Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

E porque não eu?

terapia de reflexão para mentes livres e com paciência, SA ou Lda não interessa, pelo menos pensar não paga impostos

E porque não eu?

aprender com a História

por António Simões, em 26.01.17

Os dois grandes conflitos à escala mundial tiveram muito pouco em comum, para além do óbvio facto de serem mundiais e de terem dado origem a uma mortandade como nunca se viu, provocada pelo que há de pior no ser humano - o ódio. Em 1914 bastou um jovem sérvio disparar sobre um arquiduque para se começarem a cavar as trincheiras, pois nessa altura o conflito estava mais que iminente e quase que existia um acordo tácito para se pegarem nas armas. Em 1939 a situação foi bem diferente, e a guerra foi protelada o mais que se pode pois durante uma década o mundo ignorou o que se passava na Alemanha, assobiando para o lado enquanto a tinta amarela se encarregava de marcar a Estrela de David em todo quanto fosse propriedade de Judeus. Pouco depois de Neville Chamberlain assinar o Acordo de Munique, militares e civis alemães levaram a cabo a Kristallnacht, e apenas volvido um ano as tropas de Hitler invadiam a Polónia colocando fim à paz podre que então reinava. 70 anos após estes últimos acontecimentos não sei em que ponto estamos, mas nunca tive tanta certeza como hoje que de facto o homem não aprende com a história. A presidência de Trump não conta com uma semana, e de repente o clima mudou completamente. A tolerância e a solidariedade deram lugar à impertinência e à prepotência que no fundo caracteriza essa grande nação que são os EUA, e que agora contam com um mentecapto para os liderar, num caminho cujo destino é desconhecido, mas que me parece não conduzir a nada de bom. A história está escrita, mas o futuro é uma terrível incógnita.

sermão por Encomenda

por António Simões, em 21.01.17

Ainda não tinha tomado posse como Presidente dos EUA e a sua influência já se fazia sentir. Horas antes da cerimónia oficial, e ao melhor estilo tradicional americano, Trump e família assistiram a uma missa que não sendo a de Domingo teve na mesma direito a sermão, não cantado mas totalmente encomendado. O pároco da cerimónia fez questão de imitar o seu "amigo" de longa data e partilhou com o mundo o conteúdo do sermão proferido, através da sua conta pessoal no twitter: "Quando penso em si, Presidente-eleito Trump, lembro-me de outro grande líder que Deus escolheu há milhares de anos em Israel. O primeiro passo da reconstrução da nação (de Jerusalém) foi construir um grande muro. Deus disse a Neemias para construir um muro em redor de Jerusalém para proteger os seus cidadãos dos ataques dos inimigos. Vejamos, Deus não é contra a construção de muros!”. Abençoado pela paróquia local Donald Trump pode assim encomendar o cimento e os tijolos para a construção do muro na fronteira com o México. O mundo continua a não aprender com os erros do passado, e a alegria pela queda do muro de Berlim já faz parte do passado, depois de ser obnubilada pelo muro em Israel, e por esta terrível ameaça que parece assumir cada vez mais os contornos de uma triste certeza.

o princípio do Fim?

por António Simões, em 20.01.17

O dia de hoje fica marcado para a história pela tomada de posse de Donald Trump, o 45º presidente dos Estados Unidos da América. Nunca na sua recente história esse país que a fortuna conduziu ao papel de principal potência mundial viu o que se seguirá. Do que até agora se sabe, é que as chaves da Casa Branca ficam a cargo de Donald Trump e a sua equipa criteriosamente seleccionada, que se apresenta como uma extensão da sua maneira de ser e dos seus insanes devaneios. Trump chega à sala oval depois de se sujeitar a umas eleições onde se apresentou tal e qual como ele é, conseguindo uma vitória eleitoral que não se traduziu pela maioria dos votos. Chegam também aos restantes gabinetes o seu séquito, com indivíduos de calibre tão ou mais irascível que o seu chefe: um que no ano passado investiu em acções de seis empresas farmacêuticas poucos antes de promover legislação no Congresso que as beneficiava; o escolhido para o Departamento do Trabalho é um rico executivo que combate o aumento do salário mínimo e outras medidas laborais de Barack Obama; a Agência de Protecção do Ambiente terá alguém que manifesta extremo cepticismo em relação às alterações climáticas, chegando depois de uma campanha a procurador-geral de Oklahoma, patrocinada por alegados donativos da indústria do gás e do petróleo; o Departamento da Educação terá uma multimilionária que é acusada de ter lutado toda a vida pela privatização da educação pública e minar o investimento nas escolas públicas; o Departamento da Energia contará com alguém que disse nas primárias de 2011 que o Departamento da Energia deveria acabar; Stephen K. Bannon que será o seu estratega chefe, é considerado um explosivo agitador mediático, e é conhecido pelo seu historial de comentários ofensivos contra os judeus, muçulmanos e afroamericanos; Michael Flynn que ocupará o cargo de assessor principal de segurança nacional fez afirmações sobre o islamismo, religião que define como “ideologia política” e que chegou a comparar a um “cancro maligno; por fim o director da CIA defende uma política de "mão dura". Perante isto, eu apenas espero que este pessoal sejam no fundo uns cordeirinhos que neste momento vestem a pele de Lobo, ou então temo muito que isto seja o princípio do fim.

o labirinto dos Espíritos

por António Simões, em 16.01.17

Ontem terminei a leitura do último livro de Carlos Ruiz Zafon. "O labirinto dos espíritos" é o quarto livro que conduz o leitor pelo mundo dos livros, da leitura, da escrita, do romance, do suspense e da história que tem como figuras principais uma família de livreiros, devidamente acompanhada por Fermín Romero de Torres, figura de proezas inesgotáveis, de um léxico sem fim, com uma capacidade fora do normal de provocar rios de lágrimas que acompanham ataques de riso quase patológicos, com os seus monólogos de argumentação fora do alcance do mais letrado dos mortais. Zafon serve-se da família Sempere para construir um mundo de emoções, que me cativou desde as primeiras linhas quando em Abril de 2009 li "A sombra do vento". O que escrevo acerca da minha opinião para este livro serve para qualquer um dos restantes, pois cada um por si, e todos no conjunto, são obras simplesmente fantásticas, onde cada frase é pensada com a mestria só possível a quem domina o dom da palavra, conduzidas por um pensamento que torna um vasto enredo numa estrada de sentido único onde é impossível que o leitor se perca, com direito às mais variadas paragens que vão desde o mistério à comédia, do drama ao amor, sentimentos subtilmente servidos com uma intensidade brutal, fruto de um processo de escrita que desde a primeira palavra é um tributo aos escritores, ao leitores, à literatura e acima de tudo ao livros, objecto único e insubstituível que une quem escreve e quem lê.

soares é Fixe

por António Simões, em 10.01.17

Devia ter uns 7 anitos quando Mário Soares se candidatou a Presidente da República. Desses tempos apenas me recorda uma bandeira que havia lá em casa, com alguns rasgões na sua extremidade livre, muito provavelmente provocados pela força do vento quando a mesma se deslocava fora dos carros nas tradicionais "caravanas". A imagem do Presidente em cima da tartaruga nas Seychelles também ficou na retina, assim como aquelas piadas intemporais de "Sabes como se diz Mário Soares em chinês?... Tá qui tá colá". Serão estas as recordações mais antigas que num momento como este fazem falta recordar, trazendo aquela brisa quente da saudade. Mas a realidade do ser humano é esta, tudo tem um princípio e um inevitável final. Mário Soares partiu, mas a eternidade da sua pessoa foi garantida por uma vida de luta, de determinação e de exemplo. Já dizia o slogan "Soares é fixe"...

homenagem em Vida

por António Simões, em 09.01.17

Recorro às minhas palavras de um post mais antigo escrito escrito no dia 25 de Novembro (de 2013), intitulado "pantufas? não Obrigado!", para recordar a minha homenagem em vida a Mario Soares:

Não existem estatísticas neste campo específico do uso das pantufas. No entanto, imagino que no caso daqueles que consigam chegar com saúde aos 90 anos a probabilidade da grande maioria sofrer de pantufite aguda é muito alta. Essa maleita caracteriza-se por preferir no lugar de qualquer outra coisa, o calor do lar, o conforto do cobertor, a ergonomia do sofá, o ócio da televisão, e os pés bem quentinhos com umas simples e fofas pantufas. Mário Soares faz parte de uma estirpe raríssima de seres humanos que são bafejados por uma vontade estóica de não desperdiçar um único segundo desta vida terrena. Com a sua idade, no lugar da pantufa ele calça o sapato e veste o fato, e promove um encontro que mais do que um encontro de esquerdas, foi um encontro de gente que pensa, e por pensar não pode compactuar com o actual estado do estado de direito tuga. O Pai desta nossa jovem democracia teve uma intervenção brilhante, da qual alguns dementes tentaram tirar o brilho, com comentários deturpados acerca das suas sábias palavras. Há ainda quem considere que certas afirmações são mostra de uma inevitável senilidade. Mário Soares será porventura um dos poucos políticos sóbrios e conscientes do estado a que nos querem conduzir este bando de energúmenos que nos governa. Mário Soares trata a senilidade por tu, e diz-lhe para ir pregar para outra freguesia, que neste momento está mais preocupado em salvar o país... mais uma vez, claro está... 

finalmente ano Novo

por António Simões, em 01.01.17

Estamos em 2017. Se existe algo de bom que um ano novo trás é o simples facto de que já não faz sentido desejar "um bom ano, se não nos virmos". Claro está que ainda se vai levar com muitos "bom ano" até meados de Janeiro, mesmo por pessoas repetentes nessa deixa, mas já ninguém pode dizer "um bom ano, se não nos virmos" pelo simples facto de que estando já no novo ano ao se desejar "um bom ano" não se pode voltar atrás, mesmo que depois não nos voltemos a ver, pois já nos vimos e já o desejamos. Este texto pode estar um pouco confuso, mas se isso acontece é porque quem o escreve está pelas pontas e farto destas deixas de circunstância que nestas alturas festivas são servidas com mais abundância que o próprio bacalhau. Algumas dessas frases de bolso são providas de algum sentido, mas desejar "um bom ano, se não nos virmos" é tão estúpido como tentar atravessar uma parede de tijolos. Quem diz isto o que quererá dizer de verdade? Que caso volte a encontrar aquela pessoa em vez de um bom ano, vai desejar-lhe um mau ano? Não faz sentido! Algo terá que ser feito, e uma vez que estamos no início de 2017 temos trezentos e qualquer coisa em dias para que, na próxima quadra natalícia, se invente algo que evite frases como esta, e de preferência servida e doses que não me ponham a escrever um texto como este no próximo primeiro de Janeiro. Já agora... Bom ano! ;-)

Blogs Portugal

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D

Posts mais comentados