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E porque não eu?

terapia de reflexão para mentes livres e com paciência, SA ou Lda não interessa, pelo menos pensar não paga impostos

E porque não eu?

desejos de ano Novo

por António Simões, em 31.12.16

Rosseau disse a seu tempo qualquer coisa como "A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável". A sociedade humana provou, até aos dias em que o iluminismo despertou mentes como a deste grande filósofo, a veracidade deste pensamento, e continuou a demonstrar depois desses tempos a vil e cruel natureza daquilo que o Homem é capaz de fazer. Seja numa autofagia demente, ou na destruição do meio ambiente em que se insere, chegamos a 2017 d.C. cometendo o mesmo tipo de erros que a história não se cansa de nos recordar. Caberá então a cada um de nós, na nossa minúscula e ridícula singularidade a missão de levar a efeito as palavras de Mahatma Gandhi "Sê a mudança que queres ver no mundo". O dia a dia é difícil, e por vezes a tentação de se deixar ir na corrente da onda é mais forte que a vontade de nadar no sentido contrário. Seja esse pois o meu desejo para 2017, continuar a acreditar nas palavras de Gandhi e com elas alimentar a alma que dá força aos músculos e ao cérebro para continuar a nadar contra a corrente.

recordando 2016 - Paris

por António Simões, em 29.12.16

Numa nova tentativa de chegar a tempo de evitar o pior, Paris marcou o ano com a assinatura de um novo acordo climático onde 175 países se comprometeram a limitar o aquecimento global abaixo dos 2ºC. O aquecimento global é uma realidade, e qualquer outra opinião contrária só pode ser fruto de um cérebro previamente sujeito a uma lobotomia. O impossível foi alcançado na cidade luz, e desde o passado dia 4 de Novembro que a teoria passou à prática. O mundo aguarda como sempre - pacientemente - mas os seres vivos que usam a bola azul como casa é que começam a ficar sem tempo para garantir um lar permanente e sustentável, e cabe aos que se dizem racionais a tarefa de minimizar o dano que até agora não se cansaram de fazer.

recordando 2016 - Acontecimento

por António Simões, em 28.12.16

Tantos dias tem um ano, e são tantas as coisas que vão acontecendo que é impossível distinguir "o acontecimento" do ano, pelo que qualquer escolha será sempre sujeita à interpretação individual de cada um. A minha é uma espécie de homenagem a um homem que vai deixar imensas saudades. Barack Obama visitou em Maio a cidade japonesa de Hiroshima, local onde a 6 de Agosto de 1945 foi lançada a primeira bomba atómica da história, sendo o primeiro Presidente dos Estados Unidos da América em exercício a efectuar uma visita oficial, prestando homenagem a todos aqueles que sofreram, e aos que ainda sofrem, os efeitos desbastadores desse acto de crueldade. Ciente do poder do armamento nuclear, Obama desenvolveu no seu mandato um trabalho em defesa de um mundo sem armas nucleares, e reconheceu na altura que ainda está muito para se fazer nesse sentido. A história não deve ser esquecida, e esta visita é um marco que deve ser relembrado, ainda mais quando o próximo inquilino da Casa Branca é um defensor do armamento nuclear, como ainda nestes dias se fez ouvir quando disse que "os Estados Unidos devem reforçar o arsenal nuclear".

recordando 2016 - Eternidade

por António Simões, em 27.12.16

Das personalidades que este ano seguiram o caminho para a eternidade, depois de terem efectuado o seu percurso pelo mundo calcorreando os caminhos que garantiram o seu lugar na história, destaco Johan Cruijff e Fidel Castro. No lado desportivo o holandês marcou o mundo do futebol com a sua laranja mecânica como jogador, e fez despertar o monstro adormecido que existia na cidade condal. O Barcelona de hoje foi criado à imagem e semelhança deste génio, e o futebol internacional viveu e vive uma das mais fantásticas temporadas no rectângulo verde, épocas que a história se encarregará de recordar, e que são fruto do legado deixado por Johan Cruijff, o homem que jogava com o 14 nas costas, pois o 7 não seria suficiente para toda a magia que deixava em campo. No lado político o desaparecimento de Fidel Castro acompanha o ritmo inexorável do tempo, que nos vai deixando cada vez mais órfãos de pessoas verdadeiramente únicas e que valem a pena pelo que são, pelo que representam, mas acima de tudo pelo que pensam e em que acreditam, valores que cada vez mais se vão perdendo no seio de uma sociedade onde a informação é servida de bandeja, mas ninguém a reclama para o seu canto.

recordando 2016 - Desporto

por António Simões, em 26.12.16

Portugal. Não poderia ser outra a escolha desportiva do ano. A vitória da Selecção no Europeu de Futebol de França ficará sempre para a nossa história, mas acima de tudo para a história desse desporto único e inigualável que é o Futebol. Portugal chegou à final sem brilho mas com mérito, e ao melhor estilo tuga de carregar o sofrimento nas costas, empate a empate paulatinamente chegou ao Stade de France, local onde o mais que improvável herói - Éder - se encarregou de trazer o caneco para cá. A vitória de Portugal do modo como foi conseguida, simboliza a essência do futebol onde tudo é possível desde que a vontade e a força esteja sempre presente, e foi devidamente acompanhada pelas prestações de selecções como a Islândia e o País de Gales, que conseguiram talvez ainda mais surpreendentemente chegar aos quartos e meias finais, respectivamente. Desde pequeno que quando alguém rematava para longe da baliza se dizia "mais três pontos para o País de Gales". Este europeu prova que o futebol mudou, e quando as condições são semelhantes tudo é possível. Seria bom que este exemplo ao nível das selecções acontecesse ao nível dos clubes, mas aí já se fala em águas mais agitadas, onde os tubarões se encarregam de devorar as suas presas antes que as mesmas cresçam e se tornem elas no caçador...

recordando 2016 - Política

por António Simões, em 23.12.16

Nada melhor do que a recta final do ano para se efectuarem os devidos juízos de valor acerca do mesmo, recuperando do passado recente o que de melhor e de pior se passou nestes quase 366 dias que o calendário de 2016 nos brindou. Segmentando esta análise por temas, terá que ser a política o primeiro pelo simples motivo que é um dos principais assuntos sobre os quais vou tecendo as minhas considerações, também conhecidas no meio dos blogs como "post". O mundo político chegou a 2016 com a carruagem do extremismo no comboio, vagão que este ano se viu cada vez mais concorrido chegando ao fim com a lotação completa. Será então esse o pior acontecimento político do ano, marcado por muitos episódios pelo mundo fora, mas sem dúvida alguma liderado pela eleição de Donald Trump, acontecimento aqui devidamente retratado e que será redundante voltar a esmiuçar, mas que revela o baixo a que chegou a política e a incompetência e estupidez que o eleitorado manifestou. No lado positivo coloco a eleição de António Guterres para o cargo de Secretário Geral das Nações Unidas. Num momento em que se vive uma crise de refugiados que nunca deveria estar a acontecer num mundo onde se consegue o impossível, a escolha do homem que tem ocupado a posição de Alto-Comissário da ONU para os refugiados não poderia ter sido melhor. A missão que tem pela frente é difícil, mas a sua experiência e certamente a sua vontade poderão ser a luz ao fundo do túnel que milhões de pessoas aguardam por ver.

silêncio por Favor

por António Simões, em 05.12.16

Ontem à noite no programa da RTP1 "A Voz" o cantor Carlos do Carmo suspendeu a sua actuação. O Fadista considerou inoportuno que o público acompanhasse a música "Lisboa Menina e Moça" com palmas, acontecimento que levou Carlos do Carmo a parar de cantar e explicar que "Não é preciso dizer isto aos mais velhos, só aos mais novos. O fado é uma tradição oral... Fado, que não se acompanha a palmas, canta-se e ouve-se. Desculpem lá, mas ouvir as palmas ao mesmo tempo, lembra-me um bocado o rock. E eu não sou cantor de rock". A cultura geral é algo que não sendo obrigatório não faz mal e ninguém fica doente com um pouco de conhecimento, e não sendo o público uma entidade individual, bem pelo contrário composto por centenas de pessoas, é triste que o conhecimento que certamente uns teriam não tenha sido suficiente para colmatar a ignorância de outros. Este caso é apenas, e só isso, mais um bom exemplo da sociedade em que vivemos, uma sociedade onde a informação jorra como a água que cai pelas cataratas do Niágara, mas que no fim se perde sem que a mesma seja bebida. Este caso é muito semelhante nas situações em que se pede um minuto de silêncio, acto simbólico e solene que hoje em dia é frequentemente substituído por um minuto de aplausos, como se não fosse possível conter por 60 segundo a verborreia, incapacidade bem demonstrativa da falta de respeito que era pecado nuns tempos mais idos, mas que hoje em dia é encarado com passividade e possivelmente se encaminha no sentido de se tornar virtude. Silêncio por favor que se vai cantar o Fado...

homens Bons

por António Simões, em 01.12.16

Raiano como sou, cada vez entendo menos expressão "de Espanha nem bom vento, nem bom casamento" que durante toda a minha vida ouvi repetidas vezes. Poderia citar um sem fim de coisas, matérias e assuntos que temos a sorte de facilmente alcançar por partilharmos a península ibérica com o reino de castela. No entanto, e porque este post trata do último livro de Arturo Pérez-Reverte, apenas aponto como exemplo a literatura moderna que se faz em Espanha, e que é do melhor que se pode encontrar numa livraria. Este autor, que se repete em vários livros que repousam serenamente na minha estante, surpreende sempre pela capacidade de se modificar, pela facilidade com que aborda os mais variados temas, sob os mais variados pontos de vista. Este livro foi o melhor que li dele. Tal facto poderia prender-se apenas pela história de dois homens, dois académicos que empreendem uma viagem à França para adquirir uma enciclopédia, numa jornada onde a vontade do conhecimento pretende subjugar todo um povo que teima em sair da idade média. Polvilhada com as vicissitudes de um percurso de tal dimensão realizado em pleno século XVIII, o enredo é por si só de prender a atenção do leitor. Mas Arturo Pérez-Reverte não se ficou por aí. Tratando-se de uma busca do conhecimento na verdade dos livros, o escritor espanhol pontua a história com pequenos pedaços do seu dia-a-dia, abrindo o jogo de como se escreve um livro em todas as suas formas: a ideia, a idealização do enredo, a documentação, as sugestões, as correcções, e todas as tarefas que se congregam no resultado final - as páginas que ficam ao serviço do leitor. Eu como leitor, e como apaixonado pelos livros só tenho que agradecer e prestar a minha singela homenagem a Arturo Pérez-Reverte por ter escrito um tão magnífico livro, que homenageia de forma ímpar esse que foi, é, e continuará a ser o alicerce da sociedade.

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