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E porque não eu?

terapia de reflexão para mentes livres e com paciência, SA ou Lda não interessa, pelo menos pensar não paga impostos

E porque não eu?

boas Saídas

por António Simões, em 31.12.13

Sei que por vezes a minha contrariedade em aceitar o socialmente aceitável pode roçar o irritante, mas penso que quando um argumento é bem fundamentado, não pode ser rebatido. Assim, eu prefiro desejar apenas as boas saídas, pois sendo a saída boa, a entrada também o será. 2013 está por horas de passar aos livros de história, e esperamos com champanhe e uvas passas para brindar ao ano novo. Esta é a terceira passagem de ano deste blog. Nas duas anteriores o assunto dominante era a crise. Este ano poderia voltar ao assunto, mas prefiro escapar ao redondismo e fugir ao assunto do dia-a-dia, até porque tenho a certeza que para o ano neste dia, tal como o ano que terminará, a crise já será assunto apenas dos livros de história. Brindemos a isso logo à noite...

o pior de 2013

por António Simões, em 30.12.13

Depois de uma semana a analisar parte do melhor que se passou neste ano que amanhã caduca, hoje fica o que para mim foi o pior de 2013. A mea culpa do ex-ciclista profissional Lance Armstrong deixou milhões boquiabertos, e outros tantos de sorriso na boca. Uns incrédulos com as declarações, e outros obtendo a confirmação de suspeitas, ninguém ficou indiferente às palavras do heptavencedor do Tour, sobrevivente da luta contra o cancro. Dirá o leitor que a verdade desportiva deve permanecer acima de tudo, que eu concordo. Dirá o leitor que como Armstrong, outros atletas de alta competição que tiveram o mesmo tipo de infelicidade a bater à porta e souberam combater as adversidades, superar a sua luta pessoal regressando no entanto limpos à competição, que eu concordo. Mas também concordará o leitor, que a maior mentira da história do desporto, não pode ser obra de um homem só. Enquanto interessava, o embuste continuou e foi sempre aumentando de tamanho, para gáudio de quem dele tirava proveito. O problema foi que a imagem de um combatente, um vencedor da vida que era, e continuará a ser, na sua luta contra uma doença que afecta muita gente, era o porta estandarte da coragem, da força de vontade para superar contrariedades pessoais e chegar ao topo. Para mim esta verdade deveria ter ficado na gaveta, porque no desporto, tal como na vida, nem tudo o que reluz é ouro...

o melhor de 2013 - a Incompetência

por António Simões, em 27.12.13

Em materia de incompetência, seria necessário um prémio tipo Óscar, com varias categorias. No entanto, como estamos nas lonas para nos darmos a esse tipo de luxos excentricos, efectuei uma análise cuidada do panorama da incompetência nacional, tendo-se revelado a escolha final de uma forma bastante clara, que não deixa qualquer dúvida, mesmo para aqueles que tal como eu nada percebem de economia. Jorge Jesus é o 11º treinador mais bem pago do?... distrito de Lisboa?... do Sul do país?... da península Ibérica?... da Europa?... não! Do mundo!?!?! De facto, o clube encarnado é um belo paradigma da incompetência tuga, pagando opiparamente a um treinador que ao fim de cinco anos, com um título no início é certo, perde o campeonato na última jornada, e duas finais sendo uma delas europeia. Se existisse uma lógica nos ordenados, pergunto-me quanto é que então lhe teriam que pagar ao Mourinho.

o melhor de 2013 - a Decisão

por António Simões, em 26.12.13

O fogo de barragem do Exército Vermelho ficou conhecido durante a 2ª Guerra Mundial como "os órgãos de Estaline". Foguetes disparados dos Katyusha atingiam a Wehrmacht sem piedade, descrevendo um som característico durante a sua trajectória que foi assim alcunhado. Depois das declarações teleguiadas em forma de aviso disparadas pelo governo, membros do FMI, e inclusivamente do Cherne tuga que foi chafurdar no aquário de Bruxelas, tendo como alvo o Tribunal Constitucional, e como objectivo a destruição da soberania tuga, pergunto-me qual o nome que deveria ser escolhido para estes foguetes? Por isso mesmo, e porque soube respeitar um dos pilares de um estado soberano, escolho o chumbo da convergência de pensões como a decisão do ano. A decisão do colectivo sendo por unanimidade ainda fez desta decisão uma demonstração ainda maior que podemos estar rotos e esfarrapados, mas a nossa integridade como país, como estado e como nação é intocável. Somos um país com um passado, um presente, e com toda a certeza um futuro, que sempre se governou neste cantinho à beira mar, combateu espanhóis e franceses, deu a conhecer novos mundos ao mundo, e não será por uns tecnocratas capitalisticamente gananciosos, acompanhados por umas ovelhas tresmalhadas que nos governam, que iremos dar de mão beijada a nossa integridade nacional. Viva Portugal!

feliz Natal

por António Simões, em 24.12.13

Este é o quarto Natal da existência deste espaço de devaneios de uma mente inquieta. Recordo que por estas calendas em 2010 passamos por uma crise de açúcar, em 2011 por uma crise na decoração pública natalícia, e em 2012 por uma crise generalizada com um 2013 austero à porta. Alheias à crise, com mais ou com menos, cada família procurou, procura e procurará saborear esta quadra do melhor modo possível, confraternizando no calor do lar. Aguardemos que para o ano o açúcar abunde, as luzes da rua iluminem a noite escura, e a porra da crise passe para os livros de história. A todos um BOM NATAL.

o melhor de 2013 - o Momento

por António Simões, em 23.12.13

Dia 11 de Maio, sábado à noite. Quando os portistas pensavam já ter visto tudo, depois de vencer 5-0 no estádio da luz para a Supertaça Cândido de Oliveira, depois de vencer 3-0 no estádio da luz e vergar um resultado adverso de 2-0 na meia final da Taça, depois de conquistar um Campeonato Nacional em casa dos seus adversários de estimação, o melhor afinal ainda estava para vir. Fartos de fazer do estádio da luz o seu palco de festas, a nação azul e branca encarava um vencedor anunciado com a chama do Dragão na noite de 11 de Maio. Se algo ficou provado nesse dia, foi que a estrutura do estádio é uma obra de engenharia de grande envergadura, pois aguentou cinquenta mil almas em puro delírio, que ao minuto 92 vibraram, pularam, festejaram e abraçaram a alegria de vencer e passar para a frente do campeonato, que uma semana mais tarde se materializou na capital do móvel. Liedson viu o seu companheiro que tal como ele saltou do banco, e desmarcou Kelvin, que ainda longe da baliza e com Artur pela frente rematou para o poste mais distante, tendo a bola terminado no fundo das redes. A grande maioria saltou, umas dezenas ficaram sentadas, e ouve mesmo um que se ajoelhou...

o melhor de 2013 - Política

por António Simões, em 20.12.13

A minha escolha para esta categoria não poderia ter sido mais fácil, face a escassez de possíveis laureados, fruto de uma governação medíocre, de uma oposição fraca, e de alternativas governativas inexistentes. De facto, acho que Mário Soares, o pai desta democracia, ao continuar a intervir publicamente mostra a todos os outros o caminho a seguir, continua a ser uma mente brilhante e lúcida na flor dos seus já muitos anos de idade, que deve fazer corar de vergonha todos os actuais dirigentes políticos de ideologias ocas. As suas mais recentes iniciativas são um exemplo não só de política, mas acima de tudo de uma forma de estar em cidadania que temo pertencer a um passado saudoso e irrecuperável, se dele não seguirmos o exemplo.

o melhor de 2013 - Desporto

por António Simões, em 19.12.13

Um desporto que tem vindo a ser fustigado pelas notícias de confirmação de doping dos seus mais variados atletas, ao mais alto nível, teve este ano um representante tuga que fez hastear a bandeira das quinas no panorama internacional, de um modo que já não se via desde o tempo de Joaquim Agostinho. Rui Costa, vencedor de duas etapas da Volta a França, vencedor da Volta à Suiça, campeão nacional de contra-relógio e campeão mundial de estrada, foi para mim o desportista que merece destaque, não só por ter conseguido o exito, mas porque o fez de uma forma limpa, num dos desportos mais duros e solitários que exitem.

a Bomba

por António Simões, em 18.12.13

PPortas, no seu melhor e puro estilo "One Man Show", inaugurou a contagem decrescente para o regresso da tugalândia aos mercados. Tal como uma bomba relógio, este marcador de dias, horas, minutos e segundos que faltam para esta horta voltar a depender exclusivamente do financiamento livre, vai culminar no dia em que, supostamente, os tugas irão celebrar o fim do programa de ajuda externa, e explodir numa coreografia de alegria e fim do sufoco da porra da austeridade. Só há um pequeno problema, algo que poderá fazer a contagem terminar mais depressa. O político das feiras esqueceu-se que pelo meio o TC ainda terá que dizer de sua justiça, e em caso disso mesmo acontecer, acho que a bomba relógio iniciada no sábado, não chegará sequer até ao fim do ano sem explodir...

as Ordens

por António Simões, em 17.12.13

Costuma dizer-se que o ser humano nunca está satisfeito. Se está chuva, prefere sol. Se está sol, prefere chuva. E por aí fora. Como este espaço também procura fazer algo de serviço pelo público, não posso deixar passar ao lado de uma notícia sem tecer o meu comentário e aviso. Os administradores hospitalares pretendem a criação de uma ordem profissional. A acontecer, será mais uma a juntar as existentes. As ordens mais antigas foram criadas com o intuito de coordenar uma classe profissional de ocupação 100% liberal. De lá para cá muito mudou, e a sua essência inicial perdeu-se nas mudanças das realidades profissionais de cada uma. Como pertenço a uma, e das mais antigas, é com espanto que assisto a esta moda de criação de ordens. Aos interessados em ingressar neste nada admirável mundo das ordens, informo que para exercer a profissão tenho que estar inscrito e contribuir com quotas mensais, sem qualquer tipo de direitos como os que se têm quando se é sindicalizado. Para além disso, recebo uma revista cuja distância entre a publicação e a sua entrega só me leva a acreditar que o envio é feito pelos CTT, mas do modo como o que está ilustrado no seu símbolo. Ou seja, a todos aqueles que não têm eu digo: "não tenham". Com o dinheiro que poupam sempre se podem sindicalizar, que é bem mais inteligente, ou então assinar uma revista que traga notícias, e não factos históricos...

dose Letal

por António Simões, em 16.12.13

Recordo o leitor que na semana passada ouve uma espécie de Mea Culpa por parte do topo da pirâmide do FMI, e ficamos a saber que os nossos credores acham que afinal a dose de austeridade foi servida em excesso. Essas declarações apenas me permitem concluir que essas pessoas não poderiam em circunstância alguma exercer as profissões de Polícia ou de Médico. De polícia porque em caso de interrogatório com recurso a medidas coercivas, no final o suspeito mesmo que conseguisse articular os maxilares para falar não o conseguiria fazer, fruto da morte cerebral decorrida depois de pancada servida q.b.. De médico porque para curar uma doença a dose do medicamento seria mal calculada, por excesso, e tal como diz o ditado "não se morre da doença mas morre-se da cura".

o grande amor da minha Vida

por António Simões, em 13.12.13

Este foi muito possivelmente um dos livros mais fraquinhos que li. O tamanho dele é inversamente proporcional à sua qualidade. Como o pano de fundo da história era a 2ª Guerra Mundial, mais precisamente o cerco a Leningrado, resisti estoicamente à vontade de deixar a obra a meio, na esperança que a qualquer momento iria ver a luz. Não a vi. As últimas 40 páginas foram lidas à moda Marcelo Rebelo de Sousa, apenas para ter a certeza que não vou ler os outros dois volumes desta trilogia. De resto apenas posso considerar relativamente útil esta obra para servir de argumento a uma possível telenovela, made in TVI.

leitura de 2013

por António Simões, em 12.12.13

Como resposta ao desafio lançado pela equipa dos Blogs do Sapo, aqui fica novamente o post que escrevi em Abril sobre o melhor livro que li durante este ano, "Um Longo Caminho para a Liberdade" de Nelson Mandela:

 

Muitas linhas seriam sempre poucas para descrever Nelson Mandela. Guiado pelo seu próprio punho, foi através desta obra que mais fiquei a saber sobre uma das figuras mais importantes, e nobres, da história mundial. Se o passado recente da África do Sul passa por quase um século de luta pelos direitos da maioria negra oprimida, os 27 anos que Madiba esteve preso em nome dessa causa conferem-lhe o estatuto de comandante da refrega. Tendo-lhe sido sonegado o direito pelo qual sempre lutou, é difícil de entender como descreve as agruras da vida prisional com uma naturalidade diáfana. No entanto, o sofrimento dessa reclusão é de sobremaneira exposto, aquando da primeira visita a Robben Island de sua filha, genro e neta, que tomo a liberdade de partilhar:

"Não apertava a minha filha nos braços desde quando ela tinha mais ou menos a idade da minha neta. Foi uma experiência vertiginosa, como num romance de ficção cientifica em que há uma distorção no tempo, abraçar assim a minha filha já adulta. Depois abracei o meu novo filho, que me passou para os braços o corpinho minúsculo da minha neta, que não larguei mais durante o resto da visita. Segurar um bebé macio e vulnerável nas minhas mãos calejadas, que há tanto tempo só manejavam coisas como pás e picaretas, foi uma felicidade imensa. Não creio que algum homem alguma vez se tenha sentido mais feliz ao segurar um bebé do que eu senti naquele dia (...) É costume ser o avô a escolher um nome, e optei por Zaziwe - que significa «Esperança». Um nome carregado de significado para mim que, durante toda a minha permanência na prisão, nunca perdi a esperança e que agora não mais me iria abandonar. Estava convencido de que aquela criança faria parte de uma nova geração de sul-africanos para quem o apartheid não passaria de uma memória distante. Era esse o meu sonho."

A sua obstinação como pessoa personifica-se nos seus hábitos diários, em que se levanta diariamente por volta das 5 horas para fazer exercício. Mesmo na prisão, impedido de sair da cela, corria durante 45 minutos sem sair do sítio. Este carácter resiliente, aliado a princípios de solidariedade e tolerância em doses desconhecidas noutro ser humano, possibilitaram que nas várias alturas em que o país seguia rumo à corrente da guerra civil fosse Nelson Mandela a âncora que estacionou a nação no porto da paz, conduzindo tudo e todos até às primeiras eleições livres e multiraciais. O longo caminho para a liberdade não terminou nesse dia pois tal como refere "Ser livre não é apenas quebrar as correntes, mas viver uma vida que respeita e estimula a liberdade dos outros. O verdadeiro teste da nossa dedicação à liberdade ainda mal começou".

órfãos de Heróis

por António Simões, em 11.12.13

Já restam poucos, e um dos maiores partiu para o merecido descanso do guerreiro. É sem dúvida alguma um paradoxo interessante classificar Nelson Mandela como um guerreiro da paz, mas penso ser a forma mais elucidativamente concreta de descrever alguém que lutou até ao fim pelo valor da amizade e fraternidade entre os povos, num país de tribos, etnias e raças. O eco da sua existência será ouvido tal como ainda hoje se ouve os ecos de outros que, tal como ele, marcaram a história universal. É certo que os tempos em que essas figuras sobressaíram do panorama geral eram outros, mas tal como o mundo evoluiu, as individualidades também o deveriam fazer. Restam poucos heróis hoje em dia. A esfera do poder mundial é ocupada por indivíduos de ideologias tão ocas como a sociedade em que vivemos, mais preocupada em carregar no botão like do que a deixar um comentário a dizer porque gostou. Quem manda é mandado, e o vínculo daquilo em que acreditam é demasiado fácil de dobrar de acordo com o sentido do cata-vento. Sobra mesmo muito pouca gente de valor, que mesmo em já avançada idade não hesita em apontar o dedo e mostrar-nos o caminho. A medida que perecerem, o mundo ficará órfão de heróis.

o fim da Crise

por António Simões, em 10.12.13

As medidas de austeridade e contenção orçamental não mudaram uma vírgula, tendo até acrescentado alguns pontos. O país continua na expectativa da decisão que irá sair do Palácio Raton. No entanto, os membros do governo receberam ontem uma lufada de ar fresco a justificar a sangria que os tugas tem vindo a sofrer, com a confirmação técnica do fim do período de recessão económica aqui pela tugalândia. Nesta altura os meus poucos conhecimentos na área de economia, junto com a minha certeza de estarmos entregues a um bando de incompetentes só me levam concluir que o único que nos últimos tempos mudou aqui pela tugalândia foi o topo da tabela classificativa, do campeonato nacional da primeira divisão de futebol. Se até aqui a expressão "estarmos entregues aos leões" era um mero recurso da retórica da oposição ao governo, depois deste fim de semana essa premissa literalmente passou a fazer sentido...

os Parasitas

por António Simões, em 09.12.13

O que tem em comum os parasitas do mundo animal e os partidos de extrema direita e os monárquicos? O mesmo modo de acção, ou seja, alimentam-se do hospedeiro. A esta conclusão facilmente se chega analisando o conteúdo programático de cada um, quando os mesmos se apresentam a eleições democráticas. Ora tendo em conta que os seus fins são o fim da democracia, esta comparação não pode ser considerada de algum modo ofensiva. No caso dos monárquicos, a sua expressão é demasiado pequena para ser alvo de preocupação, resumindo-se a um conjunto de fidalgos com vontade de chegar ao poleiro para viver a conta do Zé pagode. Já no caso da extrema-direita, o aumento da expressão dessa ideologia que deixou marcas indeléveis na história mundial deveria ser motivo de alerta. Segundo uma notícia recente, a benjamim de Le Pen prepara uma aliança com o seu homólogo holandês para juntos concorrerem às próximas eleições europeias. Aos europeus caberá tomar o remédio para as lombrigas, não vá dar-se o caso de retrocedermos 70 anos e cometer o mesmo erro...

adeus Madiba

por António Simões, em 06.12.13

Hoje muitas palavras seriam poucas. A sua luta terminou. Que descanse em paz, mais do que ninguém até à data, merece. Esperemos que o seu legado perdure por muitos anos, e que a sua história seja contada de gerações em gerações, como porta-estandarte da tolerância, da lucidez, do altruísmo, da sabedoria, da amizade, da paz. Obrigado por teres existido...

quando a esmola é Muita

por António Simões, em 05.12.13

O Santo desconfia. É exactamente este ditado que deve andar pela cabeça dos tugas. Depois de semanas com recados indirectos, com alguns escapando a esse disfarce, direccionados ao tribunal constitucional, o governo optou agora por uma nova abordagem, ainda mais indirecta. A troika aterrou com a caneta vermelha, para corrigir a execução orçamental, e com a caneta azul, para aprimorar as medidas a aplicar em nome do défice, sendo que os membros mais eminentes do governo despiram a pele de Dr Hyde e aliaram-se com, pasme-se!, o patronato, para defender os salários do trabalhadores do privado. Gostaria de ver aqui uma mudança do discurso político, mas temo mesmo que a verdade escondida por trás destas afirmações é bem mais perversa, pelo que neste caso concreto o melhor é mesmo verificar o dente ao cavalo dado. Assim, com esta estratégia de "defesa" dos direitos dos trabalhadores, o governo mais não está do que a dizer nas entrelinhas que eles não seguirão esse caminho, sempre e quando o traçado orientador do orçamento de estado para 2014 não seja alterado. Não falta muito para a decisão do constitucional ser conhecida, mas com tantas espadas de dâmocles em cima dos juízes, acho mesmo que desta vez a constituição vai pelo cano abaixo.

lugar do Saber

por António Simões, em 04.12.13

Nesta horta à beira mar plantada, um dos grandes negócios que nos últimos anos proliferou como se de uma infecção se tratasse foi o ramo das empresas de formação. Da mais especializada, à mais banal e inutilmente fútil, existe formação para tudo e mais alguma coisa. Neste modelo económico existem dois grandes grupos que beneficiam da actividade: os formadores, e os formandos. Os formadores porque são pagos para ensinarem a descascar uma batata sem usar as mãos. Os formandos porque são pagos para aprenderem a descascar uma batata sem usar as mãos. Quem se lixa neste caso são outras duas grandes entidades: o Instituto Nacional de Estatística, e os cofres do estado. O INE porque é enganado na hora de estabelecer a população activa. O estado porque tem que pagar a formadores e formandos. A pergunta é: o que é que o país ganhou com isto? Nada. É caso para dizer que o saber neste caso concreto não só não ocupou lugar, como pura e simplesmente não existiu.

água e Carvão

por António Simões, em 03.12.13

A RTP tem como comentadores residentes mais mediáticos duas figuras dos dois principais partidos, PSD e PS. Morais Sarmento à Quinta e José Sócrates ao Domingo, opinam sobre o que se passa aqui pela tugalândia. O nome das rubricas é, respectivamente, "A Semana de Morais Sarmento" e "A Opinião de José Sócrates". Numa das últimas intervenções que assisti de Morais Sarmento, o homem falou de toda a problemática relacionada com Angola com uma displicência e banalidade tal, que apenas me levou a concluir que ou o tipo tem raízes angolanas, ou então o seu patriotismo já teve o mesmo destino - o esgoto - tal como o do seu colega PPCoelho, o tal que disse que tínhamos de fazer tudo para manter as boas relações com o país de Eduardo dos Santos (literalmente). Depois de confirmar que o tipo afinal é tuga, e ainda por cima alfacinha, facilmente deliberei que este tipo de considerações só se explicam pela porrada que apanhou nos seus tempo do Boxe. De resto, não seria de esperar outra coisa, com Sarmento a defender a sua causa, e Sócrates a combater aqueles que tiranamente o ostracizaram, ao mesmo tempo que enviavam o país para a sarjeta. Assim, considero que a RTP deveria mudar o nome das rubricas. Quando se faz um churrasco é imprescindível o carvão para a fogueira, e a garrafinha de água para apagar aquela chama mais intensa e manter o brasido apenas incandescente. Nesta fogueira das vaidades políticas, Sarmento seria a água, e Sócrates o carvão...

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