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E porque não eu?

terapia de reflexão para mentes livres e com paciência, SA ou Lda não interessa, pelo menos pensar não paga impostos

E porque não eu?

alô 2018, sociedade Precisa-se

por António Simões, em 13.01.18

Por estes dias já estão decorridos mais de 365 nascer e por do sol, desde o dia em que um ícone como Mario Soares deu por finalizada a sua missão. 2017 começou levando a cabo a inevitabilidade do fim de um ser humano que pautou a sua vida em prol da sociedade, guiado pelos valores mais nobres que foi capaz de adquirir para os moldar num modelo de acção que já é pedra basilar da história de um pequeno país como o nosso. Modelos como esse vão sendo escassos, e substituídos por algo que não me atrevo a catalogar, pois serão parcos os adjectivos do meu dicionário para encontrar classificação possível. O ano que passou começou com algo que só se poderia encontrar numa paródia ao melhor estilo da sétima arte, mas que para infelicidade da humanidade transbordou as fronteiras da imaginação para se tornar algo tristemente real. O país mais influente do planeta escolheu para seu líder aquilo que todos sabemos, e que desde então não parou de lançar as suas lanças de desprezo e irresponsabilidade, roçando sempre até ao ponto de rasgar os paradigmas da inverossímilidade mais pura. 2018 começa com com uma ovação tonta e idiota de uma plateia que supostamente seria inteligente, quando a mesma se revê num discurso de esperança proferido por uma boa pessoa, mas que em circuntância alguma poderia ser vista como uma esperança na oposição. Alô 2018, sociedade precisa-se...

presidente mas Pouco

por António Simões, em 05.12.17

Uma das séries que marcaram a minha infância foi "Whos the boss", título subtilmente traduzido para o nosso belo e corrente tuga por "Chefe mas pouco". Lembrei-me deste preâmbulo ontem quando o nosso ainda Ministro das Finanças foi eleito para ocupar o cargo de Presidente do Eurogrupo. Esta - digamos - instituição existe desde 2005, tendo até ao momento sido ocupada por um luxamburguês, por um holandês e por um tuga que ainda vai a caminho. Os candidatos que Mário Centeno tinha pela frente eram o luxemburguês Pierre Gramegna, o eslovaco Peter Kazimir e a letã Dana Reizniece-Ozola. Para além de facilitar o trabalho dos jornalistas de línguas latinas que assim evitam nomes de difícil pronuncia, pois para isso já chegou ter lá um Dijsselbloem, esta eleição marca uma tendência que me fez lembrar a tal serie que falei no início. No lugar de surgirem os leões de países influentes como a França e a Alemanha, os que verdadeiramente mandam preferem ter lá os cordeiros favoritos para poder manobrar à sua vontade. Tal como as hienas que se aproveitam das carcaças, quem manda nesta Europa do século XXI sabe muito bem escolher quem quer para os seus lugares. Já agora, parabéns senhor ministro!

comentário a Frio

por António Simões, em 03.12.17

Deixei passar o período necessário, de modo a não escrever umas linhas demasiado temperadas, procurando marinar os pensamentos de forma mais lenta, ganhando assim o sabor perfeito do comentário final para ser servido a frio. Posto este preâmbulo, gostaria de comentar os acontecimentos desportivos da última semana, englobando os dois jogos que o meu clube efectuou em sede do campeonato nacional de futebol da primeira divisão, ou liga nós, ou como lhe quiserem chamar, pois por mim o melhor nome até seria algo que fizesse lembrar um molusco invertebrado que habita os interstícios do mar, mas pintado de vermelho. Duas grandes penalidades ficaram por marcar em dois jogos onde o Futebol Clube do Porto foi roubado em 4 pontos, permitindo a liderança actual partilhada com os leões de alvalade, e dando o alento vital que evitou a transformação da águia da luz num pintassilgo da floresta. Isto não é novo, como não é novo cortar as pernas quando o Porto começa a correr muito e os outros não o conseguem acompanhar. Mas se até agora se poderia dar o benefício da dúvida ao homem do apito, o desditoso VAR estaria encarregue hoje de aprimorar as decisões da equipa de arbitragem. Tal não aconteceu! Em ambos os casos Rui Costa e Jorge Sousa não mexeram a "peida" para recorrerem ao VAR. Os resultados foram indubitavelmente condicionados numa altura que nunca seria decisiva para o desfecho da liga, mas sem dúvida alguma crucial para o actual momento do campeonato. Ainda falta muito para o desfecho final, o caminho será difícil, e mais do que acreditar na conquista final, acredito no trabalho que Sérgio Conceição está a fazer e vai fazer. Força Porto.

o supermercado II

por António Simões, em 02.12.17

Recorro ao título que gerou mais visualizações e comentários neste blog, de uma publicação que já conta com mais de 6 anos, não pela esperança de voltar a essa ribalta efémera da blogosfera, mas porque no fundo o tema e o conteúdo do artigo actual se assemelha em muito ao de então. A tugalândia assume uma vez mais o papel de supermercado de eleição do continente europeu. Ao mundo do futebol, com todas as transferências de jogadores e treinadores dos economicamente modestos clubes tugas para os endinheirados tubarões da elite europeia, junta-se agora o mundo da política. O actual detentor da pasta das finanças piscou o olho de forma deliberada ao Eurogrupo, dando assim sinal claro e positivo para oficializar o romance iniciado no dia em que foi comparado a um Cristiano Ronaldo do mundo da Economia. Repete-se assim o Fado tuga de se ver privado daquilo que de melhor se tem e se faz, sugado pela entidade superior à qual devemos o contributo de fiel vassalos. Centeno ainda não partiu, mas está mais do que visto que o seu destino final será o Castelo do Senhor que continua e continuará a reinar nesta Europa moderna do século XXI, tão pouco diferente da Europa Medieval do tempo do feudalismo...

zé Pedro

por António Simões, em 30.11.17

1979 foi um ano único, ímpar e irrepetível. Poderia para o efeito bastar o dia 6 de Julho para assim classificar o último ano da década de 70, mas não se pode deixar de assinalar outras datas desse grande ano como o dia 13 de Janeiro, pois foi então que o grupo Xutos & Pontapés deu o seu primeiro concerto. O mundo da música contou desde então com um grupo que percorre décadas, pessoas e gerações, que pela sua qualidade, sentimento e peculiaridade há muito que conquistou o seu merecido lugar do panteão do inolvidável. Hoje um dos seus membros deixou-nos. A crueza fria da inevitabilidade levou uma parte da alma dos Xutos, colocando não só o fim à vida terrena de Zé Pedro, mas também à do grupo que ajudou a fundar e a erguer ao mais alto. A música que a guitarra de Zé Pedro destilava das suas cordas não mais nos vai surpreender, ficando agora ao cargo da eternidade a responsabilidade de guardar para todo o sempre uma pessoa que fez ao longo da sua vida aquilo que nos distingue como seres humanos, pois pela sua arte de mimar as cordas da guitarra tocou muitas das melhores melodias de sempre da música portuguesa. Até sempre...

 

black Days

por António Simões, em 25.11.17

Falta precisamente 1 mês para o dia de Natal. Ontem faltava precisamente 1 mês para a noite da consoada. Por estes dias a caixa de sms do telemóvel só não ficou cheia das mensagens a avisar da Black Friday, porque assim que elas chegavam o seu destino era imediato para o lixo. No entanto, movido pela minha curiosidade de rato de laboratório, não deixei de verificar pela internet as promoções de alguns dos sites que aderem a esta febre de consumismo que clama em voz alta o fim no mundo, para os incautos consumidores que não aproveitam a onda de descontos do momento. É certo que se em alguns casos a poupança esta garantida, em muitos outros ela vem camuflada por uma mentira que já foi evidenciada por organismos como a DECO e por pessoas atentas ao fenómeno de subir hoje para descer amanhã. Contudo escrevo estas linhas não para me manifestar contra sextas feiras negras, nem para escrutinar o valor e conteúdo das mesmas, mas sim pela essência das mesmas quando assumiram a sua tradição de pautar o calendário natalício, seja a um mês do Natal, seja depois deste. Nunca nada é como foi, e as coisas são como são, mas não tenho qualquer problema em assumir que os dias em que hoje vivemos em nada se comparam com o de outros tempos, estando totalmente mergulhados num pântano de valores, no qual nadamos durante o ano inteiro. Esta altura do ano que se aproxima provoca em mim um certo saudosismo de outros tempos, acentuado pelo simples facto que não me consigo encontrar uma bóia que me resgate deste pântano no qual a sociedade actual gosta de chafurdar, escurecendo não só a sexta como todos os outros dias da semana.

e vão Sete

por António Simões, em 21.11.17

Comemorar um aniversário, uma efeméride ou simplesmente uma data, é algo que faz parte da essência humana de recordar aquilo que já aconteceu, e reunir nesse espaço de tempo todo o conjunto de memórias que desde então engrandecem, documentam e justificam os motivos pelos quais se devem sempre celebrar datas que nos dizem algo,  e que pontuam de forma solene um dia especial no calendário. Com os inalienáveis altos e baixos este blog cumpre hoje 7 anos de existência, cimentados pelos 1097 artigos que desde então já foram publicados, alguns dos quais elevados ao estatuto de destaque pela equipa que gere os conteúdos do Sapo. Os comentários que triplicam o número de publicações são um dos combustíveis que continuam a alimentar a chama que permite alumiar o caminho de quem por aqui deixa estes pensamentos, e aos seus autores fica aqui o meu agradecimento pelo seu contributo. Obrigado!

jantar no Panteão

por António Simões, em 11.11.17

Cada vez mais acredito que quando se pensa não ser possível descer mais baixo, existe sempre alguém ou alguma coisa que nos empresta uma pá para escavar mais fundo. Neste caso, perante a ignomínia de magnitude ímpar como o é efectuarem-se jantaradas em pleno Panteão Nacional, a pá não chega para tão fundo buraco, pelo que só mesmo com uma potente retro-escavadora é que é possível chegar tão ao fundo da imbecilidade e da estupidez. Segundo notícia da Radio Renanscença o Panteão Nacional serviu para um jantar da Web Summit, a mega concentração de empreendedores que se assume como o zénite da economia de mercado do século XXI das tecnologias, religião que paulatinamente caminha no sentido de tornar o planeta no habitat de investidores e criativos, sobrando pouco espaço para o destino final dessa sinergia - os consumidores - pois pelo andar da carruagem qualquer dia tudo se inventa e nada se compra. De facto, um jantar da Web Summit no meio de um local onde se presta a devida homenagem aqueles que já partiram, é uma antítese carregada de um prosaico sentimento de começar de novo. Apesar de não acreditar que tenha sido esse espírito romanesco que levou à escolha do local, fiquei assim a saber que é por despacho da Presidência do Conselho de Ministros do tempo de PPCoelho que ficou regulada a utilização de espaços públicos para a realização de eventos. Tudo bem que o sentido lato dessa resolução se entende pelo aproveitamento financeiro de certos espaços, de modo a rentabilizar os mesmos para proveito próprio, mas acho que tudo tem um limite, e jantares num local onde se encontram os restos mortais de pessoas é uma coisa que ultrapassou totalmente esse limite. Pergunto-me o que se segue a seguir? O Rock in Rio no Cemitério dos Prazeres? Um baile de disfarces com as peças do Museu do Traje? Festas de divórcio no Mosteiro dos Jerónimos? ou uma Ramboiada no Convento de Cristo?...

a Bola

por António Simões, em 09.11.17

Foi hoje apresentada a vedeta principal do próximo mundial de futebol, que se vai realizar nas terras dos czares, das matrioskas, da vodka e do borcht - a bola. De facto podem ir a Argentina, a Tugalândia ou o Brazil, os Messis, os Ronaldos ou os Neymares, mas a principal vedeta já reservou o lugar no rectângulo verde. Objecto de poucas faces e redondo na sua forma, encerra nessa figura geométrica todo o sentimento que se pretende num evento desta envergadura, mimetizando a forma do mundo que se reúne de quatro em quatro anos para coroar o campeão de uma modalidade que se não existisse teria mesmo de ser inventada. A bola é um objecto singelo que preenche o coração de pequenos e graúdos, tratada com o desprezo de pontapés mas celebrada como muito pouco coisa o é, na hora em que bate no fundo das redes e provoca o brado de multidões de adeptos loucos de alegria. 48 anos depois a Telstar está de volta.

em viagem pela europa de Leste

por António Simões, em 12.10.17

Numa verdadeira viagem no tempo, a leitura deste livro mais do que trazer os registos nele narrados, é uma experiência única onde se contacta de forma directa e quase inicial com aquele que se viria a tornar um dos maiores escritores do século XX. Completamente fora do registo por qual o conheci, Gabriel Garcia Marquez descreve com o pormenor de um jornalista mas com a prosa de um escritor único, a viagem que fez pela Europa de Leste numa altura onde a II Guerra Mundial já pertencia a outra década, mas cujas chamas ainda se encontravam bem acesas numa Europa dividida por duas maneiras muito distintas de ver o mundo e a humanidade. Essa contenda entre a liberdade e a doutrina durou muitos anos e só não acabou noutra guerra mundial porque foi um conflito servido a frio. O livro é pequeno e sendo a leitura dele de um prazer imenso só espero que do baú das recordações, ou de uma gaveta onde se guardem rascunhos que nunca viram a luz do dia, ainda surjam novas provas que documentem o grande e versátil que era esse grande Colombiano.

a Denúncia

por António Simões, em 11.10.17

Como gosto do autor, e como de vez em quando é necessário dar um espaço a literatura mais ligeira, regressei a John Grisham e ao mundo dos advogados e dos julgamentos. Esclareço desde já que quando me refiro à "literatura mais ligeira" não o faço com qualquer sentido pejorativo, mas sim no sentido de diferenciar de outro tipo de obras/escritores, pois as viagens pelo mundo dos livros têm diferentes caminhos, sendo a meta a mesma - o prazer pela leitura e pelo conhecimento. Nesta "Denúncia" o escritor alerta para o perigo que um dos pilares da democracia pode correr quando a ganância entra pela casa da justiça dentro, levando consigo os tentáculos do mundo do crime. Numa história ficcionada mas que pode ser bem real, John Grisham conduz o leitor pela trama guiado pelos mais improváveis heróis - dois advogados que zelam pelo cumprimento das regras dos tribunais, que são alertados por uma denúncia anónima, movida não por um sentimento de justiça, mas sim na esperança de que se desfazendo uma injustiça lhe coubesse uma boa recompensa pela "boa" acção...

a meta é o Caminho

por António Simões, em 17.09.17

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i Toque

por António Simões, em 09.09.17

Depois de uma investigação exaustiva onde foram abordadas as mais diversas variáveis, devidamente orientadas pelos critérios internacionais de rigor experimental, estou em condições de afirmar que cerca de 83,57% dos utilizadores de um iPhone usaM o toque que se encontra estabelecido por definição. Lembro o leitor mais distraído que esse toque é uma música de xilofone até bastante agradável, uma verdadeira melodia se o compararmos com o antigo toque da Nokia, mas que fica a anos luz de qualquer outra opção que hoje em dia é possível escolher, passados que estão os tempos da idade média dos telemóveis dos toques polifónicos. O que não pude confirmar, por razões de logística orçamental, é o porquê desse número tão avassalador de pessoas que se mantêm fiel ao toque original, não optando por personalizar o toque, seguindo três das premissas que levaram ao i dos produtos apple: utilizar a i(nternet) para i(nspirar) o utilizador a i(ndividualizar) o seu i(phone). Coincidência ou estatuto, fica aqui a dúvida sobre o assunto...

tempo dos Tontos

por António Simões, em 08.09.17

Depois de ter escrito o post de ontem, fiquei a matutar na ideia final. A Silly Season, ou no nosso bom e velhinho tugalês "temporada dos tontos", é aquele tempo definido pela ausência de volume informativo capaz de alimentar a produção diária dos meios de comunicação, típico do tempo estival onde a grande parte dos elementos de decisão se encontram em balanço ou de férias, o que para muitos deles é o mesmo que o dia-a-dia, só que de forma oficial. No entanto este tempo está em vias de extinção, pois tontos, tolos e estúpidos não faltam por este mundo fora, principalmente nas altas esferas de nações tão opostas como a Coreia do Norte e os Estados Unidos. Enquanto que no norte da península coreana fazem explodir bombas de hidrogénio e o povo se manifesta com júbilo e fogo de artifício, nas terras do Tio Sam o o presidente usa uma rede social cuja tradução à letra significa "tagarelice" para se manifestar acerca dos ventos pirotécnicoS que sopram do lado de lá do oceano, que até ao momento ainda se encontra classificado como "Pacífico". Por estas, e por muitas outras, a Silly Season está aberta para o ano inteiro...

de Regresso

por António Simões, em 07.09.17

Como poderá verificar pela frequência das publicações que efectuei durante os meses de Julho e Agosto, a minha actividade pseudo-literária é inversamente proporcional à temperatura ambiente e ao grau de luminosidade diária, facto que só comprova duas coisas. Por um lado, confirmo a minha pertença à classe dos mamíferos, ou pelo menos demonstro de forma inequívoca que não faço parte dos répteis. Por outro lado, fica patente que este verão foi à altura dos seus pergaminhos, e o melhor mesmo é aproveitar o que ainda sobra. Até porque em tempo de Silly Season, as notícias já são o melhor argumento...

não mais Neymar's

por António Simões, em 03.08.17

222 000 000 €! O leitor poderá confirmar em qualquer motor de busca que este valor se pode equiparar aos custos de infra-estruturas de grande envergadura, ficando a título de exemplo que com um cheque passado com esse valor se poderia pagar por adiantado 1/3 de tudo o que foi gasto nos 10 estádios para o euro 2004, bem como outro 1/3 do valor total (derrapagens incluídas) da ponte Vasco da Gama. O mundo do futebol continua a sua caminhada galopante para a insanidade, tendo como companheiro de viagem a lavagem descarada de capitais, e juntos conduzem a seu belo prazer sem se importarem com limite algum, pois pelos vistos se eles existem não apareceu até ao momento nenhuma entidade competente a fiscalizar de forma escrupulosa esta paranóia mundial. O futebol segue o seu curso porque a paixão dos adeptos fala mais alto, mas tal como eu muitos outros começam a estar fartos desta alucinação que perverte a essência do desporto rei. Neymar dobrou a fasquia e ainda acrescentou uns trocos, e nunca se sabe quando para o ano a estrela maior do Real Madrid não terá este record como objectivo principal para quebrar, agora que já ultrapassou o seu principal adversário em número de descendentes. Basta! O futebol e os seus clubes são mais do que um nome na camisola, e tal como eu li uma vez no Estádio do Dragão "o escudo que trazeis ao peito é mais importante que o nome que envergais na camisola"...

a biografia de Winston Churchill

por António Simões, em 19.07.17

Os 90 anos de vida de Sir Winston Churchill foram primorosamente resumidos nas 924 páginas desta biografia, obra de Sir Martin Gilbert, escritor que desde já presto aqui a minha singela homenagem por transmitir de uma forma isenta a vida, obra e história de uma personagem que ganhou o direito da eternidade reservada aos heróis que só não se tornam em mitos, porque na realidade existiram. Winston Churchill tendo vivido grande parte da sua vida no século mais conturbado da história da humanidade, foi um dos seus actores principais, pois destacou-se ao nível militar como combatente e dirigente, ao nível político como líder e oponente, sobrando ainda tempo para a sua incontornável boa disposição, o seu gosto tremendo pela vida e pelas pessoas, com espaço para as suas pinturas e leituras, não esquecendo a escrita pela qual foi distinguido com o Prémio Nobel da Literatura. Esta biografia permite contextualizar toda uma vida dedicada ao serviço da causa pública, desde os seus primórdios até bem perto do final, pois poucos foram os anos da sua "reforma", que ainda assim não foi isenta de uma ou outra incursão em assuntos preponderantes, onde a sua opinião era escutada. Guiado por esse desígnio, o caminho de Churchill não foi fácil, muito pelo contrário! Churchill foi muitas vezes ignorado, poucas vezes com razão. Em acontecimentos chave se a sua voz tivesse sido ouvida a humanidade poderia ter saltado muitas páginas negras que agora fazem parte dos arquivos tenebrosos da história universal. Seja nesses casos, seja nos que triunfou, mesmo voltando-se contra o seu próprio partido, a clarividência de Winston Churchill foi engrenada pelo seu conhecimento, por mover-se contra as convenções quando o interesse nacional era mais importante, e pela sua capacidade de antecipação dos acontecimentos, manifestada num soberbo acervo psicológico, intelectual, sociológico e histórico único. Recordar Winston Churchill é necessário, mais hoje do que nunca, num mundo actual tão órfão de homens e Estadistas.

sociedade Actual

por António Simões, em 29.06.17

É torturante conviver na sociedade actual! Num momento da "suposta" evolução do ser humano em que teríamos tudo para sermos o expoente máximo do caminho que se iniciou na estepe africana, não faltam os maus exemplos para constatar que o termo sapiens só pode ter sido mesmo adjectivado por quem o inventou, pois se tivéssemos que ser classificados por outros, de certeza que a taxonomia se ficaria pelo homo. As guerras, a fome e a injustiça continuam a preencher o nosso dia-a-dia, e chegam como demonstração da falibilidade da inteligência humana, bem como a constatação do espírito animal de sobrevivência e a nossa quota parte de irracionalidade que partilhamos com todas as outras espécies, às quais com a maior da jactância lhes chamamos de "animais irracionais". Irracionais ou não, têm bem definidos os seus limites de razoabilidade, bem como a posição que ocupam em cada uma das suas proto-sociedades. Hoje em dia, a nossa sociedade "humana" vive numa aldeia global onde o inverossímil se transforma com um pequeno toque de Midas, e existindo dinheiro e mediatismo tudo se consegue, de um modo que faria inveja ao mesmíssimo Rei da Frígia. Do mesmo modo que a sorte protege os audazes, a fama e o dinheiro devem produzir efeito semelhante na hora de assobiar para o lado e ignorar os atentados à decência, à humanidade, e à razoabilidade de actos que figuras de renome do nosso mundo actual por vezes praticam, ultrapassando todos os limites sem que por isso mesmo sejam criticadas ou apontadas. Viver hoje em sociedade é muito mais difícil do que antigamente, pois o círculo que então era muito circunscrito tornou-se progressivamente imenso, aumentando o sentimento de indignação quando esta não aparece quando deveria de aparecer.

habemos Hóquei

por António Simões, em 17.06.17

Obviamente que nenhum outro desporto pode ocupar os tempos de antena e a atenção dos tugas, que não seja o futebol. Mas este sábado o fim do campeonato de hóquei em patins fez justiça ao desporto em que os tugas são indubitavelmente os melhores do mundo, ao contrário do futebol em que o título europeu nos fez subir a crista, de um galo que não deve durar muito até ficar bem depenado... O certo é que o meu Futebol Clube do Porto venceu o título nacional, depois do confronto entre os clubes da segunda circular da capital ter terminado com um empate no marcador. Sequioso por títulos, estava a ver o desafio entre os clubes do antigo regime, certo que estava da vitória do meu clube. O jogo foi impróprio para corações fracos, mas pior do que isso foi ter que assistir num canal supostamente isento, tornando o desafio totalmente desaconselhado para quem dispõe de um sentido de justiça. O comentador da TVI 24 limitou-se ao anuncio formal dos golos dos verdinhos, mas já no que diz respeito aos golos dos vermelhinhos o seu festejo foi ao nível do clímax atingido pelo contacto sexual de um náufrago, depois de décadas de vida solitária numa ilha selvagem ao largo da costa do Chile. O fim do jogo trouxe um sabor amargo de um empate embrulhado em derrota, e até admirei esse indíviduo que poderia ter continuado numa espécie de alienação paranóica da função para o qual foi contratado, tendo feito o que melhor poderia fazer... calar-se e ver a festa nos tons mais bonitos do mundo - o AZUL E BRANCO.

chuva por Encomenda

por António Simões, em 13.06.17

Está para breve a publicação numa das maiores revistas do mundo da meteorologia e geofísica, um estudo acerca da influência da lavagem do meu carro na precipitação. De facto, após vários anos de averiguações, um equipa de cientistas internacionais foi alertada por este fenómeno que se encontra ao nível da influência provocada pelo anticiclone dos Açores. Perante estes factos, nada melhor do que ver o assunto pelo prisma do copo meio cheio, e em lugar de ver uma lavagem efectuada em vão, vejo uma grande possibilidade de negócio. Assim, já procurei uma equipa de informáticos para desenvolver um site, que servirá para se efectuar encomendas de precipitação. Todos os interessados, desde o singelo agricultor, ao empresário das grandes explorações agrícolas, passando pelos condutores de Formula 1 que conduzem melhor à chuva, e acabando nas empresas hidro-eléctricas que pretendem renovar o caudal das bacias das barragens, poderão efectuar a sua encomenda de chuva, e assim apesar de continuar com o problema por resolver, pelo menos lavo o carro mais vezes do que actualmente.

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