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E porque não eu?

terapia de reflexão para mentes livres e com paciência, SA ou Lda não interessa, pelo menos pensar não paga impostos

E porque não eu?

não mais Neymar's

por António Simões, em 03.08.17

222 000 000 €! O leitor poderá confirmar em qualquer motor de busca que este valor se pode equiparar aos custos de infra-estruturas de grande envergadura, ficando a título de exemplo que com um cheque passado com esse valor se poderia pagar por adiantado 1/3 de tudo o que foi gasto nos 10 estádios para o euro 2004, bem como outro 1/3 do valor total (derrapagens incluídas) da ponte Vasco da Gama. O mundo do futebol continua a sua caminhada galopante para a insanidade, tendo como companheiro de viagem a lavagem descarada de capitais, e juntos conduzem a seu belo prazer sem se importarem com limite algum, pois pelos vistos se eles existem não apareceu até ao momento nenhuma entidade competente a fiscalizar de forma escrupulosa esta paranóia mundial. O futebol segue o seu curso porque a paixão dos adeptos fala mais alto, mas tal como eu muitos outros começam a estar fartos desta alucinação que perverte a essência do desporto rei. Neymar dobrou a fasquia e ainda acrescentou uns trocos, e nunca se sabe quando para o ano a estrela maior do Real Madrid não terá este record como objectivo principal para quebrar, agora que já ultrapassou o seu principal adversário em número de descendentes. Basta! O futebol e os seus clubes são mais do que um nome na camisola, e tal como eu li uma vez no Estádio do Dragão "o escudo que trazeis ao peito é mais importante que o nome que envergais na camisola"...

a biografia de Winston Churchill

por António Simões, em 19.07.17

Os 90 anos de vida de Sir Winston Churchill foram primorosamente resumidos nas 924 páginas desta biografia, obra de Sir Martin Gilbert, escritor que desde já presto aqui a minha singela homenagem por transmitir de uma forma isenta a vida, obra e história de uma personagem que ganhou o direito da eternidade reservada aos heróis que só não se tornam em mitos, porque na realidade existiram. Winston Churchill tendo vivido grande parte da sua vida no século mais conturbado da história da humanidade, foi um dos seus actores principais, pois destacou-se ao nível militar como combatente e dirigente, ao nível político como líder e oponente, sobrando ainda tempo para a sua incontornável boa disposição, o seu gosto tremendo pela vida e pelas pessoas, com espaço para as suas pinturas e leituras, não esquecendo a escrita pela qual foi distinguido com o Prémio Nobel da Literatura. Esta biografia permite contextualizar toda uma vida dedicada ao serviço da causa pública, desde os seus primórdios até bem perto do final, pois poucos foram os anos da sua "reforma", que ainda assim não foi isenta de uma ou outra incursão em assuntos preponderantes, onde a sua opinião era escutada. Guiado por esse desígnio, o caminho de Churchill não foi fácil, muito pelo contrário! Churchill foi muitas vezes ignorado, poucas vezes com razão. Em acontecimentos chave se a sua voz tivesse sido ouvida a humanidade poderia ter saltado muitas páginas negras que agora fazem parte dos arquivos tenebrosos da história universal. Seja nesses casos, seja nos que triunfou, mesmo voltando-se contra o seu próprio partido, a clarividência de Winston Churchill foi engrenada pelo seu conhecimento, por mover-se contra as convenções quando o interesse nacional era mais importante, e pela sua capacidade de antecipação dos acontecimentos, manifestada num soberbo acervo psicológico, intelectual, sociológico e histórico único. Recordar Winston Churchill é necessário, mais hoje do que nunca, num mundo actual tão órfão de homens e Estadistas.

sociedade Actual

por António Simões, em 29.06.17

É torturante conviver na sociedade actual! Num momento da "suposta" evolução do ser humano em que teríamos tudo para sermos o expoente máximo do caminho que se iniciou na estepe africana, não faltam os maus exemplos para constatar que o termo sapiens só pode ter sido mesmo adjectivado por quem o inventou, pois se tivéssemos que ser classificados por outros, de certeza que a taxonomia se ficaria pelo homo. As guerras, a fome e a injustiça continuam a preencher o nosso dia-a-dia, e chegam como demonstração da falibilidade da inteligência humana, bem como a constatação do espírito animal de sobrevivência e a nossa quota parte de irracionalidade que partilhamos com todas as outras espécies, às quais com a maior da jactância lhes chamamos de "animais irracionais". Irracionais ou não, têm bem definidos os seus limites de razoabilidade, bem como a posição que ocupam em cada uma das suas proto-sociedades. Hoje em dia, a nossa sociedade "humana" vive numa aldeia global onde o inverossímil se transforma com um pequeno toque de Midas, e existindo dinheiro e mediatismo tudo se consegue, de um modo que faria inveja ao mesmíssimo Rei da Frígia. Do mesmo modo que a sorte protege os audazes, a fama e o dinheiro devem produzir efeito semelhante na hora de assobiar para o lado e ignorar os atentados à decência, à humanidade, e à razoabilidade de actos que figuras de renome do nosso mundo actual por vezes praticam, ultrapassando todos os limites sem que por isso mesmo sejam criticadas ou apontadas. Viver hoje em sociedade é muito mais difícil do que antigamente, pois o círculo que então era muito circunscrito tornou-se progressivamente imenso, aumentando o sentimento de indignação quando esta não aparece quando deveria de aparecer.

habemos Hóquei

por António Simões, em 17.06.17

Obviamente que nenhum outro desporto pode ocupar os tempos de antena e a atenção dos tugas, que não seja o futebol. Mas este sábado o fim do campeonato de hóquei em patins fez justiça ao desporto em que os tugas são indubitavelmente os melhores do mundo, ao contrário do futebol em que o título europeu nos fez subir a crista, de um galo que não deve durar muito até ficar bem depenado... O certo é que o meu Futebol Clube do Porto venceu o título nacional, depois do confronto entre os clubes da segunda circular da capital ter terminado com um empate no marcador. Sequioso por títulos, estava a ver o desafio entre os clubes do antigo regime, certo que estava da vitória do meu clube. O jogo foi impróprio para corações fracos, mas pior do que isso foi ter que assistir num canal supostamente isento, tornando o desafio totalmente desaconselhado para quem dispõe de um sentido de justiça. O comentador da TVI 24 limitou-se ao anuncio formal dos golos dos verdinhos, mas já no que diz respeito aos golos dos vermelhinhos o seu festejo foi ao nível do clímax atingido pelo contacto sexual de um náufrago, depois de décadas de vida solitária numa ilha selvagem ao largo da costa do Chile. O fim do jogo trouxe um sabor amargo de um empate embrulhado em derrota, e até admirei esse indíviduo que poderia ter continuado numa espécie de alienação paranóica da função para o qual foi contratado, tendo feito o que melhor poderia fazer... calar-se e ver a festa nos tons mais bonitos do mundo - o AZUL E BRANCO.

chuva por Encomenda

por António Simões, em 13.06.17

Está para breve a publicação numa das maiores revistas do mundo da meteorologia e geofísica, um estudo acerca da influência da lavagem do meu carro na precipitação. De facto, após vários anos de averiguações, um equipa de cientistas internacionais foi alertada por este fenómeno que se encontra ao nível da influência provocada pelo anticiclone dos Açores. Perante estes factos, nada melhor do que ver o assunto pelo prisma do copo meio cheio, e em lugar de ver uma lavagem efectuada em vão, vejo uma grande possibilidade de negócio. Assim, já procurei uma equipa de informáticos para desenvolver um site, que servirá para se efectuar encomendas de precipitação. Todos os interessados, desde o singelo agricultor, ao empresário das grandes explorações agrícolas, passando pelos condutores de Formula 1 que conduzem melhor à chuva, e acabando nas empresas hidro-eléctricas que pretendem renovar o caudal das bacias das barragens, poderão efectuar a sua encomenda de chuva, e assim apesar de continuar com o problema por resolver, pelo menos lavo o carro mais vezes do que actualmente.

ídolos noutros Tempos

por António Simões, em 12.06.17

Nasci para a paixão pelo futebol vendo jogadores de calibre ímpar como Zé Beto, João Pinto, André, Jaime Magalhães, Sousa, Madjer, Mlynarczyk, Futre ou Fernando Gomes. Como era muito pequenito, a memória torna-se difusa na hora de ser preciso, mas lembro-me do dia em que o meu Porto veio a Monção para um jogo contra o Desportivo. Foi algo de mágico, como se de repente o impossível deixasse de o ser, e os ídolos que pareciam inacessíveis encontravam-se bem junto de mim. Tão junto que um deles, não me recordo qual, me levou ao colo para dentro do autocarro para eu continuar a coleccionar os tão preciosos autógrafos que eu ia juntando num pequeno bloco de notas. O bloco perdeu-se no tempo, mas uma bola autografada pelos Campeões Europeus de 1987 ainda conservo em casa, um verdadeiro troféu para um Portista de alma e coração como eu. Às assinaturas, ligeiramente gastas pela vontade de dar uns pontapés na alcatifa do meu quarto de pequeno, tenho procurado dar nova vida sempre que tenho a possibilidade de o fazer, quando esses ídolos tem a amabilidade de se deslocar a um dos pontos mais a norte deste pequeno país, para honrar com a sua presença os aniversários da Casa do Futebol Clube do Porto de Monção. Num deles, não desfazendo todos os outros, o Bi-Bota de ouro Fernando Gomes foi um dos convidados. Quase 30 anos depois de ter assinado a minha bola, este humilde redactor destas linhas pediu que renovasse a sua assinatura. De caneta na mão e bola na outra, expliquei o que tinha e o que queria, e na hora de lhe entregar a minha caneta as minhas mãos tremiam como varas verdes pelo nervosismo e excitação do momento. Um ídolo nunca se esquece, e tive a sorte de ainda pertencer a uma geração carregada de pessoas que merecem esse nome. Os tempos mudam, e mudam-se as vontades. Hoje não posso oferecer aos meus filhos pequenas e singelas experiências como essas, porque a realidade é bem diferente. A camisola com o número 10 do próximo ano já não terá o mesmo nome, e o mesmo se passa com muitas outras... ídolos só mesmo noutros tempos...

um disparo na Campanha

por António Simões, em 10.06.17

As eleições autárquicas ainda mal se vêem no horizonte, mas as máquinas partidárias já lubrificam as armas para a abertura oficial da caça ao voto. Perdoe o leitor por esta minha comparação, mas não julgue que a faço num sentido pejorativo qualquer, mas sim no sentido nobre da essência da caça, transportando-o para a luta política que mais não é do que o expoente máximo da democracia. Contudo, tal como em qualquer outra actividade que envolva os seres humanos, nem sempre as armas são as mesmas, e nem sempre se joga com o mesmo sentido de lealdade e nobreza. De eleições autárquicas só da minha terra poderei falar, porque só de Monção sei o que se passa, e de facto só deste antigo e belo concelho é que me interessa, motivo pelo qual aqui escrevo numa rara e singular vez. E se escrevo é porque fiquei verdadeiramente indignado com uma notícia que li, acerca da apresentação da candidatura do PSD à Câmara Municipal de Monção. Não discuto a forma, nem a apresentação, porque dos cofres de cada um, cada um deve falar por si, mas do que se diz e do que se afirma cada um tem responsabilidade pública. Para além dos discursos de circunstância encomendados da capital, o padrinho da apresentação comparou o candidato a Deu-la-Deu Martins. Pergunto-me se tal elevação foi feita pelo sentido histórico da heroína, ou na direcção de lenda? Segundo o edil dos Arcos de Valdevez a esposa do Capitão Mor de Monção de então "Salvou Monção do cerco! Salvou Monção da fome! Salvou Monção da derrota!", do mesmo modo que o seu apadrinhado o irá fazer mais de 700 anos depois. Com tamanha responsabilidade eu não gostaria de estar na pele do candidato, do mesmo modo que não gostaria de ter a capacidade argumentativa do padrinho, pois na hora de dar um tiro na decência e no respeito pela história e pelo presente de Monção não hesitou em puxar o gatilho.

os números da Bola

por António Simões, em 09.06.17

Não é a primeira vez e certamente não será a última que proclamo que "o mundo está completamente louco, sendo o fenómeno do futebol um bom exemplo disso mesmo, caminhando a passos largos para uma insanidade irreversível". Desafio quem tenha argumentos para refutar esta afirmação, mas desde já aviso que os meus fundamentos são veiculados diariamente pela imprensa, que das duas uma: ou se limita a informar acerca da insanidade do pessoal da bola; ou também já atingiu patamar tal que não é possível reverter a patologia, mesmo com a medicação mais avançada que actualmente existe. O certo é que se fala de milhões como eu falo do estado do tempo numa conversa de circunstância, e neste ponto dou razão aos nuestros hermanos que abreviam a coisa e no lugar de dizer que o Clube dos Cascalheiras de Baixo oferece 200 000 000 pela estrela do Real de Massamá, o famoso Cristiano Reinaldo, dizem que o valor da transferência ronda os 200 Kilos. Sejam Kilos, libras ou onças, os valores que "supostamente" circulam pelo mundo da bola à muito que perderam a vergonha da exploração, e os clubes de futebol com mais poder aproximam-se paulatinamente de uma espécie de governação ao estilo do feudalismo, devidamente orientados por organizações como a UEFA que ditam os mapas desse caminho de regresso ao passado. Por isso é sempre bom quando vozes esclarecidas se fazem ouvir, para alertar os mais incautos para os perigos desta "governação". Javier Tevas, presidente da Liga Espanhola, fez recentemente uma intervenção que deveria acordar os adeptos do futebol para a triste realidade que cada vez mais se assume como o futuro do fenómeno da bola redonda, onde prevê que o fosso entre os grandes clubes da Europa e todo os outros seja cada vez maior, mas pior do que isso é a visão de Apocalipse que tem para as pequenas ligas, tal como a nossa singela e pacata liga NOS, onde a viabilidade económica dos clubes só deve ter interesse para os viciados nos jogos do azar que já estão proibidos de entrar nos Casinos. O futebol mudou muito nos últimos 30 anos, mas não me parece que tenha sido para melhor...

eleições à Inglesa

por António Simões, em 08.06.17

O Reino Unido foi hoje a votos. A verdade é que estou verdadeiramente nas tintas com o resultado, porque tendo em conta que a sua saída já percorre o caminho da porta dos fundos não me parece que o que de lá vier nos traga algo de positivo, pois o que de positivo poderia vir já anda a ser negociado por essa Europa fora, na figura de todas as instituições europeias que tinham sede lá, e que agora precisam de um novo lar. No entanto, não deixo de admirar a clássica e típica maneira de estar inglesa, a terra dos cavaleiros, dos cavalheiros e dos gentlemen. As eleições foram então realizadas hoje, num vulgar dia da semana, e não tendo acesso aos números oficias não poderei construir o meu argumento com a solidez da matemática, mas sempre posso apostar numa análise sociológica para chegar a uma conclusão muito simples - isto não poderia acontecer na tugalândia! Se os nossos níveis de abstenção chegam frequentemente à maioria absoluta, em escrutínios realizados na pacatez dominical, imagine-se o que aconteceria se os mesmos fossem durante a semana. Se ao domingo a desculpa dos dias solarengos para ir à praia, ou a chuva e o frio que não permitem descalçar as pantufas levam os eleitores a assobiar para o lado acerca dos destinos do seu país, não consigo imaginar o ocorreria num dia útil da semana, pois se tivermos em conta que uma grande percentagem da população corresponde ao assalariado que vive ao sabor dos patrões, entidades enriquecidas do poder que os anos da troika por cá deixaram, não me parece que entre o dia de trabalho e as responsabilidades da casa sobre muito tempo para marcar a cruz no quadradinho...

doidos e Terroristas

por António Simões, em 06.06.17

Os noticiários continuam, infelizmente, a trazer notícias que colocam em perigo a democracia, o nosso modo de vida, e o quotidiano de milhões de pessoas por esse mundo fora. O último atentado em Londres ainda ocupava as primeiras páginas, e já hoje em Paris volta a acontecer algo que ainda não se sabe bem o que é. O que se está a viver é uma espécie de Guerra Fria que, ao contrário da anterior em que os dois blocos beligerantes estavam devidamente identificados e catalogados, se assume na sombra de entidades desconhecidas. Aos tristes e lamentáveis acontecimentos de suposto terrorismo, segue-se a reivindicação do acontecimento que pode tardar horas ou mesmo dias, mas que tem sido açambarcada pela mesma organização. Agora o que nos devemos perguntar, sem que isso contribua para aliviar o peso da injustiça e da desgraça que se abate sobre as famílias das vítimas, é até que ponto é que tudo isto não começa a ficar fora do controlo, e do terrorismo estarmos a viver também um clima de medo provocado por indivíduos desequilibrados que se revêm nestes acontecimentos e que deles querem também fazer parte. Caberá aos políticos e governantes encontrar uma solução que devolva a tão necessária paz que é essencial à sociedade humana, mas penso que os meios de comunicação social poderão dar uma inestimável ajuda, ao calibrar o seu dever de informação de forma a evitar fazer de algo que mais não é do que um acto de insana loucura, um serviço de publicidade gratuita.

o princípio do Fim

por António Simões, em 01.06.17

No dia 20 de Janeiro deste ano, publiquei um artigo com o título igual ao de hoje, com uma pequena diferença - o ponto de interrogação. Nesse dia, data em que Donald Trump tomou posse do cargo de Presidente dos E.U.A., a interrogação era uma figura de estilo que dava o beneficio da dúvida para um indivíduo que até então não se cansava de dar argumentos para eu, tal como muitos outros, ter a certeza do caminho que iria seguir. Hoje, poucos meses após esse dia, a interrogação já não faz sentido e Trump fez questão não só de rasgar os Acordos de Paris, como também destruir por completo a sua presunção de inocência, e argumento algum  pode justificar o fim de algo que tanto custou a conseguir. Negar as evidências do dia-a-dia e os avisos da comunidade cientifica internacional é algo que já não acontecia desde o tempo em que Galileu afirmou que a terra era redonda e orbitava à volta do sol, e tendo decorridos quase 500 anos desde esses tempos parece que a Inquisição sendo algo de um passado muito longínquo surge agora encarnada na figura de Donald Trump. A divina providência, no seu sentido de humor muito peculiar, proporcionou que o anuncio oficial ao mundo fosse feito no dia de hoje, dia mundial da Criança. No dia em que celebramos os seres humanos do amanhã, o mundo assistiu desde a primeira fila a um regresso ao passado de despotismo, arrogância e intolerância, verdadeiras setas apontadas ao coração desta velhinha terra que infelizmente não parece ter muita mais capacidade para aguentar a estupidez da raça que deveria ser sapiens, mas que no fundo é a menos inteligente de todas as criaturas que aqui habitam.

mais uma Lenda

por António Simões, em 28.05.17

Francesco Totti colocou hoje um ponto final na sua carreira, depois de ter representado o seu clube durante 25 anos, desde que no dia 28 de Março de 1993 se estreou pela sua equipa em jogos oficiais. Neste caso referir-se ao Roma como sua equipa poderá não ser um exagero, porque exemplos destes não sobram e cada vez mais se contam pelos dedos de uma mão, num mundo do futebol onde a perfídia do dinheiro vence qualquer obstáculo para atingir os fins desejados. Totti não foi um jogador qualquer, não tanto pelos títulos mas acima de tudo pela magia que só um verdadeiro número 10, merecedor dessa camisola, espalha pelo terreno de jogo. O mundo da bola segue de mão dada com o mundo do mundo, onde a lealdade e o respeito são valores que fazem parte de um passado cada vez mais longínquo, mas que de vez em quando convém relembrar e estudar, de modo a que exemplos como este não se tornem integralmente parte do passado. Arrivederci Totti!

 

www.youtube.com/watch?v=GxYXJvwrChk

 

estilo Diferente

por António Simões, em 25.05.17

Poderia divagar nas minhas minudências de argumentação, mas penso que o leitor ficará muito melhor servido se o próprio ler e comparar as mensagens que dois presidentes dos E.U.A. em anos diferentes deixaram no mesmo local - o Museu do Holocauto de Israel:

Barack Obama (2008) "Estou agradecido a Yad Vashem e aos seus responsáveis pela sua extraordinária instituição. Num tempo de grande perigo e promessas, guerra e progresso, estamos abençoados por ter uma recordação tão poderosa da capacidade humana em criar tanto mal, mas também da nossa capacidade de nos levantarmos e ultrapassar uma tragédia para reconstruir o nosso mundo. Os nossos filhos devem aqui vir e aprender a história, para que possam conosco unir-se e proclamar "nunca mais". E recordemo-nos daqueles que nos deixaram, não só como vítimas, mas também como indivíduos que tiveram esperança, amaram e sonharam como todos nós, e que se converteram em símbolos do espírito humano"

Donald Trump (2017) "É uma grande honra estar aqui com todos os meus amigos - é inacreditável, nunca o esquecerei".

As semelhanças são tão poucas, que caso o leitor tenha dúvida pode ver as mesagens escritas pelo punho de cada um em http://metro.co.uk/2017/05/23/trumps-words-at-the-holocaust-museum-have-been-contrasted-with-obamas-words-6656267/

efeito Marcelo

por António Simões, em 24.05.17

Existem muitos tipos de efeitos. Nas mais variadas categorias, em diversas disciplinas ou num sem fim de aplicações práticas diárias, os efeitos explicam e justificam fenómenos para o ser humano entender e deles tirar as devidas ilações: o efeito de estufa explica o aquecimento global; o efeito borboleta é o cerne da teoria do caos; o efeito doppler que justifica a percepção de som diferente por duas pessoas em locais distintos; o efeito de Bernoulli que permite aos aviões voar. Um sem fim de efeitos que acompanham teoremas, teorias, princípios ou postulados. Com pouco mais de um ano de presidência Marcelo Rebelo de Sousa já demonstrou que merece pertencer a esse conjunto de "efeitos". Como o registo de patentes está pela hora da morte, e sendo um singelo trabalhador de 40 horas semanais, não me sobra muito tempo para tratar dos direitos de autor desta ideia, pelo que arrisco aqui na escrita destas linhas para partilhar aquilo que ficará para a posteridade como o "efeito Marcelo". Desde 9 de Março que não param de acontecer coisas boas aqui pela tugalândia:

- em França, terra de emigrantes tugas, a Selecção Nacional conquistou um Campeonato da Europa, depois de ter consentido 3 empates contra adversários modestos, uma passagem aos quartos pela margem mínima contra a Croácia, penáltis salvadores contra a Polónia e a única vitória nos 90 minutos nas meias-finais contra o País de Gales. Só mesmo na final defrontamos um candidato ao título, e vencemos com um golo de um improvável Éder. Em 2004 eliminamos Espanha, Inglaterra, Holanda e perdemos a final com a improvável Grécia... palavras para quê;

- em Kiev, num festival europeu da canção que sempre premiou um estilo muito particular e inúmeras vezes peculiar, Salvador Sobral venceu com uma belíssima canção que rasga os cânones desse festival. Deve ter sido um caso de água mole em pedra dura, porque anteriormente já tínhamos enviado muita coisa boa, desde Simone de Oliveira "Desfolhada", Fernando Tordo "A Tourada", Paulo de Carvalho "E Depois do Adeus" ou Dulce Pontes "Lusitana Paixão"... palavras para quê;

- aqui pela Tugalândia, tivemos os anos do "Terror" em que coligação de direita governou como se fossem o Sheriff de Nottingam, a amealhar o dinheiro dos impostos para o Rei João, perdão o FMI, sem que conseguissem com essa actividade cega de colheita tirar o país do pântano. Chega agora uma geringonça que abre os cordões à bolsa, repõem os direitos dos trabalhadores ao melhor estilo de Robin dos Bosques e consegue tirar o país da miséria, com elogios de Wolfgang Schäuble que considerou Mário Centeno o "Cristiano Ronaldo do Ecofin"... palavras para quê.

Poderia certamente citar mais alguns exemplos, mas penso que estes três sobram em conteúdo para catalogar o "efeito Marcelo" como "o meio pelo qual temos chegado ao fim desejado, objectivo alcançado pela entropia desenvolvida pela actividade frenética e bem humorada do presidente da república mais jovial da história da tugalândia".

muito bem Donald

por António Simões, em 23.05.17

A César o que é de César! Se até ao momento não me tenho contido na hora de criticar e apontar o dedo ao actual presidente dos E.U.A., e seguindo uma linha de coerência argumentativa, desta feita tenho que dar os parabéns a Donald Trump! O mundo viveu ontem mais um episódio lamentável, desta vez em Manchester mas novamente durante um concerto musical. O terrorismo não dá tréguas, e os dementes que em seu nome perpetuam as tragédias não cessam a actividade hedionda e cobarde, em nome de algo que eles próprios não sabem o que é. As reacções não se fizeram esperar e Trump fez uma intervenção digna de nota, não tanto pela ameaça que deixou no ar, que reconforta quem clama por justiça, mas sim pela excelente caracterização de quem executa planos maquiavélicos como o de ontem. No seu discurso considerou que "chamar-lhe monstros é fazer-lhes a vontade" pois perante tal monstruosidade adjectivar desse modo é reconhecer o papel que desempenharam, aplicando-se muito melhor o termo "Losers", palavra que pode traduzir-se por perdedores ou, melhor ainda, por falhados. As palavras e os discursos nada fazem para apagar a dor de quem sofre com estas atrocidades, de pouco valem para desanuviar o clima de medo que paira um pouco por todo o mundo, mas sempre ajudam na hora de mitigar o futuro de um mundo escurecido, e desta vez trump esteve muito bem.

sétima República

por António Simões, em 22.05.17

Apesar de ainda recentemente ter lido um livro que demonstra que existem coisas que nascem torto mas que no final até se endireitam, contrariando o velho ditado popular, existem outras situações que provam que os antigos de burro nada tinham. Confirmando essa velha máxima temos um bom exemplo na sexta república brasileira. Em 1985 o Brasil entra no mundo da democracia, abandonando um regime militar que até então se "encarregou" dos destinos do país. A honra presidencial da 6ª República caberia a Tancredo Neves, não fosse o infortúnio ter batido à sua porta impedindo-o de tomar posse. Ao falecido presidente que não chegou a ser sucederam José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer. Nestes 32 anos o povo brasileiro teve 7 presidentes. Até ao momento apenas Fernando Henrique Cardoso passou incólume depois de ter ocupado o Palácio do Planalto, pois se não fosse a senhora da saia sem "calcinha" que acompanhou Itamar Franco num dia de Carnaval, o antigo presidente teria também efectuado uma governação isenta de escândalos. O resto é o que foi, e o que se vê. José Sarney não escapou aos rumores de corrupção. Lula da Silva foi mais longe, tal como a sua presença assídua nas barras dos tribunais o pode confirmar. Collor de Melo e Dilma Rousseff foram demitidos das suas funções, e pelo andar da carruagem o actual presidente terá o mesmo destino. Ou seja, o escândalo e a corrupção são adjectivos inalienáveis desta geração de governantes que não se cansam na hora de inventar o melhor modo de facilitar o trabalho a jornalistas e afins. O povo brasileiro é que está farto destas novelas, e o melhor é mudar o enredo e passar de vez para a sétima república.

twitter Trump

por António Simões, em 17.05.17

É certo que a cadeira já está aquecida, e a caneta já deve ter sido recarregada de tinta depois de tantos despachos a "despachar" o trabalho que Barack Obama desenvolveu ao longo dos seus dois mandatos, acabando com uma política que pelo menos durante uns tempos fez dos E.U.A. um país minimamente decente, mas o facto preponderante é que a procissão ainda vai no adro, e estes poucos meses em que Donald Trump anda a brincar aos presidentes só confirmam as piores previsões possíveis, e não permitem que se possa estipular um futuro, perante a neblina que a atitude de um mentecapto não para de lançar sobre tudo e sobre todos, com clara tendência para se tornar cada vez mais cerrada. Só agora, depois do mal estar feito, é que começa alguma contestação. Seria positivo para a humanidade que essa contestação fosse contra o fim do Obamacare, contra a construção do muro na fronteira mexicana, ou contra a ausência mais que certa dos E.U.A. dos acordos de Paris. Mas não. Trump começa a ser contestado pela suas deliberações governativas em sede do Twitter, ou pelas supostas fugas de informação para os "amigos" Russos. É caso para dizer "estes americanos estão loucos". Que estavam à espera?! Que sendo presidente deixaria de usar essa rede social como sempre usou durante a campanha, ou que não pagasse o cheque pelos favores que os "amigos" lhe fizeram ao se meterem pela porta dos fundos nas passadas eleições. Meteram-no lá! Agora levem com o twitter Trump até ao fim.

o que nasce torto também se Endireita

por António Simões, em 15.05.17

Foi pelo título que a curiosidade despertou, e que me levou a ler esta obra de uma pessoa que estamos mais habituados a ver pela televisão, mas que fez muito bem quando decidiu fazer aquilo que os jornalistas melhor sabem fazer - pesquisar. Num registo simples e prático, João Moleira apresenta um grande número de factos, acontecimentos e invenções que tinham tudo para não serem nada, mas que no final provaram que afinal de contas "o que nasce torto também se endireita".

a Hegemonia

por António Simões, em 14.05.17

É penoso para mim escrever estas linhas, mas nada melhor do que purgar os pensamentos para aliviar a mágoa que este quarto título seguido do clube da segunda circular que fica em frente do C.C Colombo me provoca. Ao longo de toda a minha vida nunca tinha assistido a algo de semelhante, habituado que estive a festejar com uma frequência muito superior a qualquer outro, seja a nível nacional, seja a nível internacional. Mas os tempos agora são outros, e o ciclo está definitivamente fechado por estes quatro campeonatos seguidos sem que o meu Porto tivesse apresentado os argumentos que fizeram a sua imagem de marca dos últimos 35 anos. A mística, a garra, e a vontade indómita de vencer perdeu-se pelo caminho por motivos vários que são demasiados para aqui apontar, perdendo-se assim a única vantagem competitiva que tinha em relação aos clubes do regime, equipas que pelo que representaram na história partem sempre na frente. Para ganhar o Porto tem que ser muito superior a todos os outros. Com uma capacidade mobilizadora que esmaga qualquer concorrência, o clube da luz assumiu o seu papel de sempre. Disse no início que escrevo com mágoa, e se o faço não é pelo amargo da derrota, mas sim pelo fel da injustiça que os meios de comunicação social não se cansam de aumentar. As vitórias de encarnado são transmitidas em directo durante horas a fio e os telejornais só têm essa notícia para apresentar. Ontem Salazar deveria estar contente...

papa e Papadores

por António Simões, em 12.05.17

Hoje é dia de visita à tugalândia do Papa Francisco. Jorge Mario Bergoglio trouxe à Igreja a brisa que desapareceu desde que João Paulo II nos deixou, e desde que assumiu as suas funções não parou de transportar essa frescura sob a forma de caridade, boa vontade e esperança, por todos os locais por onde passa e onde está. Temos nestes dias a honra e responsabilidade de receber o Papa Francisco, e estou certo que como tugas não deixaremos que a nossa fama de hospitalidade se fique pelo mito. É no entanto completamente impossível que esta visita seja excluída da presença dos papadores, sejam os do costume, sejam os de circunstância. Em Fátima não faltam exemplos bem demonstrativos disso mesmo, que nestes dias assumem contornos de ridículo ou, se quisermos falar de um modo mais eclesiástico, verificando-se situações de verdadeira blasfémia onde o despudor de uns face ao desespero de outros origina casos de contornos tais que não dignificam nada nem ninguém. Como se não fossem suficientes os inúmeros casos dos incógnitos que mancham toda esta envolvência, as nossas autoridades receberam por estes dias uma viatura, em regime de pro bono. Sendo oferecida, obviamente que não poderia ser recusada porque o ditado já diz que "a cavalo dado não se olha o dente", mas não deixa de ser mais um bom exemplo de como os papadores podem assumir várias formas, desta feita do modo mais matreiro possível e ao melhor estilo alemão, garantindo uma exposição e publicidade proporcional à expectativa do acontecimento. O Papa que prefere andar de autocarro terá assim guarda de honra nacional, confortavelmente sentada ao volante de um BMW i8 avalidado na ordem dos 143 mil euros.

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