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E porque não eu?

terapia de reflexão para mentes livres e com paciência, SA ou Lda não interessa, pelo menos pensar não paga impostos

E porque não eu?

dura praxis sed Praxis

por António Simões, em 31.01.14

De repente, um pouco por todo o lado, com patrocínio especial dos meios de comunicação, a estupidez morbida tuga subiu de tom e o país voltou a sua atenção para um assunto que tomam como principal responsável por uma tragédia que bateu à porta de alguns jovens e suas famílias. Já esta semana abordei o assunto, mas perante os últimos acontecimentos não posso deixar ficar de lado o mesmo. "A praxe é dura, mas é a praxe" em nada se poderá confundir com o que aconteceu na praia do Meco. Pertenci à mais velha Academia deste país, onde a tradição praxista é antiga, e é com muito orgulho e nostalgia que recordo esses tempos na cidade do conhecimento. Para ser praxado, ou praxar, é apenas necessário uma condição - aceitar as regras. De repente o país enlouqueceu ao debruçar-se sobre um tema que envolve pessoas adultas, com capacidade de decisão. Seria impossível descrever todos os problemas que o ministro da educação deveria ocupar o seu tempo, mas acho que será mais preocupante o bullyng que nas escolas tugas já levou jovens ao mau aproveitamento, depressão, e em alguns casos mesmo ao suicídio. Será mais preocupante constatar que estamos numa sociedade em que uma criança já é sujeita a descriminação na porcaria das chamadas redes sociais. Será mais preocupante o futuro incerto que este país está a preparar para os seus jovens. Estar a levar este assunto das praxes a este nível de discussão pública seria o mesmo que opinar acerca da Opus Dey, Maçonaria e afins, e então se nos lembrarmos do que se passa no meio militar, o melhor é nem pensar. O que está a acontecer é nada mais do que conundir a opinião pública, e isso sim, é uma praxe que eu não aceito.

o Rebobinar

por António Simões, em 30.01.14

Sendo utilizador de um serviço de fornecimento de televisão pago que por motivos de decoro editorial não poderei dizer qual, apenas adiantar que o mesmo tem como principal publicidade uns tipos que se fazem passar por felinos nauseabundos, ao verificar todo o seu conteúdo fiquei a saber da possibilidade de alugar filmes, mediante o simples pressionar de um botão. Não passaram ainda muitos anos que para se ver um filme recente bastava dirigir-se a uma loja, meter um cartão, escolher o filme, esperar que o mesmo fosse fornecido, e depois recolher o DVD para ver no conforto do lar. Já se passaram alguns anos desde que era necessário adaptar a escolha ao horário de funcionamento do videoclube, fechado ao domingo e a partir das sete da tarde. Já se passaram muitos anos desde o tempo das velhas cassetes VHS, devolvidas preferencialmente rebobinadas. Nesses tempos de videoclube pagava-se multa pelo prazo de entrega. É bom de vez em quando pensar, fazer ««, e saborear a evolução das coisas, para assim mesmo tirar-mos ainda maior proveito. Agora vou carregar no botão.

monumento da Moda

por António Simões, em 29.01.14

O leitor porventura que não se terá esquecido que foi este governo o autor da obliteração do ministério da cultura. No país de Gil Vicente, Camões, Eça e Saramago, PPCoelho considerou que ocupar um ministério só com o pelouro da cultura seria desnecessário, e um profundo desperdício. Movido por estas ideias, e pela bandeira da austeridade, a cinematografia tuga, teatros, museus e afins viram o seu já parco fundo orçamental estatal ser ainda mais reduzido. Contudo, o povo tuga, fiel aos seus princípios culturais, soube combater esta batalha à estupidez governativa, mostrou em tempo de crise que ainda há espaço para umas visitas culturais. De facto, existe um monumento que tem vindo a aumentar exponencialmente as estatísticas de visitantes - a Assembleia da República. Do que lá vem não se tem aprendido nada, e agora que estamos sem ministério da cultura, cabe ao povo periodicamente fazer umas visitas para os que lá trabalham se lembrarem dos motivos por que lá estão.

crato e a Ferradura

por António Simões, em 28.01.14

Já uma vez tinha recorrido a esta piada de bolso para caracterizar a actuação do actual ministro da educação. A seu cargo, logo portanto a seu mando, a educação tuga tem vindo a assistir a uma espiral regressiva. Os professores nunca foram tão maltratados, a escola pública está às portas da agonia e preste a sucumbir, e o ensino universitário vê o seu parco pecúlio orçamental diminuir, de tal modo que a investigação universitária está neste momento entregue aos sonhos dos bolseiros. Sim, refiro-me a sonhos de forma literal, pois apenas recorrendo à imaginação é que eles podem exercer a sua actividade, que tantos frutos tem dado ao prestígio internacional deste país pródigo de crânios e bons exemplos. No entanto, o meio cientifico não se rege pelas teorias dos sonhos, mas sim da experimentação fundamentada, a qual parece estar à beira do fim, graças à "fantástica" gestão deste ministro. Sem dúvida alguma que o assunto trágico da praia do Meco deve ser alvo da preocupação de todos, mas penso que caberá a outras instâncias, como por exemplo as próprias instituições onde os abusos praxistas ocorrem, o apuramento e estabelecimento dos devidos limites. Nem todas as academias seguem esses moldes, motivo pelo qual cada uma deverá olhar para o seu interior. Pelo exposto, acho que fica claro que as preocupações do ministro deviam ser outras.

pré Presidenciais

por António Simões, em 27.01.14

Ainda falta algum tempo, e não sabendo se é mais uma técnica do lançamento de areia para os olhos dos tugas, o certo é que nas hostes do principal partido do governo a temática acerca das presidenciais tem vindo a subir de volume. Tal como diz o ditado, quando se zangam as comadres descobrem-se as verdades, e a escolha do candidato laranja a Belém já provou isso mesmo. Pelo andar da coisa, com o tempo que falta, a coisa promete. De resto, este artigo quer deixar a verdadeira marca, o verdadeiro motivo pelo qual devemos celebrar as próximas eleições presidenciais de um modo inolvidável, as quais se esperam que venham a ter uma afluência histórica. Finalmente ao fim de dois mandatos de ausência, não tendo faltado motivos e argumentos de sobra para exercer a presidência de uma forma activa e interventiva, o actual presidente pode finalmente dedicar-se aos seus desportos favoritos, hortofloricultura e zapping televisivo. Um bem haja à lei de limitação de mandatos, e até nunca Cavaco!

vida de Rissol

por António Simões, em 24.01.14

Diz-se que os cães tem uma vida difícil, usando-se mesmo a expressão "vida de cão" para descrever a existência de alguém que tem que enfrentar as agruras da vida. No entanto, nos dias de hoje aqui pela tugalândia não são só os cães, seus donos, ou todos os outros que não partilham os momentos com o fiel amigo, que vivem dias complicados. Com a crise, a vida do rissol no restaurante é pior que a vida de um cão abandonado. Quando os empregados se dirigem com as entradas, o prato dos rissóis é frequentemente rejeitado, e vai de mesa em mesa sem acabar por cumprir o seu fim inicial, mais uns trocos para o restaurante, e o seu fim secundário, saciar a fome dos clientes. Até ao momento são os rissóis as vitimas secundárias desta austeridade sem limites, e penso que no dia em que as azeitonas tiverem o mesmo final, nessa altura batemos no fundo...

o Relógio

por António Simões, em 23.01.14

Tenho andado um pouco longe das notícias. No entanto, ouvi dizer que PPortas inaugurou um relógio, que se encontra em contagem decrescente para o dia em que a tugalândia irá oferecer o bilhete só de ida ao pessoal da troika e afins. Claro está que espero ansiosamente por essa data, de forma a regressar a paz aos bolsos dos tugas, e de caminho regressar também algum do pilim que nos tem vindo a ser copiosamente roubado. No entanto, pelo andar da carruagem e tendo em conta que os condutores deixam muito a desejar, espero que PPortas tenha tido o bom senso de escolher no lugar de um moderno e vistoso relógio digital tenha optado por um fiel e antigo relógio de corda...

carros à Medida

por António Simões, em 22.01.14

O carro que seguia à minha frente era um modelo alemão, que assinalava no chassis um poderoso motor 2.2 Turbocharged Diesel CommonRail Injection, fonte produtora de cavalos suficientes para um exército de cavalaria. No entanto, seguindo no seu encalço sem possibilidade de ultrapassagem, com a terceira a morrer e resiliente em meter a segunda mudança, o ponteiro da velocidade a registar uns estonteantes 50 Km/h, perguntei-me "mas por que raios quer uma máquina daquelas se vai a velocidade pouco superior a uma junta de bois". Na primeira ultrapassagem confirmei que se tratava de uma pessoa muito possivelmente reformada, que calma e pacatamente seguia em ritmo de passeio. Nessa altura pensei que o mundo automóvel devia de inovar e permitir fazer uma espécie de carros à medida das pessoas, e dos seus respectivos bolsos.

a Borbulha

por António Simões, em 21.01.14

Pertenço a esse grande grupo de vítimas que a puberdade deixou com as marcas da batalha. No entanto, apesar do grande conflito ter terminado, com o decorrer dos anos ainda foram surgindo esporádicas refregas com uma ou outra borbulha fora do seu tempo de antena para aparecer. Já sem o fulgor e garra de outros tempos, as borbulhas da idade adulta são tratadas como uma parente afastado que não se vê há muito tempo. No entanto, existe um tipo que persiste em aparecer, nomeadamente nesta altura do inverno do nariz fungoso e a pingar - a borbulha no nariz. Existem de dois tipos: interior e exterior. Em ambos os casos a tortura é a mesma, provocada pela necessidade de eliminar a fonte da mucosidade nasal. Na altura de segurar o lenço de papel e apertar o nariz, lá está essa terrível e maquiavélica torturadora a latejar, tornando o simples acto da higienização nasal, numa cena digna de uma cela de interrogatório da PIDE. Usando técnicas de camuflagem adquiridas na guerra de guerrilha da floresta densa tropical, a borbulha do nariz é junto com uma valente constipação uma guerra difícil de se travar. Quem as tem, certamente que entenderá.

trabalho Infantil

por António Simões, em 20.01.14

O tema do momento, que na semana passada surgiu do nada pela mão de um petiz laranja, tem tanto de inusitado como de assunto para discutir e confirmar a pouca vergonha como o maior partido do governo entende o modo de conduzir um país. Uma lei que estava quase pronta para ser aprovada, com os deputados e assembleia a fazerem aquilo para o qual foram eleitos, e pelo qual são pagos, foi bruscamente parar para o caixote do lixo. Muito se falou, muito se discutiu, a lei ficou e a imagem da assembleia de república voltou a cair no charco, sendo que foram alienados os direitos das crianças para as quais esta lei se dirigia, e que agora voltam a ter que esperar. Confirma-se assim a falta de escrúpulos da maioria governativa, pois não consigo ver outro motivo que não o facto de conseguirem desviar as atenções do país para este assunto, que tal como já referi, estava no fim de um normal processo legislativo. Para além das crianças que saíram prejudicadas, a maldade desta maioria ainda é mais perversa face à estratégia utilizada. No lugar de enviar um elemento do estado maior laranja para defender os valores conservadores à moda do antigamente, não se fizeram rogados e recorreram ao trabalho infantil para fazer o trabalho sujo. Desse modo, pescaram um jota fresquinho em folha, que com o seu ar de virgem pudica não convence ninguém quanto à iniciativa que diz ser sua. A mão, ou melhor, as mãos que estarão por detrás dele sabemos todos muito bem quem são. Vergonha.co

galegos da Fronteira

por António Simões, em 17.01.14

Foi na faculdade que tive pela primeira vez em toda a minha vida a interiorização completa do facto de viver na fronteira com Espanha, ou como gosto mais de dizer, na raia. Várias vezes era chamado à atenção pela minha pronúncia, ou mesmo pelo tipo de víveres que trazia do fim-de-semana, nos quais se destacava o chouriço revilha, que misteriosamente desaparecia do frigorífico... O pessoal da mouraria até me classificava como Galego, face à distância entre ambos, sendo a minha terra Natal tão contígua com a Galiza. Até aqui tudo bem, pois com o escárnio humano posso eu muito bem. Não estava à espera era do que ontem me aconteceu, no momento em que verificava a previsão do tempo no site do Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Usando o google chrome como explorador de internet, este avisou-me que a página que estava a visitar estava escrita em galego, e gentilmente perguntava se a gostaria de a ver traduzida para o tuga materno. Acho que a proximidade existe, mas daí a confundir-se tuga com galego, a distância ainda é muita. Onde é que esta o livro de reclamações da internet quando é preciso?...

o homem de Constantinopla

por António Simões, em 16.01.14

Desta vez a matéria sobre a qual José Rodrigues dos Santos se debruçou era tão vasta, que teve mesmo que recorrer a dois volumes. Esta primeira parte, e depois de já ter lido todas as obras deste escritor, confirma o papel de romancista pedagogo, conseguindo espalhar informação e conhecimento no decorrer do romance, agarrando o leitor por esses dois motivos de uma forma tão envolvente que a história fica na retina, bem como todo o conjunto de acontecimentos históricos aos quais o enredo está interligado. A fluidez da sua escrita permite assim ao leitor facilmente se enquadrar no tempo, ficando com vontade de saber mais a cada final de capítulo. O princípio deste livro e o seu fim estão tão bem conseguidos, que torna-se urgente seguir para o volume seguinte - Um Milionário em Lisboa.

meia mea Culpa

por António Simões, em 15.01.14

Mais vale tarde que nunca, e neste momento estamos apenas a um passo. Do ponto de vista de carreira, um indivíduo para chegar a primeiro-ministro tem antes que liderar o partido com o qual se apresenta ao eleitorado para obtenção das necessárias cruzinhas. Ora, na semana passada, o actual Presidente do PSD reconheceu perante uma plateia de compinchas que "não tem vindo a ser um bom presidente do partido". Deste modo, aguardemos agora que esta meia mea culpa de PPCoelho siga no reconhecimento daquilo que tem feito ao país, e apresente-se assim ao eleitorado com a mea culpa de não ter sido um bom primeiro-ministro. Sei que nesse discurso também disse que "não se pode ser bom em tudo", mas acredito que devia referir-se às suas qualidades vocais de barítono de coro pascal...

passa a Bola

por António Simões, em 14.01.14

Basicamente foi o que ontem aconteceu. O vencedor das últimas quatro edições, tendo sido o melhor marcador do campeonato espanhol, competição que venceu, junto com o outro derrotado, Frank Ribery, vencedor da Bundesliga, vencedor da Taça da Alemanha e conquistador da UEFA Champions League, passaram a bola de ouro para Cristiano Ronaldo, o jogador que durante o ano de 2013 marcou 69 golos, perdeu o campeonato espanhol, e uma final da Copa del Rey disputada no estádio Santiago Bernabeu. O vencedor já estava mais do que anunciado pois este ano levou a família toda para o verem a receber o prémio. O prémio é justo, apenas porque Ribery está a anos luz de qualquer um dos outros dois, e Lionel Messi, com repetidas lesões não pode espalhar a magia do seu futebol predestinado. Enquanto jogar à bola, o astro Argentino teria que ganhar todos os anos. A máquina de golos que querem associar a Cristiano Ronaldo fica obliterada pelos 89 golos de Messi em 2012, ou o troféu de Pichichi da época passada que deixou Cristiano Ronaldo a uma dezena de golos de distância. O que o leitor não deve saber, é que atribuição do prémio de ontem foi uma espécie de Euro Milhões para os psiquiatras de Madrid. A vontade que tinha em levar a bola era tanta, e ficou bem espelhada na emocionante recepção da mesma, com direito a coreografia e tudo, que no caso da vitória não ter acontecido, certamente que o psiquiatra que o fosse recuperar estaria com a reforma garantida.

censura XXI

por António Simões, em 13.01.14

Por muito que se queira tentar sentir ou imaginar uma experiência, não a tendo presenciado é totalmente impossível de encarnar todo o conjunto de sentimentos adjacentes à mesma. Não vivi no tempo da outra senhora ou, como dizem os livros de história, no tempo do estado novo. A semana que passou começou e acabou permitindo-me vivenciar uma analepse cronológica. A ode panegírica a Eusébio, figura ímpar do desporto tuga à qual já prestei, e volto a prestar a minha homenagem, foi acompanhada por um ordenhamento de todo o conteúdo associado a essa figura, por parte do clube ao qual ele se entregou, aquele que foi responsável pelo desgaste físico de um atleta que tinha que jogar de qualquer maneira, em todos os jogos. Esse homem, junto com um regime conivente, fez esse clube granjear um número de adeptos em número tal, permitindo aos biltres do capital apoiar um canal de conteúdos exclusivos. Ontem, para além de um jogo bem disputado onde venceu a equipa que marcou, vivi uma experiência de 3º grau ao nível da censura dos tempos de Salazar. O nosso país deve ser o único país do mundo inteiro que permite um canal de um clube de futebol ser o dono exclusivo dos direitos de transmissão dos jogos caseiros desse clube. Para além de ser um atentado ao bom senso, de ser uma forma de censura ao modo do século XXI, esta vergonha patrocinada por 5 999 999 adeptos é um homicídio da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa. Sou PORTISTA e ontem para ver a MINHA equipa tive que levar com o símbolo do clube do regime na televisão, com repetições a dizer "Museu Cosme Damião", que jogou contra 11 Eusébios, jogo relatado por adeptos desse clube, com comentários de uma antiga vedeta. Se isto tivesse acontecido no Djibuti ainda conseguia entender, mas acontecer num país europeu, no continente da tolerância e da pluralidade democrática, não dá para acreditar. De facto comprova-se que a forma de estar aqui na Tugalândia coaduna-se com os países do terceiro mundo, daí que a metáfora de Saramago, com a sua "Jangada de Pedra", faz todo o sentido, não por aquele que o escritor escreveu na altura, mas sim porque de facto não merecemos estar no espaço europeu. Tenho vergonha de ser português e tenho pena que as nossas tropas tenham saído vencedoras da batalha de São Mamede. Viva o Futebol Clube do Porto. Carago...

álvaro - o Filme

por António Simões, em 10.01.14

Fosse o senhor americano que certamente já teria tido direito a um filme ao melhor estilo hollywood. Álvaro Cunhal, o histórico líder comunista, não só é esquecido pela cinematografia tuga (apesar de existir algo), como também pelo programa de história contemporânea, que por cá se lecciona nas escolas. Numa soma destes dois factores, foi com grande surpresa que nas primeiras férias patrocinadas por mim para mim, que parando na zona de Peniche para degustar um almoço de peixe fresco, ao perguntar se haveria algo que visitar nos indicaram o Forte de Peniche. Junto com a minha cara metade ficamos a conhecer não só o local onde a ditadura enviava os "insurrectos", mas também a parte artística de Cunhal, revelada numa exposição soberba com desenhos elaborados pelo preso político durante o seu cativeiro. A sua fuga, que na passada sexta feira foi teatralizada, também lá é explicada. Num local imponente pela envergadura do forte, bem como pela localização junto à vastidão de um mar agitado, farto da clausura da cela e da falta de privacidade do "parlatório", Álvaro Cunhal e mais uns quantos camaradas realizaram uma fuga que seria digna de um filme de acção. Álvaro - o Filme, porventura já poderia ter acontecido, mas tal não acontece porque ainda paira nas brumas da memória os fantasmas do 25 de Novembro. A sua convicção, estoicismo e luta são um exemplo, mas os caminhos que seguiu é que poderiam ter sido outros...

palavra de 2013

por António Simões, em 09.01.14

Foi eleita a palavra do ano passado - Bombeiro. Devo sublinhar a excelente escolha nesse substantivo masculino que encerra todo um conjunto de homens e mulheres que não só no ano passado, como em todos os anteriores, como nos vindouros, prestam um serviço de heróis e vão para os locais donde todos fogem. Contudo, pergunto-me se nesta escolha não estará uma maledicência sub-reptícia tipicamente tuga que desde o tempo de Gil Vicente teima em deixar uma sobrancelha mais esticada que outra. Tal como ainda ontem referi, Cavaco que tem sido a garantia da estabilidade governativa, apagando tal como um bombeiro os fogos que PPCoelho e PPortas teimam em atear, terá também contribuído para destacar ainda mais essa nobre profissão? A dúvida fica. De qualquer modo gostaria de alertar para os perigos que estas escolhas podem trazer para a paródia nacional, pois como agora estamos irmanados num (estúpido) acordo ortográfico com os organizadores do próximo mundial de futebol, convém não esquecer o significado da palavra nesse país irmão: pessoa que aplica ou conserta canalizações; 

criança que não retém a urina enquanto dorme; espião; vendedor ambulante.

muda de Vida

por António Simões, em 08.01.14

De facto o mundo é belo, mas não é um sítio perfeito. O nosso presidente da república que o diga. Foi com este espírito que Cavaco viveu a entrada para 2014, o ano que se segue aos atribulados dois anos anteriores do seu mandato presidencial. De facto, quando se apresentou para as eleições em 2006 tinha tudo garantido para viver uma presidência serena e tranquila, com base numa maioria que apesar de não ser da sua cor, lhe dava garantias de não o aborrecer com tomadas de posição. No entanto, o Lehman Brothers e afins, junto com o apetite de poder do afilhado PPCoelho, enovelaram-se numa cadeia de acontecimentos que levou ao estado actual das coisas. Desde que o seu petiz chegou ao poleiro Cavaco tem-se desdobrado em manobras dos mais variados tipos para assegurar a continuação deste governo, chegando inclusivamente a dormir em plena estepe Selvagem, rodeado de terríveis cagarras, no meio do inóspito oceano atlântico, logo ele que é adepto do roupão e pantufa. Aníbal arrepende-se agora de ter avançado. Olha para Mário Soares, um homem transbordante de vitalidade e energia para trabalhar e pergunta-se se não gostaria de fazer como aquela música dos humanos, só que no lugar de mudar, Cavaco sugere uma troca...

pouca Televisão

por António Simões, em 07.01.14

Na noite da passagem de ano confirmei algo que há muito suspeitava - vejo muita pouca televisão. Pelo meu relógio faltavam poucos minutos, pelo que nos reunimos à volta da mesa para pegar nas passas, nas flutes e na garrafa de champanhe, e como o relógio da televisão seria mais certo ficamos atentos à contagem decrescente para 2014. Procurei um canal que não estivesse a dar programas em diferido, ou versões atabalhoadas do 1984 de Orwell, e encontrei o ideal. Nesse canal passavam anúncios, e no canto do écran já se encontrava a contagem dos segundos finais de 2013. Assim, ao faltarem 12 segundos, comemos as passas, abrimos o champanhe, enchemos as flutes e brindamos a 2014. No entanto, ao terminar essa contagem, aparecem uns tipos em trajes de gala, prontos como estávamos à uns minutos para dar entrada no novo ano. Afinal, a dita conta atrás era o tempo que faltava para a publicidade acabar... enfim, voltamos a festejar na altura certa e a brindar a 2014, com a certeza de que para o ano fico mais atento, porque televisão não vou continuar a ver. Não vale a pena...

rei Zébio

por António Simões, em 06.01.14

Eusébio era o Rei mas, tal como as majestades terrenas e seus súbditos, não pode fintar a inevitabilidade da morte e partiu. Como singela homenagem deste espaço, deixo aqui um texto por mim escrito noutro blog, dedicado ao futebol, colocado a 11.09.2013, numa altura em que Cristiano Ronaldo tinha ultrapassado em número de golos o Rei, quando já se faziam as estúpidas comparações, chegando mesmo ao ridículo de escrutinar qual dos dois seria o melhor jogador tuga de sempre. O Rei morreu em dia de Reis, num Domingo como tantos outros nos quais espalhou a sua majestosa forma de jogar futebol...

 

"Não sendo do tempo de Eusébio da Silva Ferreira, é através das imagens de arquivo e pelas histórias contadas pelos mais velhos que fico a saber acerca da grandeza desta figura ímpar do desporto português, cujo único defeito que lhe posso apontar é relativo à sua preferência clubística. De resto, reconheço a dimensão da grandeza do homem que marcou uma geração, que carregou às costas a sua equipa e a selecção nacional, conseguindo muitos e vários títulos com a primeira, tendo sido impedido de ir mais longe com a segunda fruto de interesses mais elevados que quiseram a todo o risco possibilitar ao país fundador do futebol o seu primeiro (e único) título mundial. Recordo isto porque estou do lado da mágoa que o Pantera Negra sentiu nestes dias, em que euforicamente se celebrou o facto de Cristiano Ronaldo ter ultrapassado o seu número de golos, e no melhor estilo português, sebastianamente falando, se elevou ao título de Deus o número 7 da selecção nacional actual, e se deixou na borda do prato o antigo número 10 das quinas, aquele que chorou depois da injusta eliminação das meias finais de 66. Quando se efectuam comparações existe sempre o risco de correr em falha, e quando se comparam décadas distantes a probabilidade de erro aumenta consideravelmente. Eusébio jogou no tempo em que não havia caneleiras, as substituições não existiam, a bola pesava uma tonelada e as chuteiras eram de couro. Cristiano Ronaldo joga hoje... Ambos são grandes, mas cada um a seu tempo, e por isso mesmo, qualquer comparação é uma triste injustiça."

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