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E porque não eu?

terapia de reflexão para mentes livres e com paciência, SA ou Lda não interessa, pelo menos pensar não paga impostos

E porque não eu?

ao que Chegamos

por António Simões, em 30.03.17

Chegados que estamos ao décimo sétimo ano do advento do segundo milénio, e tendo resistido aos piores augúrios apocalípticos que preconizavam o fim do mundo com a chegada do ano 2000, seria de esperar que o mundo estivesse melhor no final desta segunda década do século XXI. No entanto a realidade é bem mais triste e pior do que aquilo que a lógica nos teria levado a acreditar. Convém também não seguir um discurso de velho do restelo afirmando que nunca se esteve tão mal como hoje, pois isso seria uma traição à história universal, e a todos os acontecimentos hediondos que precederam os dias de hoje, devidamente exponenciados no século transacto. Como traição à história já chega o ponto a que chegamos! Estamos em 2017 e assistimos no conforto do sofá devidamente respaldados pela mediocridade, adjectivo que passou do seu sentido pejorativo lato para a categoria de medalha de ouro olímpica, a todo um conjunto de acontecimentos que seriam impensáveis de surgir numa era onde a informação está ao alcance de todos. Esta terceira bola que orbita em volta do sol vive tempos verdadeiramente escuros com:

- um Presidente dos EUA repescado do pior capitalismo financeiro, que estudou pelos livros do conservadorismo mais radical, nos intervalos das suas sessões de bronzeamento artificial que lhe deixam aquela marca permanente nos olhos, e o cabelo recuperado por um restaurador Olex cuja validade já caducou por volta de década de oitenta;

- uma crise de refugiados que não parece ter fim à vista, e que procura solução em países que no tempo do colonialismo não tiveram qualquer pejo na hora de recolher os seus lucros, mas agora na hora de pagar os juros são os primeiros a sacudir a água do seu capote;

- uma União Europeia que vê os seus valores de fraternidade cada vez mais dilacerados, sobrando muito pouco dos tempos em que países beligerantes se juntaram para enterrar o machado de guerra. A saída do Reino Unido da zona euro abre um brecha terrível, e temo muito que não vai parar por aqui;

- o aquecimento global a subir a temperatura dos termómetros, provado por todos os fenómenos de extremos meteorológicos que repetidamente se verificam. A comunidade cientifica tem feito o seu papel, mas a ganância do homem continua a ser a sua prioridade, motivo pelo qual as dificuldades de entendimento se tem arrastado nos últimos anos. O pior de todo é que neste momento temos um lunático à frente do principal poluidor mundial que considera tudo isto uma charada, e agora junta-se uma figura de peso do lado frio desta guerra, um descendente encapuçado da estirpe de Estaline, que acha melhor adaptar-se ao aquecimento do que combate-lo.

- o radicalismo a subir de cotação. Se no médio oriente temos o radicalismo islâmico que se se vai escondendo nas dunas do deserto, na Europa temos a extrema-direita a lutar por um lugar ao sol... perdão, por um lugar nos governos. As eleições em França tem que servir de aviso ao mundo, e aguardemos que o desfecho das mesmas não seja aquele que tem vindo a pairar como mais uma ameaça à liberté, egalité e fraternité...

Posto isto é mesmo caso para dizer "ao que chegamos"...

aeroporto Cristiano

por António Simões, em 29.03.17

Um aeroporto é muito mais do que aquilo que se pode encontrar no dicionário como definição. É um local marcante de chegadas e partidas, uma porta de entrada para uma cidade ou para um país totalmente diferente de qualquer outra via ou meio, um espaço ciente das suas dimensões e dos seus limites, um território que frequentemente se funde numa torre de babel de transeuntes que se movimentam pelos mais diversos motivos. Como qualquer outro imóvel de interesse público, a atribuição de um nome nunca pode ser feita de forma leviana. Seja qual for a homenagem ou o homenageado, a escolha de um nome deve carregar um simbolismo que é uma espécie de espelho de todos aqueles que dele fazem parte - o povo. Se fizermos uma volta ao mundo poderemos encontrar bons e belos exemplos disso mesmo:

- Aeroporto Humberto Delgado, Lisboa - um homem que a seu tempo se encarregou de fazer frente ao "regime";

- Aeroporto Charles de Gaulle, Paris - o General com o qual os franceses sempre contaram ao longo de muitos anos;

- Aeroporto Otto Lilienthal, Berlim - alemão conhecido por ser um grande pioneiro da aviação;

- Aeroporto Leonardo da Vinci, Roma - o génio da história, e uma das maiores marcas deixadas pelo renascimento;

- Aeroporto José Marti, Santiago de Cuba - mártir na luta pela independência contra os colonizadores de Cuba;

- Aeroporto John F. Kennedy - uma esperança nos tempos difíceis da guerra fria, que não chegou a conhecer os cantos à Sala Oval;

- Aeroporto Oliver Tambo, Joanesburgo - fundador do ANC, foi junto com Nelson Mandela uma figura de incontornável importância na luta contra o Apartheid.

A atribuição do nome de Cristiano Ronaldo ao Aeroporto do Funchal faz parte de uma histeria colectiva que parece não ter fim, alimentada pela paranóia e mediocridade que paulatinamente vai minando a opinião pública. Estou convicto da importância desse grande astro do futebol e reconheço a sua força, vontade e capacidade de trabalho que lhe permitiu chegar onde chegou sempre com uma inabalável vontade de conseguir mais e melhor. Contudo, dar tamanha importância a um "miúdo" de 32 anos que mais não faz do que cumprir de forma zelosa a sua profissão é algo com o qual não posso concordar. Isto é menosprezar tanta coisa que seria difícil e exaustivo catalogar. A jogada que está por detrás desta "homenagem" é a prova viva que nos dias de hoje vale tudo, sendo a bandeira dos valores recolhida e arrumada no baú das recordações, para se erguer agora no baluarte principal a bandeira tricolor da volúpia, da soberba e da altivez.

luz em Marte

por António Simões, em 25.03.17

O mundo pode não ter neste momento uma luz no fundo do túnel, mas pelo menos o brilho de Marte pode muito bem tornar-se a esperança num planeta melhor. Recentemente tem vindo a público algumas notícias acerca da vontade de colocar o homem em Marte, e a última acende a chama que se apagou com as últimas eleições norte-americanas. Donald Trump vai disponibilizar uma quantia como a NASA há muito não via, porque quer que os EUA sejam mais uma vez pioneiros na aventura espacial, sendo seu desejo acérrimo colocar um americano a pisar o solo de Marte. Aguardemos pois serenamente pelo trabalho da agência espacial americana, e vamos alimentar o sonho de que a excentricidade de Trump vá para além dos seus limites, e o mesmo se ofereça para ser o primeiro ser humano a pisar o solo do planeta vermelho. É certo que se isso algum dia acontecer Marte vai continuar sem vestígios de vida inteligente, mas pelos menos durante uns tempos a vida no planeta azul será deveras muito melhor...

deputado NASA

por António Simões, em 24.03.17

A NASA procura voluntários para estarem um mês inteiro deitados, sem sair do sítio, sendo permitido tudo aquilo que se pode fazer deitado, tirando toda e qualquer actividade que atente contra o pudor. Como forma de aliciar os mais que previsíveis candidatos é oferecido um cheque no valor de 13 mil euros, juntamente com um programa de recuperação posterior, que incluiu sessões de fisioterapia para voltar a adequar o corpo à actividade muscular. Acho interessante estender à comunidade a possibilidade de pertencer ao programa espacial dos EUA, mas penso que os melhores candidatos, para simular as condições que o corpo humano fica sujeito a esses dias de inactividade e que correspondem ao período previsto para uma viagem futura a Marte, não se encontram no seio do povo, mas sim nos seus representantes democraticamente eleitos - os deputados.  Tirando casos de actividade parlamentar muito pontual, cuja representação se resume a um punhado de elementos, o grosso do parlamento é constituído por tipos que podem não ter passado tantos dias seguidos na condição em estudo, mas sem dúvida alguma que experiência e horas de treino não lhes faltam...

telhados de Vidro

por António Simões, em 23.03.17

De repente esqueci-me do atalho para copiar e colar, motivo pelo qual não posso aqui referir-me do modo mais correcto e preciso ao nome do presidente do eurogrupo, posição que ocupa juntamente com o cargo de ministro das finanças da Holanda. Posto isto e referindo-me a essa pessoa por "indivíduo", gostaria de não passar ao lado da polémica levantada pela sua intervenção na qual cataloga os países do sul da Europa com uma versão mais eufemizada da versão tuga de "p***s e vinho verde". Esse individuo, apesar de ter feito uma intervenção a nível pessoal, é um belo estereótipo do europeu do norte que se rói de inveja por não ter nascido num país do sul, latitude prenhe de nações que para além de transportarem o pesado fardo de terem marcado a história universal como os países do norte nunca o fizeram, são também Estados Soberanos onde se "padece" com as agruras de um clima mediterrâneo onde o sol reina durante grande parte do ano, e onde se faz o sacrifício de cumprir ao rigor dietas alimentares que não seriam possíveis nas terras do norte, onde com certeza absoluta se deve apreciar o muito e bom vinho que pelo sul se faz. A Grécia dos Gregos, a Itália dos Romanos e a Espanha e Portugal dos descobrimentos podem muito bem ter perdido o comboio em alguma paragem da história, mas em momento algum perderam a dignidade que faz estes países pertenceram às maiores nações do mundo. Respeito faz falta, e retratar-se nunca fez mal a ninguém...

assim foi Auschwitz

por António Simões, em 22.03.17

Este livro reúne textos e intervenções públicas de Primo Levi e de Leonardo de Benedetti, antigos prisioneiros do Campo de Extermínio de Auschwitz que tiveram a sorte que outros 6 milhões de judeus não conseguiram ter, que como forma de honrarem os que de lá não saíram para contar a história se encarregaram de deixar bem claro e vincado o seu testemunho, sendo este livro e o seu conteúdo um vivo exemplo disso mesmo. Para quem leu "Se isto é um homem" de Primo Levi neste livro não encontra o retrato frio e evidente das atrocidades que se cometeram nesses tempos de terror. Sendo intervenções manifestadas após o fim da guerra, os seus autores marcaram o seu tempo e não se esquivaram na hora de apontar o dedo, sempre com a preocupação latente de que o mundo não se esquecesse do que aconteceu, não só para servir de alerta para que algo de tão ignóbil volte a acontecer, mas também para dar voz a todas as almas inocentes que em Auschiwtz foram silenciadas.

o Veredicto

por António Simões, em 21.03.17

A receita tem exactamente os mesmos ingredientes, mas apesar do prato final ser bastante diferente o sabor é em tudo semelhante. Neste segundo livro que leio de Michael Connelly cimentei a ideia com que fiquei do primeiro, um autor que sem dúvida alguma tem o talento necessário para escrever policiais, com um conhecimento muito aprofundado do meio jurídico estado-unidense, que agarra desde as primeiras linhas o interesse do leitor, como se o próprio fizesse parte do jurado encarregue de atribuir um veredicto final.

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