que tem para as pequenas ligas, tal como a nossa singela e pacata liga NOS, onde a viabilidade económica dos clubes só deve ter interesse para os viciados nos jogos do azar que já estão proibidos de entrar nos Casinos. O futebol mudou muito nos últimos 30 anos, mas não me parece que tenha sido para melhor...

eleições à Inglesa

por António Simões, em 08.06.17

O Reino Unido foi hoje a votos. A verdade é que estou verdadeiramente nas tintas com o resultado, porque tendo em conta que a sua saída já percorre o caminho da porta dos fundos não me parece que o que de lá vier nos traga algo de positivo, pois o que de positivo poderia vir já anda a ser negociado por essa Europa fora, na figura de todas as instituições europeias que tinham sede lá, e que agora precisam de um novo lar. No entanto, não deixo de admirar a clássica e típica maneira de estar inglesa, a terra dos cavaleiros, dos cavalheiros e dos gentlemen. As eleições foram então realizadas hoje, num vulgar dia da semana, e não tendo acesso aos números oficias não poderei construir o meu argumento com a solidez da matemática, mas sempre posso apostar numa análise sociológica para chegar a uma conclusão muito simples - isto não poderia acontecer na tugalândia! Se os nossos níveis de abstenção chegam frequentemente à maioria absoluta, em escrutínios realizados na pacatez dominical, imagine-se o que aconteceria se os mesmos fossem durante a semana. Se ao domingo a desculpa dos dias solarengos para ir à praia, ou a chuva e o frio que não permitem descalçar as pantufas levam os eleitores a assobiar para o lado acerca dos destinos do seu país, não consigo imaginar o ocorreria num dia útil da semana, pois se tivermos em conta que uma grande percentagem da população corresponde ao assalariado que vive ao sabor dos patrões, entidades enriquecidas do poder que os anos da troika por cá deixaram, não me parece que entre o dia de trabalho e as responsabilidades da casa sobre muito tempo para marcar a cruz no quadradinho...

doidos e Terroristas

por António Simões, em 06.06.17

Os noticiários continuam, infelizmente, a trazer notícias que colocam em perigo a democracia, o nosso modo de vida, e o quotidiano de milhões de pessoas por esse mundo fora. O último atentado em Londres ainda ocupava as primeiras páginas, e já hoje em Paris volta a acontecer algo que ainda não se sabe bem o que é. O que se está a viver é uma espécie de Guerra Fria que, ao contrário da anterior em que os dois blocos beligerantes estavam devidamente identificados e catalogados, se assume na sombra de entidades desconhecidas. Aos tristes e lamentáveis acontecimentos de suposto terrorismo, segue-se a reivindicação do acontecimento que pode tardar horas ou mesmo dias, mas que tem sido açambarcada pela mesma organização. Agora o que nos devemos perguntar, sem que isso contribua para aliviar o peso da injustiça e da desgraça que se abate sobre as famílias das vítimas, é até que ponto é que tudo isto não começa a ficar fora do controlo, e do terrorismo estarmos a viver também um clima de medo provocado por indivíduos desequilibrados que se revêm nestes acontecimentos e que deles querem também fazer parte. Caberá aos políticos e governantes encontrar uma solução que devolva a tão necessária paz que é essencial à sociedade humana, mas penso que os meios de comunicação social poderão dar uma inestimável ajuda, ao calibrar o seu dever de informação de forma a evitar fazer de algo que mais não é do que um acto de insana loucura, um serviço de publicidade gratuita.

o princípio do Fim

por António Simões, em 01.06.17

No dia 20 de Janeiro deste ano, publiquei um artigo com o título igual ao de hoje, com uma pequena diferença - o ponto de interrogação. Nesse dia, data em que Donald Trump tomou posse do cargo de Presidente dos E.U.A., a interrogação era uma figura de estilo que dava o beneficio da dúvida para um indivíduo que até então não se cansava de dar argumentos para eu, tal como muitos outros, ter a certeza do caminho que iria seguir. Hoje, poucos meses após esse dia, a interrogação já não faz sentido e Trump fez questão não só de rasgar os Acordos de Paris, como também destruir por completo a sua presunção de inocência, e argumento algum  pode justificar o fim de algo que tanto custou a conseguir. Negar as evidências do dia-a-dia e os avisos da comunidade cientifica internacional é algo que já não acontecia desde o tempo em que Galileu afirmou que a terra era redonda e orbitava à volta do sol, e tendo decorridos quase 500 anos desde esses tempos parece que a Inquisição sendo algo de um passado muito longínquo surge agora encarnada na figura de Donald Trump. A divina providência, no seu sentido de humor muito peculiar, proporcionou que o anuncio oficial ao mundo fosse feito no dia de hoje, dia mundial da Criança. No dia em que celebramos os seres humanos do amanhã, o mundo assistiu desde a primeira fila a um regresso ao passado de despotismo, arrogância e intolerância, verdadeiras setas apontadas ao coração desta velhinha terra que infelizmente não parece ter muita mais capacidade para aguentar a estupidez da raça que deveria ser sapiens, mas que no fundo é a menos inteligente de todas as criaturas que aqui habitam.

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